sexta-feira, 13 de maio de 2011

Ei, você, seu alienado!

www.malvados.com.br

Amigo,

Se quando você saiu da maternidade não tinha nenhum paparazzi;

Se sua mulher não apareceu em nenhuma capa de revista dizendo que sua libido aumentou na gravidez;

Se ela não foi flagrada tirando meleca ou roendo a unha;

Se você não se separou três vezes nos nove meses;

Se até hoje o convite pra ilha de Caras ainda não chegou;

Se você não guarda a sete chaves o nome dos seus filhos;

Se você não sabia que a Céline Dion já foi mãe de Gêmeos;

Se sua mulher não começou a malhar três dias depois de parir;

Se você ao invés de babá, baba;

Se você não sabe a cor preferida da Fernanda Lima;

Se você não sabe o prato predileto da Giovanna Antonelli;

Se você não sabe que os gêmeos da Rosana Jatobá já nasceram;

Se sua mulher não fez um ensaio sensual com o barrigão de fora;

Se você nunca se lembra quem é a boa e quem é a má - Ruth ou Raquel;

Se sua mulher não entrou na lista de mais sexy, mesmo depois de dar a luz a gêmeos;

Se você bebe o leite caríssimo que sobra dos seus filhos pra não jogar fora;

Se você não comprou seu enxoval na Europa, mas no Riocentro;

Me faça um favor: não visite mais este blog nem fale mais comigo. Você deve ser pobre ou alienado, pior, os dois...

sábado, 7 de maio de 2011

Procura-se o Morfeu

Qualquer notícia, por favor, me avisem
Malandro, eu não sou o Jorge Aragão, mas ando querendo falar com você. Você tá sabendo alguma notícia do Morfeu? Pois é, meu camarada, o cara vinha aqui em casa todo dia e agora escafedeu-se. As vezes passava rapidinho de tardinha, depois do almoço,  mas de noite era batata! Podia contar que ele estava lá e só saía depois do sol raiar. Eventualmente ele também dava um olá no trabalho, dava só uma piscadinha, mas que já te ajudava a encarar o resto do dia. Pois é, rapá, já tô achando que o porblema dele é não gostar de bebês. Fui falar com outras pessoas de seu círculo de amizades e, ao que tudo indica, esta não é a primeira vez que ele some sem deixar rastros ou vestígios, só perdendo neste quesito para meu controle novinho da NET. Ou será que o Morfeu quando deu no pé levou o controle da NET? Será? Conspiração? Não, seria muita maldade pra uma pessoa só deixar o sujeito sem dormir e sem TV.

É, muchacho, la pestanita en lá madrugada foi para las cucuias. E aí eu tenho que confessar uma coisa pra vocês, só aqui entre nós. Tem duas coisas que me deixam doente, com instinto assassino e capaz de qualquer atrocidade: a fome e o sono. Amigo, eu com fome sou insuportável. Minha  irmã Creuza tem uma teoria que quando estamos com fome tem uma taxa de alguma substância no nosso organismo que abaixa e nos deixa neste mau-humor. Pronto, lembrei (mentira, fui no Google rsrsrs) Serotonina. Pior que isso, só quando eu estou com sono. Aí, rapaziada, eu sou o cão chupando manga. Fernandinho Beira-Mar vira um monge tibetano do meu lado. Juntando a fome com o sono, de madrugada, vocês já devem imaginar que não sou uma pessoa tão doce quanto vocês poderiam virtualmente supor. Uma coisa é saber o que deve ser feito. Outra, completamente diferente, é executá-la. E ainda tem um agravante familiar que pode me dar alguma guarita antes que vocês decidam me apedrejar em praça pública e me enterrar com um busto da minha mulher de lápide rsrsrs

Somos três irmãos e meu pai, já falecido, seguia um hábito que ainda hoje tem alguns adeptos para nos fazer dormir: nos botava no carro e ficava dando voltas até que chapássemos. Tudo muito bom, tudo muito bem, problema resolvido, mas não sem deixar sérias sequelas nos pimpolhos. Minha irmã, tadinha, a mais velha, quando entra no carro já dorme antes de baterem a porta. Quando o carro está cheio, apostamos em que segundo ela vai dormir e quatro é o número máximo de participantes. Ônibus a mesma coisa. Certa vez eu estava com ela, estávamos em pé, e ela dormiu! Sim meus caros, ela dormiu em pé segurando naquele ferro. Um senhor do lado vendo aquela cena surreal, achou que ela estava passando mal e ofereceu o lugar rsrsrsr. E o pior era quando pegávamos ônibus juntos. A única certeza era de que iríamos descer em algum ponto depois do que deveríamos. 

Eu quando vou sozinho, calculo o tempo e boto o celular pra despertar, é o jeito. Mas, vez por outra, acordo no ponto final , com o trocador me catucando: "amigo, tu precisa descer". Meu irmão, eu sou o caçula, é daqueles de dormir encostado no trio elétrico. Esse eu já peguei dormindo com a cara dentro do prato com comida que ele tinha acabado de tirar do freezer e, mais tarde, pelado no chão frio da cozinha sendo lambido pela falecida cadela de minha falecida avó Odete, a Kiki. (Kiki teve um fim triste, de tão velha ela não morreu, desmontou!!! É sério, ela desmontou e morreu). Em suma, já viram que nem tudo é culpa minha rsrsrs

E quando as crianças chegaram em casa, o não dormir era um dos principais problemas. E o pior é que o choro de um acorda o outro que levou duas horas pra dormir. Colocamos os berços em nosso quarto e ainda que eles dormissem a gente não dormia. Ficávamos bolados com estas histórias de "ih, menina, o bebê pode golfar, se engasgar e chegar ao óbito", partiu com o Raul. Aí tu não dorme, né camarada? Tudo tranquilo e você com aquele olho esbugalhado de novato na cadeia, pronto pra dar um duplo twist carpado ao sinal de qualquer golfada. E olha que os travesseiros anti-refluxo estão na cabeça deles, mesmo sem saber se eles têm refluxo! Toda hora você quer dar aquela conferida pra ver se não teve um refluxo ou coisa parecida. E são dois! E na TV te mandam colocar a criança pra cima, e no pediatra te mandam colocar a criança de lado, e os conhecidos te mandam colocar de barriga pra baixo, mas no seu colo pra aliviar a cólica, e os vizinhos te mandam colocar em qualquer lugar, desde que ele fique localizado a, no mínimo, 2km de distância do prédio.

Isso sem falar no risco de sufocamento. "Ih, menina, ele pode rolar e ficar sufocado". Mais uma neura, menos chances de dormir. E toma-lhe de espalhar aqueles rolinhos. Ih, mas com os rolinhos não dá pra ver as crianças estando deitado na cama! Traz o berço pra perto da cama pra poder ficar mais atento. Isso sem falar que o berço foi o único lugar em que eles não dormiam, só pra facilitar. Tínhamos que botar o bebê conforto dentro do berço pra conseguir algum sucesso e depois eles migraram direto pra cama, me banindo de meu leito por um bom tempo, até eu me aliar ao MOPAD (Movimento dos Pais Desalojados) e retomar meu latifúndio. E ainda tinha as mamadeiras, que chegaram depois da história da sonda que vocês já conhecem.

A mamadeira é coisa muuuuuuuuito simples, nada demais. São só seis por noite. Duas antes de dormir, duas 3 da manhã e as últimas junto com o canto do galo.  E não deixem de levar em consideração que isso pode variar e que os dois não acordam juntos pra mamar. E que a mamadeira não pode ficar pronta porque o complemento deve ser dado imediatamente. Ou seja, você deve acordar, pegar o leite em pó, pegar o Mucilon, colocar a medida certa dentro de um copo, mexer, rezar para acertar a mamadeira e dar de mamar. Se colocar os pós direto na mamadeira ela corre o risco de ficar cheia de caroço - o que pode entupir o bico e causar choro- e, cá entre nós, acertar a mamadeira com a colher e o pó nas condições em que você acorda é um tanto improvável. Deveria ser assim, mas a ausência do Morfeu mexeu demais comigo rsrsrs

Primeiro que eu não acordo tão facilmente. As crianças choram, acordam, minha mulher levanta, coloca os dois no peito pra acalmar e quando me vê estou dormindo com os anjos rsrsrs. Ela até hoje acha que faço de propósito, só pra não levantar rsrsrs. Eivada dos melhores sentimentos maternos, ela circula com o olhar as redondezas na procura de qualquer objeto que possa ser arremessado em minha direção e que possa me acordar, já que na época as crianças estavam dormindo em um colchão de casal no pé de nossa cama. Tomada pelo sentimento de ternura, ela varejava gentilmente travesseiros, pequenos brinquedos e, dependendo do meu comportamento durante o dia, um celular só caindo perto pra assustar. Já quando eles estão no peito e ela não tem uma mão que possa arremessar nada, ela, como que dando passos de balé, me chuta amorosamente, dando aqueles cutuquinhos com o pé e falando: "roger!, Ô roger!" rsrsrsrs

E muitas vezes eu, possuído pelo amor universal, acordava igual ao Cão, distribuindo "beijos" e "abraços" rsrsrs. É claro que eu sabia o que tinha que ser feito, que eram meus filhos e tudo mais, o problema era convencer meu corpo e meu cérebro disso. Por vezes eu tentava burlar a feitura das mamadeiras, colocando direto o pó lá pra facilitar, mas a danada sempre descobria e me obrigava a fazer o certo rsrsrs. O pior, meu caro, é que 99% dos absurdos que digo e faço de noite não ficam registrados na minha memória, é como se eu estivesse num estado de sonambulice. Então por vezes eu acordo cheio de amor pra dar e dou de cara com minha mulher com a peixeira nos dentes pronta pra abrir meu bucho a qualquer sinal de aproximação. Aí, meus amigos, vocês sabem bem, faço aquela cara de "amor, o que foi que aconteceu?" Aí o Vesúvio entra em erupção rsrsrs. E quando ela vai relatando e eu vou fazendo aquela cara de espanto (que ela lê como cinismo rsrsrs) a situação só vai piorando rsrsrs."Eu fiz isso??? Eu disse isso???" Mentira...

Foi então que eu fiz uma proposta pra ela: "amor, façamos assim: o que acontecer de madrugada não vale pro nosso relacionamento" rsrsrsrsr. Depois disso foi só correr e rezar pra ela errar ao lançar a peixeira rsrsrsrsrsrsrsrsrrsr. A última foi a mais engraçada. As crianças acordaram na alta madrugada e ela fez o procedimento padrão, me gritou e depois arremessou alguns objetos. Eu naquele estado meio letárgico só ouvia ao fundo, uma voz lá no horizonte: "roger, faz as mamadeiras.....roger, faz as mamadeiras..." como se fosse aquele "coooooompre baton, cooooooompre baton" e então comecei a fazê-las, só que estava dormindo! rsrsrs. E eu escutando aquela voz, fazendo as mamadeiras no sonho até que um objeto mais contundente me acerta e levanto puto da vida, gritando: "porra, as mamadeiras estão prontas!!!" Respiro, olho pro lado e me dou conta da situação, de mãos vazias rsrsrsr. Afino rapidamente a voz e digo: "desculpa maezinha, papai já vai fazer", sob o olhar fulminante de minha companheira...

Fica aqui meu reconhecimento público, diante de todos e todas, da paciência que esta mulher tem comigo,aturando meus impropérios na madrugada. Por vezes ela nem me acorda e faz a mamadeira com as crianças no peito, sabe-se lá como. Se não fosse ela a vaca já tinha ido pro brejo, pois este que vos fala não teria dado conta do recado. 

Bem, depois disso acho que me livrei do presente do dia das mãe srsrsrsrsrsrsrsrrsrsrsrssr

Já é uma economia. Ao quadrado rsrsrsrsrrs




sábado, 30 de abril de 2011

O primeiro mês a gente nunca esquece - parte 2

Pra você que tá chegando agora, antes de ler este texto é necessário dar uma olhada no post anterior. Isso aqui pode parecer novela mexicana mas, ainda assim, não basta ver um capítulo pra entender tudo o que aconteceu no mês. Aos que leram - e com certeza não conseguiram fazer mais nada das suas vidas aguardando a continuação rsrsr - o que se segue é uma contextualização dos acontecimentos na intenção de que a situação final possa ser digna de, ao menos, uma risada de canto de boca. Vou me esforçar pra isso. O peito rachado, como vocês vão ver, era só a ponta do iceberg. Peraí: peito? Ponta? Iceberg? Rachou? Maldito aquecimento global!


O Elixir dos deuses

Como já contei, as crianças tiveram a pega errada, que rachou o peito, que irritava as crianças porque ficavam com fome, que choravam, que deixavam a mãe desesperada, porque as crianças não mamavam, porque seu peito doía horrores, que desesperava o pai e que atormentava os avós. Mais tranquilo impossível. Numa situação dessas, você fica sujeito a qualquer tentativa, já que nada pode ficar pior. Acho que se naquele momento me mandassem passar a Maravilha Curativa do Dr. Humphreys (pra quem não conhece é um líquido que, resumindo, cura todas as doenças da letra de "O pulso ainda pulsa" dos Titãs, além também de curar mau-olhado, espinhela caída, frieira, bicho do pé, fimose e mau hálito entre todas as outras doenças existentes. Na verdade a medicina não faz muito sentido depois de sua invenção, não sei porque ainda existem médicos se formando...) no peito dela eu tava pronto pra executar esta tarefa. Com um espectro de atuação desses, um peito rachado seria pinto. Ops, acho que não ficou legal rsrsrs um peito rachado seria...mole. Ih, piorou... seria...simples, pronto.

Ainda que o peito estivesse no estaleiro, minha mulher se recusava a não oferecê-lo, numa dessas atitudes que só uma mãe tem a capacidade de ter. Imagina a culpa que ela carregaria em não oferecer o leite materno aos rebentos. Ainda assim, com dor e com pouco leite, as crianças não vinham se alimentando muito bem, o que fez com que não ganhassem peso no primeiro mês. E foi só aí que ela se convenceu de que era necessário que eles começassem a tomar o leite em pó de complemento (Similac no nosso caso). E aqui começa uma nova batalha: de um lado eu e meu sogro e do outro, ela e as, como eu gosto de chamar, defensoras da natureza.


Cadê minha mamadêla???

Aqui, meu amigo, eu comecei a me encrespar, encrespar nada, a ficar puto mesmo. Minha mulher começou a ler na internet e pegar informações com outras amigas e estava relutante em dar o complemento. Tudo que ela lia e escutava podia ser resumido desta forma: Belzebú foi alimentado com Nan e Satanás largou o peito porque começou com a mamadeira. As defensoras da natureza, ignorando nossa situação desesperadora e o peso das crianças, continuavam a bombardeá-la com a ideia de que qualquer leite que não o materno era prejudicial e que existiam indícios de que o Dath Vader foi pro lado negro da força por culpa de sua mãe, que não deu o peito. Meus amigos e amigas, é ÓBVIO que todos nós queríamos que eles mamassem somente no peito durante no mínimo os seis meses. Mas o que não podia ser ignorado era que o complemento não era uma opção, mas sim uma necessidade, que era descartada pelas conselheiras verdes. Isso me irritava profundamente já que este radicalismo estava prejudicando meus filhos.

Você é linda, seus filhos serão lindos e sua barriga
 vai voltar ao normal...
Algumas delas respondem pelo nome de doulas. É aquela mulher zen toda a vida, que curte florais, adora terapias alternativas, só toma homeopatia e tem o dom de dizer tudo o que uma mulher grávida com os hormônios enlouquecidos está louca pra escutar. Parceiro, vai por mim, se ouvir esse nome saindo da boca da sua mulher, corre sem olhar pra trás rsrsrs. Foi uma dessas, famosa por sinal, que disse pra minha esposa que ela não deveria dar complemento pras crianças de jeito nenhum, por nada nesse mundo. Só me resta então concluir que ela queria que as crianças perdessem cada vez mais peso e ficassem em uma situação ruim só porque ela achava que era contra as leis naturais, me poupe. O mais engraçado é que um dia desse fomos passear com as crianças no Museu da República e encontramos um amigão meu alemão, que conheci nos tempos em que moramos numa república em Niterói. Conversa vai, conversa vem e toquei no nome dela com ele, seus olhos se arregalaram: "você também conhecer esta mulher? Nossa, ela ser muita atraso" rsrsrs. Vejam bem, nada tenho contra as doulas, não estou generalizando mas, no meu caso, como se tratava de uma das mais famosas, fiquei horrorizado com sua incapacidade de entender o contexto e ser maleável nas suas convicções. Afinal, se seguíssimos suas orientações abalizadas, este blog poderia nem existir...

Nesse ínterim, diante do sofrimento geral, você vai acabar cedendo aos pedidos de sua mulher, no leito e lascada. Foi aí que concordei em chamar uma pessoa que iria lá em casa ajudar com o aleitamento, dar dicas e tudo mais, isso antes do Fernandes Figueira. Já viu, né, morri em R$ 100,00 nessa visita. Ela chegou, pegou as crianças, indicou a pega, disse umas palavras tranquilizadoras e deu uma dica que acabaria com qualquer possibilidade de um simples cochilo durante as noites seguintes. Como a mamadeira era coisa do tinhoso e faria as crianças abandonarem o peito, dorme com um barulho desses, elas deviam se alimentar através de uma sonda, nº6, nunca mais me esqueço. Olha que coisa formidável.

Era assim: você pegava um potinho pequeno e colocava o leite. Depois pegava essa sonda e com o auxílio de um pedaço pequeno de esparadrapo, colava no seu dedinho mindinho, que ia fazer o papel de bico do peito. Botava na boca da criança e ela mamava, sem o risco de jogar o peito pra escanteio. Você tá aí pensando: "ué, Cappelli, qual o problema disso?" Presta atenção, vocês não estão atentando para a funcionalidade disso. Primeiro que se uma mão sua está ocupada porque a criança está mamando no seu dedinho e a outra está ocupada segurando o potinho que está com o leite, quem está segurando a criança??? Ou seja, precisa de mais um. E aquela sonda dando mole, eles metem a mão, arrancam do seu dedinho, o pote vira, a sonda sai do pote, sai do dedo... mermão, cada vez era um suplício. Isso sem contar com a madrugada. Você com a vista tomada pela remela, doente de sono, tendo que acordar, pegar a sonda, colar no dedinho... era mais fácil eu chorar do que as crianças. O que me deixava mais louco é que uma simples mamadeira resolveria tudo...

E esse leite do potinho era alternado, ora materno ora complemento. Calma, acabo de perceber que estamos chegando na parte em que vocês vão conhecer a história do Fernandes Figueira. Tendo em vista que o leite materno era escasso no peito (eu e meu sogro maldosamente ficávamos falando que o peito era só uma salada, que o complemento que era o feijão com arroz rsrsrs) ficava comigo a incumbência de fazer a ordenha para oferecer na sonda. Amigo, eu apertava e apertava e apertava e fazia os movimentos circulares e apertava e quando já estava com os dedos dormentes, com sorte, tinha saído uns 30 ml rsrsrs. Aí tu imagina como nos sentíamos quando o potinho com este leite virava na hora de mamar rsrsrs. Cada esguicho que caía fora do pote era seguido de um "aaaaaaahhhhhhh que pena". Não sei o motivo mas quando eu apertava tinha vezes que saía leite em umas três direções diferentes, sendo impossível aproveitar tudo. Eu passava horas pra conseguir esta quantidade e cada ml era uma conquista.

Minha mulher ficava muito triste com isso, ela queria jorrar leite. Depois de algumas idas ao pediatra e das crianças não terem ganhado peso ela se rendeu. Depois, com o passar do tempo, aceitou a mamadeira também, fase em que eles ganharam peso rapidamente e, PASMEM!, continuam no peito até hoje. Eu estava livre da sonda, as crianças choravam menos porque estavam com menos fome e toda a logística tinha sido facilitada. As coisas começavam a entrar nos eixos. Bem, tô me perdendo, vamos ao caso.

Como vocês viram, o trabalho da ordenha era brabo. Horas e horas por míseros mililitros. Quando chegamos no Fernandes Figueira, ficamos na sala de espera já que tinha uma pessoa sendo atendida. Estamos escutando as orientações e ganhamos até potinhos que são adequados para armazenar o leite, são aqueles vidros compridos de nescafé, tipo aquilo. Enquanto olhávamos aquele pote sonhando em um dia transbordá-lo, com minha mulher se culpando por não ter muito leite, triste e frágil, sai uma menina de uns 50kg de dentro da salinha, que tinha entrado uns cinco minutos antes, com quatro potes daqueles cheios debaixo do braço rsrsrsrsrsrsr. Aquilo foi fatal e minha mulher foi aos prantos imediatamente, enquanto eu e meu sogro ríamos e a abraçávamos sem parar diante da cara dela de "noooooooooossa quanto leite buááááá rsrsrsrsr" Lá funciona também o banco de leite e a menina estava fazendo sua doação bem na hora rsrsrs.

Apesar disso saímos de lá bem felizes e confiantes de que tudo daria certo. Ao quadrado, é claro.


quarta-feira, 27 de abril de 2011

O primeiro mês a gente nunca esquece - Parte 1

Preparação para o primeiro mês
Amigo, é chegada a hora do alistamento familiar obrigatório (AFO). Não adianta nem tentar ser fominha e resolver o jogo sozinho porque com duas crianças recém-nascidas chegando em casa, você vai precisar de, no mínimo, mais duas pessoas com você. E aí, meu caro, é hora de chamar vovô, vovó, titia e quem mais estiver escapado da hora do Brasil neste momento. Os dias hoje não estão fáceis e você vai ver que não é tão simples assim. Ainda mais depois do surgimento do Viagra, o que pode fazer com que o vovô se mostre um tanto arredio em passar um mês trancafiado com os netinhos e o que sobra dos pais. Em nosso caso conseguimos arregimentar minha mãe e o pai de minha mulher, já que meu pai e a mãe dela já estão nos braços de Icu. Duas figuraças, que moram de frente pra praia e vivem de renda, ou seja, recrutas em potencial. Vovô ficaria por três meses e vovó foi seria dispensada a beira da loucura com um mês. 

Parceiro, o primeiro mês é sinistro. Você não sabe de nada, mesmo achando que leu e está preparado pra tudo. Eu tenho um exemplo que é ótimo. Vocês já viram o “Resgate do Soldado Ryan”? Pois é. O primeiro mês de vida dos gêmeos é parecido com os primeiros 20 minutos do filme onde você não consegue nem respirar. Enquanto os soldados vão desembarcando na Normandia você vai embarcando na banheira com um medo da porra de cair água no ouvido ou deixar seu filho escorregar. Treinar com uma boneca que não se mexe, não chora e não está ensaboada, como você fez naquele cursinho durante dois sábados pela manhã, feliz da vida, não ajuda muito. Os vídeos no youtube são ótimos, mas desconfio que as crianças utilizadas estejam dopadas com, sei lá, um concentrado de maracujá com camomila ou algo parecido. Na dúvida e no medo, o negócio é passar uma água rapidinho porque ainda tem mais um. Criança nessa idade nem se suja muito...rsrsrsrsr

Sua mulher está toda avariada, deitada, enfaixada, com pontos na barriga e com dores. Qualquer soldadinho ferido daquele exército americano é fichinha. Queria ver um deles nesta situação periclitante ainda tendo que ficar com duas crianças mamando ao mesmo tempo no peito. Ah, o peito, esse é um capítulo à parte...

Nos idos de sua juventude minha esposa ia na contramão do silicone. Agraciada com uma comissão de frente avantajada, era necessário dispensar alguns de seus componentes para que a harmonia da escola fosse preservada. E enquanto todas as amiguinhas queriam mais, ela entrava na faca pra diminuir seus seios. Antes que você pergunte “o quê o Cappelli tá querendo com isso”? Eu respondo logo: uma operação destas pode dificultar muito a amamentação. Como vocês podem imaginar, ficamos especialistas nas explicações: a operação afeta os ductos mamários, que são responsáveis pelo transporte do leite até o bico. A operação pode, dependendo do médico ou açougueiro, cortá-los ou preservá-los. Depois de alguma tensão para saber se ela conseguiria amamentar ou não, ficamos aliviados com o aparecimento do colostro após o nascimento, já era um bom sinal. No caso dela, foram preservados alguns destes ductos, o que permitia a amamentação ainda que o leite não jorrasse. 

Mas o leite é só um detalhe, parceiro, tem a tal da pega, o jeito que a criança vai agarrar no bico. Aí é que a jiripoca pia. Se pegar errado o bico do peito vai pro beleleu. E foi o que aconteceu. Aí, meu caro, senta e chora comigo: as crianças em prantos porque querem mamar, com fome,  sua mulher nervosa e operada sem poder fazer nada, com o peito rachado e sangrando de tanto insistir, você desesperado sem saber o que fazer, os avós vindo com suas teorias mirabolantes do estilo “no meu tempo era assim” e uma confusão danada formada. Some-se isso ao cansaço e ao sono e o dia “D” da segunda guerra vai parecer um feriado. 

A nossa salvação foi conhecer o banco de leite do Instituto Fernandes Figueira, da FIOCRUZ. Lá tivemos todas as orientações possíveis e imagináveis, com muitas dicas e toques que nos deixaram aliviados. E o melhor: tudo de graça! Não titubeiem: se tiverem algum problema com isso corram pra lá que tudo será resolvido, 0800 e com selo de qualidade da FIOCRUZ. Saímos de lá com uma receita simples: a natureza cuida de tudo. Pro bico rachado, era só passar o próprio leite e pegar sol, o corpo fornece a cura. Se sua mulher entope o bico com coisas à base de Lanolina fique atento. Fizemos isso durante todos os meses e não adiantou nada. Já o sol com leite materno em dois dias já tava bem melhor.

Agora, diz aí: onde se pega sol com os peitos de fora morando em um prédio sem que ninguém veja? Rsrsrsr Minha mulher me respondeu: acordei 7 da manhã e lá estava ela, toda lanternada, deitada no chão da varanda pegando o solzinho da manhã, torcendo pra não ser devassada. Dizem também que pode deixar o bico perto de uma lâmpada, mas ela nunca faria isso: “o Sol é muito mais forte”. 

Foi lá no Fernandes Figueira que vivemos um cena hilária. Mas acabo de ver que a mensagem tá gigante, então conto mais tarde na continuação...

sábado, 16 de abril de 2011

A bolsa rompeu? Então sou eu!

Indo pra maternidade. Onde estou? No banheiro, é claro.
Parceiro, chegou a hora. Não adianta se trancar no banheiro alegando indisposição estomacal (vulgo caganeira ou piriri) ou mesmo refugar igual ao Baloubet Du Rouet, aquele cavalo que varejou o Rodrigo Pessoa por cima dos obstáculos, o que era o grande vencedor e na hora "H" afinou. Você é o pai e deve estar presente, não dá pra fazer a segunda chamada. Tenha em mente que sua situação é muito confortável. Com o advento da cesariana e a adoção unânime por esta cirurgia de quase todos os obstretas, tudo tem dia e hora certa pra acontecer. É claro que por traz disso temos um sistema de saúde capitalista que prefere este jeito fordista porque consegue fazer muito mais cirurgias do que se fosse esperar a criança resolver romper a bolsa. Aliás, romper a bolsa, pra gravidez gemelar, é quase uma palavra em extinção. Praticamente todos que consultamos aconselhavam ao parto cesariano, ainda que existam casos do parto gemelar normal. Acabou que lá em casa minha mulher ficava com uma inveja danada de mim toda vez que saía correndo em direção ao sanitário dizendo "a bolsa estourou!". Perco a mulher mas não perco a piada.

Em nosso caso não tivemos muita escolha já que nosso plano não nos dava muitas opções. Como as crianças não foram "planejadas", ela tinha apenas o plano mendigo da Unimed, também chamado de Personal. E já que não tínhamos muita escolha, não queria correr o risco de esperar eles decidirem a hora de nascer e, chegando na maternidade, não ter lugar ou passar qualquer tipo de perrengue. Achei perfeito quando decidimos tudo, inclusive com reserva no hospital. Tudo agendado, restava somente aguardar.

É claro que em condições diferentes gostaria que o parto pudesse ser natural e que eles viessem na hora que decidissem entre eles (acho melhor explicar antes que alguma Avatar voe no meu pescoço e me chame de inimigo da natureza). Minha mulher também gostaria de um parto bem natural e, conhecendo ela, seria algo como ela agachada, gritando horrores abraçada a uma árvore e fazendo pressão para que as crianças chegassem, onde cairiam em uma pequena piscina natural preenchida de água da fonte, para não estranharem a mudança de ambiente. Logo após, ela, eivada do instinto materno, lamberia suas crias enquantos elas curtem o colostro quentinho rodeadas por índios xamãs que entoam cânticos de boas-vindas, batendo o pé e baforando aos espíritos. Em seguida eu chegaria, pegaria os dois e levantaria aos céus, apresentando os novos moradores do Templo planeta Terra aos deuses que regem sua harmonia.

Cosa Nostra: os Mandarino Cappelli
Acordando do sonho, era hora de partir, dia 24/01/2010 7h da manhã. A parentada toda avisada e chegando junto conosco na maternidade, por sinal muito boa, uma grande sorte que demos, Amparo Feminino. Ela vai se preparar e você também. Logo perguntam se o pai vai asistir e respondi que iria, não só eu como também o irmão da Giulli, Huguinho, que é enfermeiro e ponto de equilíbrio do Clã Mandarino e conseguiu negociar sua entrada. Fomos então para um pré-sala onde nos vestimos adequadamente, ou pelo menos quase, no meu caso. Com uma lancha tamanho 44 e 1,95 de altura, saí do trocador com a calça que me deram na canela, o negócio que envolve o pé chegando só na metade e a camisa no umbigo. Logo vem aquele engraçadinho que te pergunta "não vai desmaiar não"? Como eu vou saber? Eu sei lá, ué, nunca entrei em um lugar onde fossem abrir uma pessoa pela barriga, com sangue brotando aos montes e com duas crianças saindo arrancadas de lá de dentro rsrsrsrsr  Só dá pra saber indo. E fui.

Chegando na sala de cirurgia a descontração é total. Não, não é a nossa, mas a da equipe. Futebol, culinária, compromissos futuros, parecia que a qualquer momento iam jogar o baralho em cima da barriga dela e começar o carteado. Como fazem aquilo várias vezes e em dia seguidos, o que pra nós é extremamente angustiante pra eles é rotina. Injeção dada. O anestesista vai furando ela com uma agulha pra ver se ela está sentindo alguma coisa. Eu e Huguinho atrás da cortina que só tapa a visão dela pra barriga, o que nos permite olhar por cima (bem, o huguinho na ponta dos pés, mas não vem ao caso). Enquanto ela pergunta se já começou, a barriga já está aberta e o sangue toma conta, sugado com sonda e gases aos montes.

Essa merecia um prêmio. Tentem adivinhar quem é...
Em pouco tempo, a obstetra já está com metade do braço dentro da barriga dela tirando o Thomaz. Logo em seguida sai Sophia, e eu de cara neles, segurando a câmera com uma mão e a mão da Giulli com a outra. A cena é surpreendente. Fotos sensacionais. Em pouco tempo estamos os quatro juntos pra primeira foto. Em seguida seguem para serem limpos e pra fazer a sucção do líquido no nariz. Tudo pra poderem ser embrulhados pra presente.

É nesse meio tempo que temos que ficar atentos e acompanhar as crianças. Vai que tem alguma Nazaré por ali, na espreita, só esperando alguém dar mole pra pegar um deles? Foi assim que a Maria do Carmo se deu mal. Foi nesse meio tempo também que olhei novamente por cima da cortina e vi a obstetra lavando igual uma preta véia na beira do rio alguma coisa em cima da barriga dela. Fiquei bolado" ih, sobrou alguma coisa na hora de montar" rsrsrsrsrsr Resolvi perguntar e ela, com ares de quem está lavando a calcinha no chuveiro, responde: "é o útero, temos que tirar a placenta que fica grudada". Diz aí? Sinistro, né não? Pra você que ainda não sabe se vai entrar, eis um relato que vai te ajudar na decisão. Agora, se você é daqueles que desmaia até com o sangue que sai do bife que tirou da sua unha, pode desistir, passa longe.
Saindo do forno...
Todos pra encubadora, pra se ambientarem uns 30 minutinhos e tirar as medidas, a burocracia. A parentada toda babando no aquário. Logo em seguida vamos pro quarto. Após a cesárea a mulher não pode falar, porque dá dor e gases. Ela já tinha um bloquinho em mãos, ainda que sua letra seja um espécie de dialeto da junção entre o árabe e o mandarim, ainda mais pós-operação. Eu que já imaginava os questionamentos, fazia igual com um amigo gago, tentava adivinhar tudo, pra desespero de ambos. Ela não podia falar. Eis que surge minha mãe no quarto e, toda alegre, começa a se comunicar com ela por sinais. Gargalhada geral. "Tá maluca, mãe? Ela não pode falar, mas não tá surda não"! rsrsrsrsrsr

(Uma história ajuda a compreendê-la melhor. Verão no Rio, calor absurdo, o capeta usando protetor 40. É hora de dormir e todos se recolhem. No dia seguinte, a mama sai esbravejando do quarto, possuída e quebrando tudo, puta da vida: "porra Ricardo, sacanagem! Fiquei suando a noite inteira, não dormi nada, esta merda deste ar-condicionado está quebrado! Tu me sacaneou!" Meu irmão, meio aturdido com aquilo tudo, indagou" Mãe, tu não usou o controle remoto? " E ela: "usei, claro que usei! Botei no máximo e esta merda não funcionava, coloquei no 32º" rsrsrsrsrsrrsrsrsrsrsrsrsrsrrsrsrsrs Ao invés de gelar ela transformou o quarto no forno da CSN!!!! Figuraaaaaaaaaaaaaaaaaça)

Peito de mãe sempre cabe mais um
É sempre bom evitar o quarto cheio, principalmente na hora do primeiro contato, quando você ainda está se adaptando com as crianças. E isso serve pra todo o primeiro mês. No meu caso foi ruim também porque não conseguia ver o jogo do Fluminense contra o Bangu pelo campeonato carioca, toda hora alguém passava na frente. Chegam os dois rolinhos e tu não sabe por onde começar. Logo vem a primeira mamada dupla e o primeiro cocô, que é uma espécie de sabão em pasta, destes de lavar louça, mecônio, nunca mais esqueço isso. O primeiro choro, o primeiro desespero, a primeira noite acordado, a primeira troca de fraldas usando 39 gases pra limpar uma borradinha de nada...

Tudo ao quadrado.



segunda-feira, 11 de abril de 2011

Maracujá para os ouvidos

Música de qualidade e sono garantido
Parceiro, muitos vão dizer que isso aqui não é twitter pra ficar colocando mensagens curtas, mas o problema é que quando penso já faço, no mínimo, um parágrafo, o que inviabiliza minha participação neste tipo de ferramenta virtual. Acho que todo historiador, por natureza, é prolixo.

Enfim, vim aqui só dar uma rapidinha (olha a maldade, papai e mamãe, o que seus filhos vão pensar?). Acabo de colocar os dois pra dormir. Esqueça Galinha Pintadinha, Arca de Noé, Toquinho para crianças ou qualquer outro subterfúgio. A boa e escutar Renato Teixeira, Pena Branca e Xavantinho ao vivo em Tatuí. É tiro e queda!

Fica a dica. Só cuidado pra não dormir antes...

domingo, 10 de abril de 2011

Dando tchau pra dizer oi


Parceiro, aproxima-se o momento em que, de um minuto pra outro, você irá se transformar em uma pessoa completamente diferente do que era instantes atrás. Acho que nenhuma outra situação em nossa vida traz tamanha alteração. E o pior é que, desse minuto que falei, só sobram 20 segundos pra você fazer uma reflexão sua, interna, e pensar: "agora é sério, acabou a moleza". É claro que quando digo isso não estou negando a felicidade que as crianças proporcionam ao nascerem, muito menos estou sendo pragmático demais a ponto de só levar em consideração a parte técnica da paternidade. O que quero dizer é que, depois que os dois choros ganham os ares da sala e se concretizam - e eles tiram 10 no primeiro teste da vida, o de apgar - a vida passa ser à vera.

Antes você era problema seu, agora você é problema deles. Acredito que seja esta a mais revolucionária cerimônia de iniciação de um homem. Não é só um rito de passagem da infância para a vida adulta, de iniciante para iniciado, não é só a primeira bimbada, o primeiro porre ou seja lá o que for. Em todos estes casos, logo após qualquer que seja o ritual de passagem, você continua só. Aqui você num piscar de olhos vê sua família dobrar de tamanho.

E nesse ínterim, na pré-temporada que antecede este clássico tão importante, é hora de você dar adeus de forma lenta, porém compulsória, aos seus afazeres individualistas e egocêntricos. Você como macho alfa e líder de sua manada, que não come mel, mastiga abelha, tem aquelas suas peladas durante a semana pra poder gritar palavrões aos quatro cantos, falar sacanagem, de mulher e de tudo que não presta. Tudo isso num lugar onde a idade mental não passa dos 7 anos e nós achamos muito maneiro. É igual professor assistindo aula: vira aluno na hora. E eu não só jogava como organizava a pelada de quinta, das 22:30 até 00:00, com 18 malucos ensandecidos por uma vitória. Cada quinta que passava era menos uma, eu sentia que meu jogo de despedida estava próximo, que não teria mais o glamour do time de fora explodindo diante de uma pixotada sua, ou da porrada quase estancando após lance polêmico.

Toda pelada tem o chato, o pereba, o que se acha craque, o que se acha injustiçado, o que reclama o tempo inteiro, o sanguessuga, o banheira, o fominha, o que escuta tudo calado (mas que um dia explode) e o goleiro mãos de manteiga. Meu último jogo foi dia 17/12/2009, a última quinta antes do Natal, porque as duas últimas semanas ninguém aparecia. Até então jogava não só as quintas, mas vez por outra as terças também. Neste dia pendurei as chuteiras e a pelada acabou, já que eu era o chato que organizava e cobrava o dinheiro da galera. Um dia desses fui numa pelada com o Josué e vocês já podem imaginar. Aos cinco minutos estava quase enfartado e deprimido com as lembranças dos piques e golaços de outrora. Pelo menos deixei unzinho de placa, limpando dois e o goleiro, pra tocar de esquerda no gol vazio. Ali já podia ter ido pra casa. De SAMU.

E essa galera do futebol era o pessoal da academia. É, amigo, é hora de dizer tchau também aos exercícios. Malhava já tinha uns 3 anos, de segunda a sábado. Tenho uma dificuldade enorme pra ganhar peso e uma facilidade imensa pra perder. Não é difícil imaginar que uns dois meses depois fosse quase impossível convencer alguém que passei este tempo todo levantando peso rsrsrs. A única solução para engordar era ganhar músculo e nem pensar em esteiras ou bicicletas. Com 1,95 cheguei a ter 90kg, o que pra mim era excepcional. Academia hoje se resume a bíceps e abdominal, ambos com eles no colo. Agora que estão com 13 kg já dá pra aproveitar mais.

Por fim, é hora de se despedir de sua mulher rsrsrsrsr, brincadeira. Mas a partir do oitavo mês até o segundo depois de nascerem, em caso de cesariana, pode aposentar o bigulim. Esta é a despedida mais dolorosa rsrsrs. Tem todo o oitavo mês, o que vier do nono e, por fim, todo o resguardo pós-operação, que leva no barato 1 mês, e ainda todo o primeiro mês de vida deles, que você não vai ter disposição nem fazendo um coquetel de catuaba com Viagra. Amigo, a situação é triste e conheço gente que saía na rua e ficava igual aqueles bichos com fome de desenho animado que quando olhavam outro animal só vinham um frango de padaria andando rsrsrsrs. E não adianta que não existem outras alternativas com sua mulher, ela está interditada. É hora de respirar fundo e atravessar o saara com resignação, sabendo que depois disso tudo vai... ficar ainda mais difícil rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrs.

Após abandonar a pelada, a malhação e passar a funcionar com sua mulher igual a aeroporto, fazendo operação padrão, resta a você ter calma e esperar o tempo passar (e ele faz outra coisa?). Aos poucos a água volta, mas o perigo é que ela deixa a terra novamente fértil! É hora então de regular a mangueira porque, como diz o samba, água demais mata a planta. Com o tempo tudo volta ao normal e, se você der sorte, ela vai estar tão cansada na hora do sexo que vai implorar pra você pular as preliminares rsrsrsrsrsrs.

A peladinha eu pretendo voltar, assim como pra academia. É tudo um processo, uma questão de engenharia que equacione tempo e dinheiro. Por enquanto vou me garantindo no PFC pra não perder nenhum jogo (é óbvio que assinei a partir do nascimento deles) e me valendo de chantagens e pequenas manipulações da verdade pra ir ao estádio vez por outra, o que fiz mais ano passado para ver o Fluzão campeão.

E vamos dizendo tchau pra dizer oi. Ao quaddrado.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Estamos nas letras miúdas!




















Estamos nas letras miúdas (olha aqui em cima, tem uma frase em vermelho dizendo "leia outros pais em". Logo abaixo está o blog. Deixa de ser preguiçoso e pega uma lupa).

Confira a matéria toda aqui. Mas na versão online não tem esse jabá.

Teoria da conspiração

O líder da irmandade do mal
Estava eu aqui pensando estes dias sobre a onda do politicamente correto que assola as músicas que são direcionadas às crianças. Já cheguei até a comentar isso aqui, não sobre música especificamente, mas sobre a censura que queriam aplicar nas obras do Monteiro Lobato, sob a pecha de racista e preconceituoso. Inclusive hoje a música do atirei o pau no gato já termina dizendo "Nãããããããããão atire o pau no ga-to-to / porque isso sô sô / não se faz-faz-faz / o gatinho-nhô-nhô/ é nosso ami-go-go / não devemos maltratar os animais / jamais!". Horrível, um remendo que atenta contra a história. 

Ainda que não tenhamos registrado nehum caso de patologia crônica confirmada de demência humana relacionada ao mundo felino com origem em um trauma freudiano relativo ao repetimento incessante de determinada música na infância, muitos imaginam que isso pode transformar o futuro cidadão numa espécie de Hannibal Lecter do mundo animal. De minha parte, acho que o perigo do estrago é muito maior se estas crianças forem expostas ao Calcinha Preta, Latino, Luan Santana e 95% dos axés baianos. É aquilo, atirar o pau no gato não pode, mas descer na boquinha da garrafa é tão legal, né? Olha minha filhinha, foi até pro concurso do Raul Gil!

Enfim, papo sério a parte, vim aqui acabar com qualquer possibilidade de você, meu amigo, querer ser politicamente correto e, ao mesmo tempo, deixar seu filho escutar música feita para as crianças. Se é pra ser politicamente correto, ninguém se salva. Como diria meu professor de sociologia, vou dar exemplos extremos para que o argumento fique mais claro, o que não quer dizer que eles não sirvam para as milhares de músicas deixadas de fora aqui.

Se preparem! Vocês nunca pararam pra pensar nisso e, agora, vão poder perceber o risco absurdo que seus bacuris estão correndo!  Por trás destas músicas estão as piores pessoas do planeta, mesquinhas, preconceituosas, abomináveis e que, não duvido nada, fazem parte de uma irmandade milenar que visa, através das mensagens subliminares imbutidas nas músicas infantis, criar uma horda de desordeiros e pervertidos, responsáveis por destruir o planeta e prepará-lo para sua ocupação por alienígenas que estão só esperando o lugar vagar. Ih, percebeu? É uma irmandade galáctica contra a infância! Chama o Siro Darlan!

Vê se eu tô mentindo:

O Leão

Essa é da Arca de Noé. E você, hein? Achando que tá tirando onda de intelectual, se achando cult e expondo seu filho a este perigo...

Tua goela é uma fornalha/ Teu salto, uma labareda/ Tua garra, uma navalha/ Cortando a presa na queda
Amigo, feche seus olhos e repita isso pra você. Impossível não visualizar a imagem de um cramulhão bufando enxofre com vários animais da floresta pendurados no seu tridente. Vai deixar as crianças ouvirem isso?
Leão se esgueirando à espera/ Da passagem de outra fera/ Vem um tigre, como um dardo/ Cai-lhe em cima o leopardo/ E enquanto brigam, tranqüilo/ O leão fica olhando aquilo/ Quando se cansam, o Leão/ Mata um com cada mão.
Aqui seu filho poderá aprender a técnica do homicidio sem esforço. A lição é clara: deixem os outros se cansarem e, quando estiverem bem debilitados, vá lá e dê o golpe de misericórdia trucidando os dois. É porrada no bêbado.


A Mariposa


A mariposa triste coitada/ Veio ao mundo pra morrer queimada/ E sofreu muito por ver a borboleta
Que vive no jardim/ Beijando o cravo e a violeta
"Papai, tem pessoas no mundo que já vêm marcadas pra morrer, independente do que ela faça? Ela morreu queimada porque era invejosa? Papai do Céu castiga os invejosos? Ele manda matar quem faz malcriação?

A Canoa

A canoa virou/ Por deixá-la virar/ Foi por causa da Sandra (Maria)/ Que não soube remar
Aqui é o seguinte: se acontecer alguma coisa de ruim, culpe seu coleguinha que não deu conta do recado. É preciso rever a maioridade penal e dar mais responsabilidade ao que chamam de crianças que podem sim ter mentes diabólicas. Afinal, se não sabia remar, porque estava na canoa? Hein? Se ninguém dedurar a amiguinha, faça você a denúncia.

O Porquinho. (Claro, você é moderno e seu filho só escuta do poetinha pra cima...).

Sendo um porquinho informado/ O meu destino bem sei/ Depois de estar bem tostado/ Fritinho ou assado Eu partirei/ Com a tia vaca do lado/ Vestido de anjinho/ Pro céu voarei
Ah, tá. Atirar o pau no gato não pode, mas mandar  o porco e a vaca pro saco, tostado, frito e assado tá tranquilo.


Pombinha Branca

Passou um moço de terno branco/Chapéu de lado meu namorado
Se você é evangélico, cuidado! Pensa bem: um moço, de terno branco e chapéu de lado (nas entrelinhas, é claro, gingando e pitando um cigarro): Só pode ser Zé Pilintra!!!

Pra terminar e não ficar chato:

Os bichinhos e o Homem
Nossa irmã, a barata/ Bichinha mais chata/ É prima da borboleta/ Que é uma careta/ Que é uma careta/
Nosso irmão, o grilo/ Que vive dando estrilo/ Só pra chatear/ Só pra chatear/ Só pra chatear/ Só pra chatear
A lição é clara: a natureza é um saco!!! E ainda querem preservar uns bichinhos.

Tá revoltado? Percebeste como estavas sendo enganado? Vem comigo então e vamos sair às ruas queimando Cds, DVDs e caçando os compositores que ainda estão vivos. Ainda há tempo para salvar nossos pimpolhos indefesos. E eles que acharam que não descobriríamos seu plano nefasto. Não se deixe enganar: em qualquer música a mensagem maligna está lá, basta procurar...





sábado, 2 de abril de 2011

A Barriga


Aqui ela ainda está bem miudinha...

Amigo, o sol tá quase raiando, o galo cocorocando e a água do balde já atinge seu pé na birosca. Se aproxima a hora derradeira, da ema gemer, da jiripoca piar e da cobra fumar. Sua mulher já virou praticamente um ponto turístico devido ao tamanho da sua barriga, inclusive com pessoas querendo tirar fotos. Aos desavisados, que nunca viram uma barriga de mãe de gêmeos que nasceram praticamente aos nove meses de uma gestação tranquila com míseros 3kg cada um, eu fazia sempre um alerta prévio: evite parecer que está olhando pra algo sobrenatural, finja que você já viu milhares dessas. Deixe seus comentários de "Caraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaarra tu viu aquilo???", "puuuuuuuuuuuuuuuuuultaquelosparis como pode isso?" e "merrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrmão, que parada é essa?" pra quando acabar a visita. Este é um momento de extrema sensibilidade.

Na rua um trajeto que demorava 5 minutos agora é feito com 40 e contando com uma meia dúzia de pit stops. No meio do caminho ainda vamos escutando as gracinhas tipo "aí cumadre, já tá remando" de desconhecidos do bairro que acompanharam seu crescimento estupendo. A partir do oitavo mês a locomoção fica praticamente impossível e grandes trajetos só com a ajuda do Carvalhão.

E não pensem que não me assustei com o seu tamanho. Na medida em que ela ia se expandindo e ganhando contornos cada vez maiores, ficava imaginando qual seria a sua capacidade de elasticidade. Na boa, a impressão que dava era que a qualquer momento ela poderia explodir, que por mais que a natureza fosse sábia, expansão tem limite (a exceção é o Barrashopping). E quando eles começavam a se mexer? Sinistro, muito sinistro. Como eram dois e toda ação gera uma reação, sempre que um se mexia e se ajeitava, o outro respondia prontamente, ou resmungando ou procurando se acomodar no espaço que vagou.

Na boca da botija
E aí, meus caros, tinha certas horas que eu jurava que eles iam sair pela barriga mesmo. Era um tal de perna pra lá, cotovelo pra cá e pontapés variados que vocês não podem imaginar: uma hora alguém esticava o braço e a barriga ficava parecendo a tenda de um circo. Na outra, eles iam pro mesmo lado e parecia que tinham ido dividir a mesma placenta. O mais sinistro é que permaneciam assim durante muito tempo, não era algo momentâneo.

Não sei se vocês lembram daquele filme clássico da sessão da tarde chamado Inimigo meu, que mostra a amizade de um Drac (ET) com um astronauta americano chamado David. Papo vai, papo vem, o Drac está quase morrendo e vai dar a luz. David fica apatetado sem saber o que fazer e o Drac aponta o procedimento: bastava pegar uma linha que passava pelo seu ventre e abrir como se abre uma janela. E assim foi feito. Certas horas achava que isso aconteceria a qualquer momento comigo, tamanho era o salseiro naquela barriga. Pensei: "maluco, daqui a pouco vou ser obrigado a fazer uma draconiana e César que me perdoe". Quando chegamos no hospital para o parto foi até constrangedor. As outras mães sentadas na sala de espera olhando abismadas pra barriga que sacolejava ao som da bateria, causando até certa preocupação nas mais franzinas.

Acham que eu exagerei? Tirem as futuras mães e as crianças da sala e cliquem aqui.

Não parece que vai sair a qualquer momento? rsrsrs

terça-feira, 22 de março de 2011

É fralda! (com trocadilho)

Só pra começar...
Amigo, o carrinho é só a ponta do iceberg. Comecei a ter noção das coisas depois que vi o que os hospitais pedem pra hora do parto. É tanta coisa que cheguei a ficar na dúvida se eles iam devolver as crianças ou cuidariam deles até os seis meses. Acho que demoramos umas duas horas só pra fazer o checklist.

Uma grande sorte que tivemos foi a data de nosso casamento, marcado antes da concepção e consumado com uns 4 meses de gestação. Costumo dizer pra ela que foi um grande negócio, que deveríamos nos separar para casar novamente rsrsrs. Depois de arrumar um lugar em conta, com um buffet amigo e um preço camarada do grupo de samba comandado, estrategicamente, pelo padrinho das crianças, tive a ideia de colocar no convite que o couvert artístico era um pacote de fraldas. Um não, dois. Além disso, teve a famosa lista de casamento, onde conseguimos tudo o que queríamos pra casa e podemos trocar o restante da bufunfa que sobrou pelos berços e colchões das crianças.

No dia do casório foi um sucesso. Além de tudo correr bem, as fraldas pululavam de um lado para o outro, surgiam de todos os cantos e eram arremessadas dentro de grandes recipientes espalhados pelo sítio. Não há quem não se comova com o desespero de um pai de gêmeos. Mesmo aquele mais muquirana, descendente direto do Tio Patinhas, não ia chegar lá sem um pacotinho na mão, mesmo que fosse aquele mais vagabundo e só com oito fraldas.

Com aquele caminhão de fraldas a caminho de casa, a pergunta salta: onde vamos guardar tudo isso? Pois bem, tivemos que criar um quarto das fraldas. Tinha de tudo, de todos os tipos: uma camada, três camadas, respira bumbum, sufoca bubum, fralda noturna que não aguenta nem um peidinho, fralda famosa que machuca na parte do velcro, fralda que se você pingar uma gota ela já vaza, fralda que se você jogar na piscina ela seca, fralda que assa nas costas, que sobra nas pontas, que despedaça junto com o velcro, que não é anatômica, que diz que é pra cinco kilos e com quatro já não cabe, de bichinho, de floresta, toda branca, colorida, enfim, existem tantas possibilidades de tipos e tamanhos ao comprar uma fralda que podem te deixar maluco, principalmente se você nunca trocou nenhuma.

E aí, meu parceiro, você deve estar se perguntando: "pô, esse cara se deu bem, fralda pra dedéu". Aí é que você se engana. Faça as contas comigo. Um bebê recém nascido troca de fralda a cada três horas. Em um dia são oito, no mínimo, já que ele pode se borrar assim que você colocar uma nova. Os dois juntos trocam então, novamente no mínimo, 16 (dezesseis) fraldas por dia. Multiplica isto no mês, vezes trinta, e chegamos a módica quantia de 480 fraldas. Cheguei a pensar em abrir uma fábrica de reciclagem tendo em vista tanta matéria prima disponível, mas do jeito que elas chegam fica meio difícil aproveitar. Hoje já está mais tranquilo: um pacote de 24 dura dois dias rsrsrsrsrs

No final das contas, depois de muitas doações de fraldas genéricas e de outras que ficaram pequenas antes do tempo, algumas lições. Não escolha uma marca pra pedir. Se seu filho for alérgico ou sua pele ficar irritada com ela você vai se rasgar depois, sem saber o que fazer com aquela pilha de fraldas que não serve pra nada. Outra coisa é trocar as que já ficaram pequenas. Faça uma cara de tadinho e entre na farmácia solicitando a troca. É melhor que seja mulher e que esteja com cara de cansada, ainda que isto, neste caso, seja redundância. Vou logo avisando que trocar fralda "P" é difícil e a "M" e mais fácil, já que tem mais saída. Não precisa ter comprado lá, ligue antes e dê uma choramingada que eles acabam cedendo, trocando um ou dois pacotes. Dizer que são gêmeos já comove. Ofereça seu pacote vencido por um que sirva mesmo vindo menos fraldas, é lucro para os dois. Ah, não adianta: não apareça com fralda genérica que ninguém troca.

Depois de muitas fraldas e marcas, terminamos na Turma da Mônica. A Pampers tem uma tira lateral de plástico duro que acaba ferindo a perna deles. A da Mônica é tipo um tecido, mais suave e que não irrita. Noturna, tanto Pampers quanto Respira bumbum da Mônica são ótimas pedidas. Não economize nestas. Você não vai querer acordar 3 da matina pra limpar o cocô que transbordou e se espalhou pelo seu filho, pelo lençol, pelo berço e tudo que estava num raio de 10 metros. Pega a criança, tira a roupa, tira a fralda, troca o lençol, limpa a criança, coloca outra roupa, outro lençol, começa a ninar pra dormir. Tudo isso rezando ao padim padre Cícero pro irmão não acordar. Fazendo tudo rápido, em 1 hora você volta a dormir.  Se tem uma coisa onde o barato sai caro é isso.

Ah, não se esqueça: compra boa é quando a fralda sai por R$0,50, ou seja, quando você paga o valor referente a metade do número de fraldas: pacote de 24 custando 12. Não pense duas vezes: fale com a pessoa do depósito e mande descer seu estoque. Fique atento nas promoções, principalmente das noturnas que são mais caras. Mesmo se elas forem maiores do que a que eles usam hoje compre bastante, pois um dia irão usar e a promoção pode não aparecer tão boa novamente. E não se esqueça de ter sempre em mãos um encarte do guanabara, que tem sempre bons preços e que você pode levar no Extra e pagar a mesma coisa, sem ter que se digladiar com os outros pais transloucados em dias de fralda abaixo dos 50 cents. Certa vez cheguei lá e parecia uma cena de Mad Max, trocando a gasolina pelas fraldas. Se desse mole perdia seu pacote, era bom nem se afastar do carrinho.

Por fim, um mistério que ainda hei de desvendar: como o cocô consegue sair pelas costas da criança, mesmo ela estando em pé???

É Fralda! Ao quadrado...


sexta-feira, 4 de março de 2011

Compra 1: o carrinho


Modelo popular

Parceiro, ao mesmo tempo que você acompanha o desenvolvimento dos seus filhos é chegada a hora de entrar na fase 2: assimilação, espera, escolhas e gastos. A partir de agora será necessário pensar em tudo e um pouco mais pois cada ato seu nesta fase pode gerar uma consequência inesperada no futuro. É uma espécie de teoria do caos, aquela em que um arroto no Xingú pode causar um terremoto na Moldávia. Um passo em falso agora e tudo pode ficar comprometido, ainda que você não visualize isso.

Do carrinho não tem como escapar e, apesar de parecer um negócio muito simples, não é. Ele é praticamente uma extensão da personalidade dos pais, como se fosse a compra de um carro mesmo. A primeira coisa é a segurança, disso não se abre mão: é bom que o carrinho tenha um cinto de cinco pontas (dois que passam por cima do ombro, dois pelo lado das pernas e um entre elas, onde todos se encontram e fecham) para que eles sigam firme. Os nossos são assim ainda que não me lembre de ter colocado os cinco pontos presos nenhuma vez, até porque a criança fica sem poder ir pra frente e pra trás. Um dia desses vi a tira que desempenha esta função na mão deles. Tinha virado corda pra puxar algum brinquedo. Pelo menos teve algum uso.

Depois temos que escolher o tamanho. É sempre bom lembrar que pra caber os dois fechados na mala de um carro só eles sendo bem compactos.  Caso contrário, vai um na frente (do lado do motorista) e outro na mala. Mesmo nós que não temos carro passamos algum sufoco e na hora de pedir um Táxi já informamos que precisamos de uma mala grande. Se você tem um carro que cabe dois carrinhos grandes na mala, deve estar aqui por acidente. Ah, é bom que ele tenha pelo menos três posições: em pé, encostado e deitado.

Por fim, é importante lembrar que quando você for no mercado não vai poder empurrar o carrinho da criança e o de compras. Portanto, uma boa mala é fundamental para que você consiga colocar bastante produtos na parte de baixo. Têm uns pinos na alça de empurrar onde ficam os guarda-copos. Arranque o porta-copo e pendure algumas sacolas ali, lembrando de equilibrar o peso nos dois lados pro carrinho não tombar.

Um dos pontos mais polêmicos ficou por conta de comprar um carrinho duplo ou dois individuais. Aí, amigo, são muitas as hipóteses. Cada caso é um caso e ele deve atender ao perfil do casal. Nós moramos na zona norte, não temos carro e andamos muito na rua com eles. Logo, um carrinho de gêmeos teria que vencer os carros na calçada e os seus repectivos buracos. Além disso, existe o problema de entrar no elevador e na porta de casa, que possuem medidas padrão. Ah, sem falar que ele não passaria em nosso corredor que é estreito e liga os cômodos da casa. Minha mulher defendia sua compra, afirmando que ganharia mais autonomia e que poderia sair sozinha com os dois sem precisar de ninguém.

Eu, na base do terrorismo, perguntava com ares de fim do mundo, o que ela faria se um deles começasse a chorar sem parar. "Eu pego no colo". Insisti: aí o outro começa a chorar. "Eu pego também". Beleza, agora é só chamar o reboque pra trazer o carrinho de volta pra casa, enquanto você vem a pé com os dois no braço. Nem isso dá, porque não sobrou mão pra pegar o telefone. Amigo, pra mim a regra é clara: pra dois temos que ter no mínimo dois na marcação, sendo que mais um na sobra é o ideal. Ela não se deu por vencida e viu um modelo em que ao invés de ser um ao lado do outro, fica um atrás do outro. Depois de refletir rapidamente, ela decidiu que não seria bom porque o que fosse vir atrás não teria uma visão boa da paisagem e seria prejudicado, ou então poderia se sentir um Rubinho da vida. Diz aí?

O outro argumento pela escolha da independência é prático e se mostrou acertado depois. São dois, amigo, e as vezes um está dormindo e o outro está chorando, um quer comer e o outro não, um tá cagado e o outro limpinho, um golfou é tá bolado e o outro acabou de sair do banho e  ficou enjoado. Você quer tomar café da manhã com um no carrinho e não pode, o que muitas vezes pode inviabilizar o desjejum. Separados, um fica com você e o outro com a mãe e depois pode rolar o revezamento, é mais fácil. Se estiverem agarrados no mesmo carrinho a confusão está feita. Separados, você pode ir com um pra cada lado, sem prejudicar ninguém. Um dormiu e o outro berrou? pega o carrinho e vai dar uma volta com o revoltado. Resolvido.

No final de tudo, meu animal de estimação Franco, que tinha me prometido o carrinho, pediu as especificações. Tadinho, creio que ele não sabia onde estava se metendo nem o preço deles, muitos custando quase um carro popular. Quando abri a caixa fiquei até com medo de ele se mexer e começar a falar, parecia um transformer. Mas ainda sim era só um. Como era de última geração, fomos na loja e trocamos ele por dois, com o bebê conforto que encaixava ainda, isso é a maior mão na roda. Pronto: os carrinhos estavam em casa e eu não tinha gastado nem um real com isso. Não é perfeito? rsrsrs

Hoje o carrinho da Sophia já tá fazendo até frete no hortifruti aqui perto de casa. Tá todo troncho, dando de lado, com o encosto das 3 posições quebrado. Consertei com uma ripa que encontrei lá em casa escorando o encosto. O bebê conforto já está no limite. Ambos estão todos manchados de tudo que você possam imaginar: da água de côco ao giz de cera, da pasta de biscoito de maizena regurgitado à papinha que caiu. Vez por outra só o lava jato resolve. 

E isso é só o início. Temos ainda a escolha dos nomes, das roupas, dos acessórios, se vai chupar chupeta ou não e isso e aquilo....

Se fossem dois meninos eu já tinha seus nomes na ponta da língua:  Prejú e Izo rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrs.









sábado, 26 de fevereiro de 2011

A Era do Ultra

O inventor da Ultra
Duvido que vocês não tenham isso encafifado na cabeça: como as mulheres passavam, e algumas ainda passam, os nove meses de gravidez sem ter a ultra? Pra mim a invenção deste aparelho está para as mulheres da mesma forma que o Google está pra quem precisa escrever um tese ou dissertação: praticamente impossível se imaginar o parto - dos bebês ou do trabalho final - sem tais ferramentas.

Após a gravidez confirmada é chegada a Era do ultra, amigo, prepare-se. Toda mulher sonha em ter um aparelho desse em casa, pra ficar olhando a cria o tempo inteiro durante os nove meses de gestação. Principalmente depois que a Ivete Sangalo disse que tinha uma dessas em casa. E não pára por aí. A moda agora é a Ultra 3D, que significa 3 dígito$. Uma dessa por mês e você nunca mais vai querer botar aqueles óculos coloridos na cara.

Hora do primeiro encontro com as crias na telinha. No início é pela "bacurinha" e conforme a barriga cresce, passa a ser por cima. Adentramos a sala. Fica a médica com o computer na frente dela e uma outra televisão no alto para os pais. Ah, amigo, e não se esqueça do DVD. Como assim? É isso mesmo: a moda agora, além do 3 Dígito$, é gravar tudo no disco. Você entra na sala e a ajudante já pergunta: "trouxe o DVD?"

Início do exame. Você com aquela cara de "não tô vendo nada, liga a NET" e sua mulher achando, já nervosa, que eles não estão lá. Pois é, não se vê praticamente nada, ainda que a médica se esforce para tal. Ela vai apontar e dizer "tá vendo, são estes dois pontinhos aqui" e você vira e diz "claro, tô vendo sim, são estes dois pontinhos pequenos um de cada lado", com aquele sorriso sonso de quem não tá vendo lhufas. A sorte é que ela não vai te mandar apontar, aí estavas perdido. Você ia acabar colocando o dedo no respingo de gel que foi colocado na barriga da paciente anterior. E não se esqueça: quando sua mulher perguntar: "tá vendo amor, não são lindos?" responda com um sonoro: "claaaaaaaaaaaro que estou, são os dois pontinhos, quer dizer, as duas crianças mais lindas que já vi". Alguém apertou o REC no DVD?

Nesta nossa primeira ultra passamos um certo susto. A médica começou a olhar e sentimos uma certa apreensão de sua parte. Mexe pra lá, mexe pra cá e ela manda: "tem certeza que são gêmeos?" Pânico geral. Silêncio. Cutuca dali, acolá, ela já vem com uma conversa do estilo o gato subiu no telhado: "acontece em muita gravidez gemelar, um feto não se desenvolve e é absorvido pelo organismo naturalmente, e isso e aquilo". Diz aí? Sinistro, né não?

Foi quando, durante o tempo em que nos recusávamos a acreditar na notícia, ela quase deu um pulo e surtou: "peraí gente, achei, achei, tá aqui, tá aqui, nooooooossa tô até nervosa, ele tá escondidinho aqui no canto, olha, olha". Mermão, que alívio, ainda que eu continuasse a não ver xongas. Mas se ela tava falando é porque devia estar lá mesmo. Aconselho vocês a levar junto com o DVD uma TV full HD de LED 42' que assim nada escapa. Já imaginou uma vida ignorada por culpa de uma baixa resolução?

E a saga continuou. Em outro momento ela apontou que existia um pequeno descolamento de placenta e que minha mulher deveria ficar de repouso absoluto. Até hoje suspeito delas, de uma combinação às escuras enquanto fui ao banheiro, mas tudo bem. Aí já viu, né parceiro? Pra descer a escada do prédio, com quatro degraus, foram uns 35 minutos, me senti na Penha. Chegando em casa, direto pra cama, onde ela estava decidida a ficar 1 mês sem se mexer. Ir ao banheiro para o number two só depois de um bom laxante, pra evitar o esforço. Rir era bom evitar também. Fora isso, enjôo. Não é o paraíso, irmão?

Ela no sofá, debilitada, decidida a não se locomover ou fazer qualquer tipo de esforço, sofrendo com as náuseas e pedindo ajuda. Eu, eivado de compaixão e ternura, respondia com um ar de lamento: "amor, o quê eu posso fazer? " rsrsrsrsrs. É, guerreiro, já imaginou ficar um mês a disposição de sua mulher, acatando todas as suas ordens e desejos, sem poder falar nada pra não parecer insensível? rsrsrs. Sinuca de bico da porra! rsrsr

Com o passar do tempo você vai ficando craque na ultra. Já distingue tudo e se prestar atenção pode até questionar o exame. Isso é fundamental, porque vai chegar a hora de você mostrar o DVD pra galera e aí se não fores safo, neguinho vai boiar. Todos reuinidos para assistir 30 minutos de DVD mostrando o exame completo, você narrando como uma chegada alucinante do GP Brasil de Turfe, cabeça a cabeça, praticamente formado em anatomia, e todos com aquela cara de interrogação que você conhece bem. "Tá vendo aqui? Isso é o braço. Tá vendo aqui? Isso é a perna". Estranho, né? Você mostrar um braço e uma perna e ter que explicar pra pessoa que se trata de um braço e de uma perna mesmo me parece meio surreal, mas é isso aí. É igual ao Indiana Jones quando vai atravessar aquele precipício: ele não tá vendo, mas acredita que a rampa está lá.

Passado o tempo e hoje as crianças com 1 ano é claro que não fazemos a mínima ideia de onde foram parar os DVDs. Acho que ela sabe onde devem estar alguns e olhe lá. O Katrina que passa lá em casa diariamente pode jogá-los em qualquer lugar, fazendo-os mudar de posição a todo instante. Só para vocês terem noção, anteontem, depois de mais uma busca ao tesouro perdido de Hipoglós, que realizo bufando diariamente, fui saber que seu cadáver estava dentro do pote de Toddy.

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