quinta-feira, 30 de junho de 2011

Deprê animal

Só escutei quando ele disse "não aguento mais isso"...
Vai dizer que você achou que eu tava tristinho, choramingando pelos cantos, querendo arremessar algum objeto pela casa num dia de fúria? Quem me dera! E depois, pra quebrar alguma coisa lá em casa precisa primeiro disputar com as crianças...

Quem é pobre e tem gêmeos não dispõe de tempo pra isso, rapá! Quando você reflete sobre a depressão e seus benefícios espirituais e introspectivos, para melhor compreensão do seu eu interior e de suas questões existenciais, percebe que tem dois cocôs vazando, uma criança chorando, a panela queimando, o telefone tocando e, como se não bastasse tudo isso, as contas chegando.  O sujeito pra ficar em depressão precisa de tempo, compreende? Precisa ter alguém disposto a escutar suas lamúrias, de um ambiente bucólico, de uma tosse tuberculosa e de um livro do Nietzsche na cabeceira.

Tempo você não tem, o ambiente tá mais pra pós-Katrina do que pra quintal do Lord Byron. Seus amigos já estão rareando nas visitas porque perceberam que quando eles chegam é você que vira visita, a tosse não pode ser forte pra não lançar perdigotos nas crianças ou acordá-las e, por fim, deixa um livro na cabeceira lá de casa pra você ver o que acontece....

Tudo isso pra dizer que fomos ao Zoo aqui do Rio e fiquei um tanto decepcionado. Não pelas crianças, claro. Sophia dava beijo e tchau pra todos os animais antes de trocarmos de espécie e Thomaz teimava em querer entrar em todas as jaulas, provavelmente pra roubar a comida dos bichanos. O que me incomodou, profundamente, foi o olhar daqueles animais, melancólicos e deprimidos, todos com cara de "o quê eu fiz pra merecer isso?"

O leão, tadinho, deitado de barriga pra cima e dormindo, era acordado aos berros dos visitantes que queriam fazer uma filmagem ou foto. Tudo isso ao lado da placa "respeitem o sono dos animais".

O Elefante, que tenho certeza que deve ser ela, parecia aquela dona de cabaré de quinta, velha e gorda, amargurada e lembrando dos seus tempos de rainha do baixo meretrício. Quando me olhava parecia pedir socorro. E um cigarro.

Os pinguins trancados num quartinho com ar condicionado eram metralhados por flashes de pais ensandecidos que empurravam as crianças para o melhor close.

Os macacos comendo uma banana blasè.

O Tigre siberiano, imenso, parecia tão adaptado quanto eu a uma cadeira de bebê.

Enfim, ainda que um bom programa para as crianças parece péssimo pros animais.

E olha que estou longe, muito longe de ser membro do Greenpeace ou vegetariano, hein?




quarta-feira, 22 de junho de 2011

Blog possuído

Vi lá no Feicibuque que a Carol Passuelo do Vinhos e Viagens não está conseguindo comentar aqui. Jemima do VU (minha revisora ortográfica, se encontrarem algum erro no texto reclamem com ela rsrsr) vira e mexe também não consegue.

Parece que o blog foi abduzido por uma força maligna que impede as pessoas de bem de fazer seus comentários. Distante que sou da tecnologia, convido todos a se juntarem em uma corrente de oração para que estas almas alcancem o caminho da luz e deixem os vivos se manifestarem.

Por via das dúvidas faço um apelo: Carol e Jemima, comprem um galho de arruda e passem pelo corpo. Depois peguem um pouco de pipoca e pisem em cima. Juntem tudo em uma sacola e despachem. Só pra garantir kkkkkkkkkkk

Tô ligando agora pro Quevedo.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Fome de pai pra filho


Parece que come desse jeito???

Cumpádi, o bagulho é louco, a parada é sinistra ou então, aos mais engomadinhos, a situação é cada vez mais periclitante. Ando deveras preocupado com o Thomaz, ou melhor, com a fome de 8 mendigos e 4 elefantes que ele parece sentir. Depois de comer uns 3 baldes de sopa ou comida, ele ainda arremata brincando uma caçamba de gelatina. E aí você pensa: "agora este guloso está satisfeito". Vai lá na cozinha e prepara seu pão com queijo ou então quele PF cheio pra comer tranquilamente vendo as principais tragédias do país e do mundo nos jornais da noite. E quando você senta pra comer...."Dá dá dá Huuuuuuuuum huuuuuuuum" seguido de puxões no braço e ataques de cólera se tratado com indiferença. Basta o garfo encostar na sua boca que já sai com aquele sorriso de Sílvio Santos, balançando a cabeça de um lado pro outro numa caricatura de Stevie Wonder.

Os que me conhecem não se espantam, visto que sou uma draga. Do alto de meus 1,95 até a comida chegar no dedão o trajeto é longo, o que acaba justificando a fome. Além disso, meu metabolismo parece ser uma máquina que tritura qualquer coisa em que serpenteia pelo meu estômago em segundos. Semana passada, 1:30 da manhã estava fazendo um miojo master, um não, dois porque um não dá nem pro início. Depois de pronto você joga requeijão, despeja o pozinho de galinha caipira e coloca os nuggets por cima como cereja no bolo. Chego a salivar kkkkkkkkkkk. Em meus tempos de UFF almoçava e jantava no bandejão. Como a janta era muito cedo, 19hs, todo dia comia um podrão na praça, aquele X-tudo tradicional da noite carioca. Todo dia. A mãe de uma ex-namorada me obrigava a fazer exame de vermes a cada 6 meses por não acreditar que aquele apetite pudesse ser natural e também pra ver se as compras do mês sobreviviam mais tempo ao namorado esfomeado da filha que vivia abrindo as panelas rsrsrs

Costumo dizer que o primeiro prato é pra me acalmar e o segundo, aí sim, pra degustar. Quando a comida é boa fico igual cachorro abanando o rabo, só que mexendo as pernas.  Mesmo assim, nunca consegui passar de 88kg. Já tentei até dieta pra engordar e nada. Pra ganhar é um inferno, mas se comer mal um dia já emagreço na hora. Enfim, tudo isso pra dizer que sim, parece que ele puxou o pai. A fome do pai e o olho grande da mãe rsrsrs, aí já viu. E ainda tem o tio, irmão da mãe que, não me contaram, isso eu vi, toma de café da manhã um prato fundo arroz com quiabo antes de ir pra praia. Costumo dizer que ele sente o gosto da comida na garganta, tamanha a rapidez e a quantidade que come.

Se ele é gordo? Não. Se eu sou Gordo? Não. Se o Thomaz é gordo? Não. Se alguém em nossas famílias é gordo? Não. Se eu estou caminhando a passos largos de encontro à falência? Sim.

Lá em casa quando o almoço é de potinho da Nestlé (geralmente só no final de semana) são quatro, isso mesmo, quatro daquele médio com pedaços. Pra janta mais quatro. Isso tudo tirando as gelatinas, sucos e frutas dos intervalos. O Horti-fruti já foi até terceirizado pra avó. Ah, ainda tem o biscoito de maizena e polvilho, que serve de petisco-chupeta. E não podemos esquecer, é claro, das três mamadeiras noturnas. Anteontem, após ele traçar 250ml com Mucilon, ainda roubou a da Sophia na caraça e arrematou: 500ml! É claro que nos preocupamos, que ficamos pensando isso e aquilo. Mas se ele está saudável, no peso certo e com todos os exames e vacinas em dia, não vejo motivos pra se preocupar. Vai ver que passamos fome junto em outras vidas e viemos agora unidos novamente rsrsrsr

A minha sorte é que aqui do lado de casa, bem na esquina, tem uma loja de ração. Eu costumo dizer que nesse ritmo vou começar a dar Biriba, uma bem gostosa e barata rsrsrsrs. Eu mesmo já comi Bonzo quando criança e não tenho nenhuma reclamação rsrsrsrsrsrsrrsrsrsrsrs

De cara não é muito parecido, agora de estômago é fome ao quadrado!

sábado, 18 de junho de 2011

Bebê Oculto


Eu não sei vocês, mas sempre achei muito estranho este negócio de amigo oculto. Particularmente, gosto de escolher pra quem eu vou dar um presente, ainda que seja muito raro rsrs. Mas como não participar é um atestado de mesquinharia ou de coisa pior, normalmente não temos como fugir. Você tira aquele maluco que você não vai muito cara e na hora precisa falar algo de bom e abraçá-lo, espontâneamente!  Você dá uma garrafa de vinho show de bola e ganha o DVD pirata do Calcinha Preta (ao vivo).

Minha família faz um todo natal, com regras mirabolantes que minha prima precisa explicar todo ano, tendo em vista o adiantar da idade de alguns e a sequela dos mais novos, com especial atenção para este que vos fala. Esta atualização também é necessária porque as regras amigocultescas podem sofrer mudanças no decorrer do ano, tendo em vista a reunião de diretoria oculta que acontece em lugar não divulgado.

Antes de começar ela explica. O amigo oculto é sorteado na hora, então os presentes devem ser unissex. Os presentes ficam todos em cima da mesa. Quando eu tiro fulano, ele vai lá e escolhe, de acordo com sua intuição, o que ele acha maneiro. É claro que alguns pacotes são blefes pra confundir quem escolhe. Pegou o presente. Tira seu papelzinho e minha amiga oculta é... Ciclana. A ciclana pode escolher um presente da mesa ou roubar o que o Fulano pegou. Aí começa a sacanagem. O presente só passa a ser seu se ninguém achar interessante ou então após você ser roubado duas vezes, depois disso não podem mais te surrupiar. Em suma, começa meia-noite e vara a madrugada, uns roubando de sacanagem, filhos roubando pra devolver o presente da mãe porque viram que ela tinha gostado, outros filhos roubando pra que o pai tenha sucesso na sacanagem, pais roubando pros filhos, um bacanal total em clima de Ho, ho, ho.

É óbvio que o primeiro ano foi um fracasso, com presentes que iam de toalhas a potinhos de plástico. Institui-se então o valor mínimo, o que não mudou muita coisa já que existem muitas coisas horrendas que podem ser compradas por R$20,00. Nosso núcleo familiar então começou a comprar livros, o que foi seguido no ano seguinte e melhorou a qualidade dos presentes. Ainda assim, mesmo alguns não tendo lido nunca nem uma orelha, o barato era roubar.

No último amigo oculto levamos as crianças e ficamos fora do sorteio, já que o avançar da hora não permitia nossa participação. Mas nem por isso deixamos de participar de um. Minha mulher me comunicou que as crianças estavam inscritas no bebê oculto das suas amigas da lista de internet, todas com filhos pequenos. Indaguei logo com seria o sorteio e ele me mostrou um mecanismo que faz isso pela internet, lugar também onde os pais já deixavam suas indicações de presente. Como não poderia deixar de ser o prejú é ao quadrado, já que temos que comprar dois presentes.

Tudo marcado, chegamos ao local combinado, um tradicional parque com verde. Como íamos de táxi e morávamos um pouco mais longe, saímos mais cedo pra chegar na hora. Pra variar não tinha ninguém lá, ou melhor, acho que não.

Enfurecido por ter que acordar cedo e preparar as coisas com se fôssemos ficar uma semana fora, incluindo aí colocar dois carrinhos transformers dentro de um Táxi e sem ninguém nos acompanhando, percebo aquela cara de paisagem da minha mulher. Começo a perguntar se ela já estava vendo alguém do grupo, pra podermos montar acampamento. Aí ela vai me enrolando, e eu pressionando, e ela me enrolando, até que ela entrega: não sabia dizer se alguém já estava lá porque ela só conhecia as meninas pela internet!!!!! Minha reação foi imediata: "O quê???? Tá de sacanagem??? Tu nunca viu estas pessoas???" Era o início então do primeiro bebê oculto, literalmente oculto.

Resolvemos então nos alojar e deixar as coisas acontecerem, já que não havia lugar marcado e não sabíamos quem eram as pessoas. Mas sendo gêmeos, tínhamos uma vantagem de sermos descobertos ao invés de ficar pelo parque abordando as mães com filhos pequenos: "É bebê oculto? É bebê oculto?" Passa o tempo e pelo mesmo fenômeno que você encontra seu amigo num maracanã lotado com 80 mil pessoas sem marcar nada, os presentes foram reunindo os participantes, já que ninguém se conhecia pessoalmente. Conversa vai, conversa vem e eu fanfarrão começo a contar que as crianças estavam na fase de roer tudo, que os móveis lá de casa estão todos com marcas de dente e piriri, poróró. Sinto então que os semblantes não acompanham minha história.

 Aí pergunto: "os filhos de vocês nunca fizeram isso?" E naquele misto de silêncio e "aaaaaaaargh, eles comem madeira" todos responderam negativamente com uma cara de "meu filho não, Deus me livre". Aposto que depois quando fomos embora rolou um "caraca, tu viu? As crianças comem madeira, deve ser doença". E não se enganem: até hoje eles roem a casa, com especial predileção pelo braço da cadeira de balanço do falecido vô Didi que repousa em nossa sala. Deve ser uma madeira nobre, se bem que eles curtem também um MDF.  Acho que já não é nem mais dente coçando, já virou um vício mesmo, como a palha no canto da boca e coisa e tal. Tem vezes que eles ficam no braço da cadeira como se estivessem comendo milho, vai roendo até em cima, voooooooooooolta, vai roendo até em cima, voooooooooolta e as vezes os dois juntos, em sincronia.

Como combinado, todos levaram um lanchinho e por aí tentamos interagir. Sempre tem aquele bolo triste que de tão feio ninguém toca, aquela guloseima que todo mundo voa e uns petiscos. No final, beijos e abraços pra todos os estranhos que conhecemos e nem sabemos se gostamos ou não, afinal, em duas horas ninguém deixa de ser oculto.

E terminamos na frente do parque com dois carrinhos, as crianças no colo e as bolsas penduradas. Não dava nem pra fazer sinal pro Táxi. A água que compramos foi a moça da barraquinha quem serviu, porque não conseguíamos abrir. E é claro que, pra facilitar, as crianças só queriam beber no gargalo...

Eu sou do tempo em que bebê oculto era esconder gravidez.

Fala sério! (ao quadrado)


quarta-feira, 15 de junho de 2011

Simples assim

Amigo, acompanhei os comentários aqui no post da Odete e cheguei a uma conclusão: mulher não tem paciência pra mulher. Tem um caso que inventei e sempre conto, obviamente machista, mas sem ser militante, que exemplifica bem esta relação. A mulher chega no salão de beleza e encontra a amiga:

- Miiiiiiiiiga, porque você está aqui, linda desse jeito?
- Eu linda? Quem me dera ter sua cútis e essa sua pele maravilhosa.
- Nossa, cada vez que eu te vejo parece que você está mais nova!
- Obrigada amiga, meu sonho é ter esta sua carinha de 16 aos 40.

Conversa vai, conversa vem, elas se despedem. A que fica no salão comenta:

- Você vê, né, menino, pode ter todo o dinheiro do mundo que quando a natureza não quer ajudar não tem Avon que dê jeito. Viu que ela tentou disfarçar o pé de galinha com um pozinho? E o cabelo dela? Tinha tanta ponta que parecia aquelas serpentes da medusa, se olhar direto corre até o risco de virar pedra!

A que saiu, pega o celular e liga pra uma colega em comum dos tempos de escola:

- Menina, tu não sabe quem eu encontrei agora no salão, acabada, com a sombrancelha torta e com uma tinta na cabeça que parece que ela passou debaixo de uma obra e o pintor deixou o rolo cair no seu côco. A Marluce! Pois é, acabadinha, logo ela que tinha aquela banca toda com os meninos do ginásio. Eu sempre falei que aquela beleza não ia durar pra sempre e parece que minhas palavras ecoaram.

Agora a mesma cena. Dois homens. O primeiro entra e vê o amigo:

- E aíííííííííííííííííí seu viadinho, tu é uma bicha mesmo, esondidinho aqui pra ninguém ver que você dá marcha ré e que libera esse roskov pra geral.
- E você, arrombado, que tá botando essa banca toda mas ficou olhando pros lados pra ver se ninguém te viu entrar. Geral sabe que você faz depilação anal e que o apelido da sua mulher é Marta Eletricista
- E a maluca da tua mãe, vai bem? Aquela velha é muito doida.
- Tá tranquila, com certeza melhor do que sua progenitora, que bota aquele biquini fio dental ridículo naquela bunda gorda cheia de buraco que mais parece a lua. Quando o tempo fecha na praia o pessoal aponta pra ela dizendo que vai começar o eclipse.
- Maluco, tô partindo, fica com a minha...
- Valeu, fala pra sua irmã que vou estar lá na hora marcada...

O que fica no salão começa a falar com a manicure:

- Impressionante como esse maluco é gente boa, difícil de achar amigo assim.

O que saiu liga pra mãe:

- Mãe, encontrei o Adolfo, aquele meu amigo sangue bom toda vida. Mandou lembranças pra você. O cara é muito parceiro...

É por isso que eu digo:

Onde a mulher vê psicomotricidade eu vejo uma pilha de lego.
Onde ela vê despertar das artes, eu vejo paredes riscadas de giz de cera e guache.
Onde a mulher vê Galinha Pintadinha, eu vejo o capeta fazendo a dança do Apocalipse.

E é esta nossa praticidade que as deixa looooooooooucas.

É claro que tem algum exagero, mas vocês sabem: é tudo ao quadrado...

sexta-feira, 10 de junho de 2011

SAC - É Tudo ao Quadrado

Foram milhares de e-mails, SMSs e telefonemas pedindo que a voz masculina não se calasse. Sendo assim, retomarei o Blog da Odete e, eventualmente, deixarei que ela se manifeste.

Pronto, agora posso ser acusado de tudo, menos de ser machista ou não querer dar espaço para as mulheres...

Cappelli

quinta-feira, 9 de junho de 2011

O Silêncio dos Inocentes

Eu tenho quase certeza que nenhum homem lê o que se escreve aqui. Não só aqui, mas em qualquer outro blog que verse sobre este tema. Digo isso tendo em vista que acompanho diversos blogs e nunca - eu disse nunca sem nenhum medo das generalizações- vi um comentário que tivesse testosterona nas suas linhas. E eu, que não sou bobo nem nada, que não remo contra a maré e não dou murro em ponta de faca, percebi então que este é um universo que se desenvolve segundo uma lógica diferenciada, sob um olhar materno que, por mais que me esforce, nunca vou conseguir ter já que, infelizmente, meu peito não dá leite.

(o fato do leite merece um parêntesis. Acho isso uma tremenda sacanagem do Criador. Devia constar em algum lugar dos livros sagrados que a benção dos céus daria ao pai de gêmeos a graça de produzir o mais puro leite, evitando assim os arranca-rabos pela exclusividade ou mesmo facilitando a vida na hora de dormir)

Então, amiga, como nova estratégia de inserção no mundo das mamães blogueiras, eu agora sou ela e me chamo Odete Marcondes Sá.

Não sei vocês, mas tenho a sorte de ter um marido maravilhoso, atencioso, carinhoso, inteligente e que me ajuda em todas as tarefas da casa. Sempre que me vê cansada me manda deitar e relaxar e logo chega com uns biscoitinhos. Está sempre de olho nas crianças e faz questão de trocar todas as fraldas sempre que está em casa. Mas agora estamos um pouco ansiosos: as crianças se recusam a falar!

Esses danadinhos já entendem absolutamente tudo que dizemos, já obedecem todas as ordens, já sabem o nome de todos os objetos e quando estamos dando bronca ou coisa parecida. Algum tempo atrás achei que eles logo desandariam a falar porque com 11 meses já andavam e balbuciavam algo como mamã ou coisas do gênero. Amiga, é claro que você precisa me dar um desconto, sabe como é. Mãe é assim, nosso filhote fala uma coisa que achamos ser aquilo que nem ele sabe que está querenedo dizer. Ele fala "pido" e nós imdeiatamente saímos às ruas gritando "meu filho já fala paralelepípedoooooooooooo".  O maridão, chato de galocha, fica dizendo que é viagem nossa, que eu tô angustiada e fico projetando coisas que não são verdadeiras, mas ele que não sabe de nada, nosso instinto nunca falha. Aposto que o Chico Buarque só conseguiu rimar paralelepípedo na sua música porque falava "pido" quando criança. Aposto.

Mas o fato é que eles ainda não falam. Pois é, nadica de nada. Os sons lá em casa são de riso, choro, peido, "dá" e gritos. Quando querem me chamar choram. Quando querem chamar o pai dão um gritinho seco "áá". Quando querem alguma coisa, apontam com o dedo e ficam "dã, dã". Os conselhos já foram inúmeros e colocamos eles todos em prática, diariamente. Quando apontam alguma coisa, estimulamos a falarem o nome do que querem sem dar o objeto de primeira, com facilidade. Tudo que pegam falamos o nome. Passo o dia inteiro falando mamãe e quando o Pai chega tem seu período de convencimento de "fala PA - PAI....PA-PAI....PA-PAI" e nada. De vez em quando ele ameaça dizendo que vai cortar o leite ou a cabeça do Backyardigan, mas nada parece adiantar.

Falamos com a pediatra e ela disse que não há motivos pra preocupação e que com gêmeos pode até demorar um pouco mais porque eles, sem querer, atrapalham um ao outro. Miga, como assim? Fiquei encafifada e quis saber porquê. Ela disse que como eles se comunicam com uma linguagem, ou melhor, dialeto próprio e se entendem muito bem, fica certa "preguiça" em falar outras coisas. Outras pessoas dizem que a criança só solta a língua mesmo com dois anos. E outras que quando for pra creche aí é que vai deslanchar mesmo.

É claro que surgem também as simpatias e os casos de família. Nessa hora todo mundo aparece com uma solução. Minha sogra linda, mãe do meu marido idem, disse que meu cunhado, irmão do meio de meu amor, não falava nem pelo car...por nada nesse mundo. Então falaram pra ela que a única solução era dar banho com a primeira chuva do ano que a fatura estaria liquidada, era batata. A sogrona então encheu um balde com a primeira água de janeiro e encharcou o menino, obrigando-o a beber e fazer um gargarejo, só pra garantir. Amiga, e não é que ele desandou a falar e hoje é político? Isso sem falar nos discursos de 4 horas que ele fazia em cima de trios-elétricos mambembes na época do movimento estudantil e tendo que por muitas vezes desviar dos vários objetos arremessados, sem parar de falar! Coisa de dar inveja ao Fidel Castro. Mas pra gente isso já não serve. Além  de janeiro estar muito longe o estoque nas casas de macumba já foram utilizados. E com esse frio, até pra tapear fica difícil...

Aí vem aqui em casa minha vózinha que mora lá em Miracema. Fica sabendo que as crianças ainda não falam e diz que meu irmão também não falava e que lá eles resolveram isso colocando um pinto na boca dele. Isso mesmo, pegaram um pintinho e colocaram na boca dele e ele saiu falando. Já imaginaram? Meu marido, é claro, pirou de rir e ligou imediatamente pro meu irmão pra dizer que ia colocar isso em todas as redes sociais do mundo, que ele só abriu a boca quando ofereceram um pinto. Aí ele ficava no telefone: "tira o pinto da boca que não tô te entendendo!" Sabe como é homem com homem, infantil de dar enjôo, isso sem falar no machismo. Mandei ele parar que isso era bullying e que ele podia ser preso e meu irmão ter sérios problemas psicológicos. Ainda que a vontade deles falarem seja imensa, acho que um pinto na boca não vai rolar. Se alguém descobre isso vocês podem imaginar os apelidos e insinuações, Deus me livre guarde.

E assim estamos, todo dia na contagem regressiva pra escutar a primeira palavra que teima em não vir. Vou confessar uma coisa aqui pra vocês. Eu sou capaz de suportar tudo nessa vida: Zorra Total, Ratinho, Restart e outras coisas, mas se eles falarem Papai primeiro eu me jogo daqui, ah se me jogo...

sexta-feira, 3 de junho de 2011

3º ATO - A SENTENÇA

- Padre, deixa desse negócio de pedir paciência e manda logo as rezas que já tá na minha hora. Tenho que voltar pra dar banho e botar as crianças pra dormir senão minha mulher me fura o bucho.

- Estou fazendo as contas, meu filho, seu caso é muito sério.

- Pois bem, só não demore muito porque os comentários do blog já sumiram e a galera não aguenta mais esta viagem. Acho que não acreditaram que os pecados eram reais, ainda que você fosse imaginário.

- Nem vem que mesmo sendo imaginário vou dar a sua sentença.

- Vai, adianta porque já tenho mais duas ideias e se continuar arrastando assim vou esquecer.

- Tá bom. Sua pena é comer 5 cream crackers em 30 segundos e tirar aquele lacre do  Hipoglós sem pedir ajuda.

- Como???

- Tá com medo? Não consegue?

- Preciso de uma sentença que seja possível...

- Então lá vai: reze doze vezes a Ave-Maria, treze vezes o Pai-Nosso e dezoito vezes o Salve-Rainha, essa por sua brincadeirinha...

- Tranquilo, achei que seria mais...

- Ao quadrado, bobinho... Ao quadrado.

sábado, 28 de maio de 2011

2º ATO - OS PECADOS

- Não fique assim, meu filho, Ele só dá grandes desafios aos que podem vencê-los.

- Muito bonito, padre, vou mandar um amigo meu botar esta frase no pára-choque do seu caminhão.

- Não seja prepotente, o milagre está sempre nas coisas simples.

- De preferência as que não custam nada...

- Pecado? Eu ouvi alguém falar Pecado? Será que existe alguém querendo se confessar? Alô, alguém na linha?

- Tá bom, melhor meus pecados do que esta sua ironia de quinta.

- Oi amiguinho, pode falar que papai do céu está te ouvindo...

- Eu já reciclei fralda.

- Mas isso não é pecado, é até um ato de amor pelo meio ambiente, pelo templo em que vivemos chamado Terra.

- Ih, já vi que tu nunca deu uma reciclada...

- Continuo na linha.

- Padre, homem que é homem, que não come mel, mastiga abelha, já reciclou sua cueca ao menos uma vez na vida.

- E...

- É simples. Você dormiu na casa de uma "amiga" ou amigo, sem que tivesse se planejado pra isso. No dia seguinte você toma um banho e, pronto, lá está sua cueca suja te esperando, e você limpinho. Mas, não contavam com nossa astúcia!, virando ela do avesso está novinha em folha, reciclada!

- Você é nojento! Não acredito que fez isso com seus filhos seu pagão, herege sobrinho de Belzebú!

- Claro que não padre, a fralda ao contrário não dá pra fechar o velcro.

- Então você tentou???

- Padre, você é sortudo, nunca precisou comprar um fralda em sua vida, ainda mais para dois! A casa que eu ia comprar virou toda fralda! E estas noturnas? Cada uma custa 1 real! Lá em casa são, com o intestino de bem com a vida, 12 por dia!!!

- Nada justifica isso...

- Imagina a situação. O bebê fez cocô. Você limpou. Colocou uma fralda nova. Ele brincou um pouquinho. Agora é hora do banho. Você tirou a fralda e viu que tá sequinha, cheirinho de hipoglós no ar. Já tá até com a anatomia deles, perfeita. Acabou o banho. Você olha aquela fralda triste, no canto do banheiro, e começa a pensar em todas as pessoas que doaram seu trabalho para sua confecção, na matéria-prima que foi retirada da natureza pra que ela pudesse ser o que é, no trabalho incansável dos pesquisadores na procura do número certo de camadas e na composição dos flocos de gel, na preocupação com o material pra não assar, com o velcro pra não soltar, enfim, todo um dispêndio de energia do mundo pra que ela pudesse chegar até eles da melhor forma possível. Descartá-la seria um crime, um desrespeito com a humanidade.

- Agora fiquei com medo de você. Qual seu próximo passo? Justificar o trabalho infantil levando em conta que estas crianças poderiam estar na rua fumando crack???

- Padre, se eu reciclar quatro fraldas por dia, economizo R$4,00. No ano, R$ 1.460,00.

- Não acredito que você já transformou isto em uma rotina???

- Não, tava só pensando alto. Mas não é tentador?

- Sovina!

- Se eu tivesse dinheiro poderia até ser, quem sabe...

- Não sei nem se existe reza na Igreja que te livre deste pecado.

- Reza deve existir. Já gente disposta a perdoar não tô vendo por aqui...

- Perdão pelo arroubo.

- O padre aqui é você.

- Você é engraçado. Aposto que alguém já chegou aqui e disse: "padre, decapitei minha mãe, cortei meu pai com um machado, fiz eutanásia nos meus irmãos e joguei seus restos aos cães no quintal" e você disse com voz de eco " reze tantas ave-marias, tantos pai-nossos". Aí eu chego pra falar de uma fraldinha reciclada e você nesse alvoroço todo...

- É sempre assim. Quando eu misturo o remédio da pressão com vinho tenho estas alterações.

- Corta o vinho, ora bolas.

- Sem vinho não tem missa. Sem missa não tem padre. Sem padre não tem Igreja. Sem Igreja não tem pecado. E sem pecado nós não estaríamos aqui agora.

- Bota suco de uva, os fiéis não vão desconfiar.

- Mas aí estarei traindo o ritual e os séculos de história da Cristandade.

- Sei não, hein padre, mas esta sua justificativa tá ficando igualzinha a minha. Tem um AA aqui na esquina, se quiser vou contigo na primeira reunião.

- Queria eu estar bêbado e não lembrar desta história pavorosa de reciclagem!

- Com alguém pra lavar suas cuecas diariamente é mole falar!

- "Eu tenho mais pecados, eu tenho mais pecados". Está ouvindo essa voz?

- "Esse padre é bebum, esse padre é bebum". Tô sim! Acho que elas estão vindo do mesmo lugar!

- Boa...

- Obrigado.

- Posso passar a régua e jogar água no chão ou ainda vou escutar alguma confissão?

- Tá certo, padre, a saideira.

- Garçom!

- Eu finjo que não escuto as crianças chorarem pra não ter que levantar de noite...

- Desalmado! Que o capeta te carregque atravessado no tridente!

- Como?

- Esse AA é perto? Conhece alguém que já foi lá?

- Lá é tranquilo. Mas é melhor você marcar uma sessão exclusiva. Vai que alguém da paróquia te vê.

- Simples, falo que estou levando a palavra de Cristo aos alcoolizados.

- O bafo de onça, você quer dizer...

- O que é um litro e meio de vinho por dia diante de um pai que deixa seus filhos se esgoelarem de noite???

- Quem disse que eles se esgoelam? A mãe deles pula da cama igual um saci e resolve a parada em dois minutos!

- E ainda não se arrepende do que faz?

- Claro que sim, padre. Ultimamente eu escuto chorar e acordo ela....

- Que as pragas do Egito recaiam sobre você! Não lhe sobrou um resto de compaixão???

- Sobrar sobrou, mas ela foi embora com o resto de sono...

- Que Deus me ilumine...

- Padre, uma coisa que me intriga: tu já parou pra pensar que a Virgem pode ter dado luz a gêmeos?

- Eu mereço, Senhor...

- Ué, se Maria nunca teve contato com um homem e, mesmo assim, engravidou, está confirmada a inseminação artificial.

- Maria foi inseminada???

- Não é óbvio? Se ela não teve relações com ninguém só pode ter sido inseminada, o que aumenta em porcentagens extratosféricas as chances dela ter tido gêmeos. Se bem que não, se isso procedesse a Jemima do Vizinhos de Útero já teria descoberto algo a respeito...

- Dessa eu escapei.

- Mas do AA não, vou lá quando sair daqui explicar a situação e ver o melhor horário pra não levantar suspeitas.

- Dai-me paciência, Senhor. Ao quadrado...

(Fim do 2º ato)

terça-feira, 24 de maio de 2011

Confissão de um pai de gêmeos em três atos. 1º ATO - O PADRE

- Padre?

- Pode falar, meu filho...

- Desculpa ter perguntado, é que vi um filme em que o cara falava, falava, falava e no final, uma criancinha ia chamar o padre e fazia um resumo pra ele  passar as rezas como penitência.

- Por este pecado já está perdoado.

- Padre, sem querer ser chato, você poderia rezar um Salve Rainha?

- Como assim?

- Cá entre nós, só um padre convicto pra saber ela toda. Só pra garantir que você é você mesmo, já que não estou vendo nada daqui...

- "Salve Rainha, mãe Misericordiosa, vida, doçura e esperança nossa, salve..."

- Tá bom, Padre, quem sabe o início sabe tudo.

- Vamos aos seus pecados?

- Antes disso, você poderia soprar aqui nesse bafômetro? É que vi um filme que o padre se entupia de vinho e vinha rir aqui da desgraça alheia...

- Aí já é demais! Você tem outros pecados além de perder um tempo que poderia ser devotado aos mais desfavorecidos vendo filmes inúteis?

- Calma padre, não precisa rodar a batina. Sabe como é, muita notícia por aí, e o Bento XVI não ajuda nem um pouco com aquela cara de Gárgula do Vaticano...

-Além de ambos preferirmos o JP II e de você estar enrolando um enviado de Deus, poderíamos falar dos seus pecados? Imagino que este rame-rame indica que sua confissão será cascuda. Vou mandar o coroinha dispensar os outros pecadores e pedir pra que voltem amanhã, assim teremos mais tempo.

- E você e o coroinha...

- Como ousa insinuar uma coisa dessas na casa de Deus?

- Insinuar o que, padre? Eu ia perguntar "e você e o coroinha não vão atender aos outros devotos"?...

- Sei, sei..

- Só pra eu poder começar bem relaxado, certo de que estou diante de um legítimo representande da fé cristã, uma última pergunta.

- Depois disso vamos aos pecados.

- Se Jesus era carpinteiro, porque esta predileção das igrejas por ouro?

- O valor do ouro para nós está na essência pura da sua formação, como julgamos que devem ser as almas do bom cristão...

- ahhhh, entendi. O Lobo mau tinha olhos grandes só pra ver a chapeuzinho vermelho melhor...

- Vou te ajudar: diga "padre, eu pequei..."

- Precisa ser cristão pra pecar? É que sou mais ou menos católico não praticante..

- O que isso quer dizer?

- Não sei, só sei que 85% dos cristãos do Brasil são isso. É algo como fumei mas não traguei ou então sou vegetariano mas adoro carne...

- E os evangélicos avançando...

- Tão dizendo por aí que se o céu é o caminho o Bispo Macedo é o pedágio...

- Não pense que me engana! Sua culpa é tanta assim a ponto de se recusar a falar? Vamos, meu filho, aqui estamos só eu, você e Deus!

- Tá certo. Vou começar então com o mais cabeludo de cara, pra que você depois veja os outros como pecados menores...

- Estou aguardando...

- Padre....é....então...como eu ia dizendo...tu não acha essa parada de fumaça da chaminé pra dizer se o Papa já foi escolhido um negócio surreal?

- Não ouse desviar novamente o assunto!

- Vamo lá então. O cascudo.

- Respire fundo...

- Padre, quando eu estudava no segundo grau, fiz uma lista com o nome de todos da turma e coloquei notas baixíssimas de Física pra eles. Afixei no mural sob o título: "notas finais do 4º bimestre" e cada um que ia chegando, principalmente as CDFs, começavam a tremer e a chorar copiosamente e, em pouco tempo, o muro das lamentações se tornou um mar da tristeza. Eu, com minha nota 9,3 ressaltada, saí correndo pra poder rir em segurança...

- Essa embromação toda por causa disso???

- Na verdade...

- Sabia...

- Tá bom, padre. Quando minha mulher disse que estava grávida de gêmeos, ao invés de comemorar eu fiquei fazendo conta! E olha que não sei nem dividir com vírgula! Deus tenha piedade de mim! Me dá um chicote que quero me flagelar, me indica alguém da Opus Dei...

- Com fé tudo se resolve...

- E isso foi só o início, depois eles começaram a vir em maior quantidade, mais cabeludos...

- Como assim, meu filho?

- Vinham ao quadrado, padre. Ao quadrado...

FIM DO ATO I rsrsrsrsrsrsrsr

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Propaganda Gratuita


Pra quem não me conhecia...

Amigo, tenho percebido certas coisas neste inicio de percurso no mundo das mamães blogueiras que vou compartilhar com vocês, afinal, o blog não faz nada além disso rsrsr. Deixemos de lado as crianças e vamos falar daqueles que escrevem sobre elas, uma vez que quando escrevemos fazemos isso para os nossos pares e não para seus filhos. Todo mundo que escreve, papai - mamãe bolgueira (olha a maldade...) busca ressonância das suas ideias, comentários que o façam parecer normal diante de tantos pensamentos estranhos e passageiros que habitam a cabeça do ser humano quando ele passa por uma situação extrema ou de dificuldade. Afinal, estamos em um momento onde a sua individualidade "eu sou o centro do mundo", o sexo quando dá vontade, o samba até o sol raiar, a praia até ele se pôr e todos os demais desdobramentos Zeca Pagodianos do "deixa a vida me levar" são página virada a partir do primeiro choro. Isso, é claro, pra quem não conta com um time de babás e tem dinheiro aplicado nas Ilhas Virgens Britânicas. Muitos estão doidos pra que isso aconteça logo (nasci pra ser mãe), outros vão se adaptar com o tempo (Darwinistas) e alguns vão viver em crise diariamente (#euquerominhavidadevolta). Seja qual for o desenrolar da sua história, cabe um blog .

Isso vem de minha formação acadêmica como historiador que só fez matérias na sociologia e só compra livros de antropologia. Sempre acho que consigo perceber certas nuances em determinadas situações do cotidiano que escapam aos outros olhares, atitude típica de intelectual metido a besta que se acha, que vê significado em tudo, que analisa qualquer gesto ou palavra, ou então de um ariano prepotente e egocêntrico. No no meu caso, os dois.

E a bem pouco tempo comecei a seguir alguns blogs que achei interessantes, levando sempre em conta não o tema deles, mas a abordagem e a forma de escrever. Todos os pais estão carecas de saber quais são as situações pelas quais cada um passa diante de um bebê. Grande parte dos cometários sobre o que escrevemos são aqueles "nooossa passei por isso também", seguido de um alívio imediato após leve taquecardia de lembranças daquela época. Ou então "faz isso que ajuda: junta uma folha de romã com três de hortelã, macera na água com mel, deixa em infusão por 37 minutos e depois dá ao seu bebê que ajuda na hora de dormir". Aí, meu amigo, quando terminar de fazer a criança já dormiu e eu já tô jogando Velho Barreiro neste caldeirão que deve ficar bem melhor. Tem também o comentário "ai que fofo, ai que lindo, como cresceu, quero apertar" que existe só pra mostrar que a pessoa leu, ou pelo menos viu a foto rsrsrs. Normalmente é um parente ou amigo próximo que não quer ficar mal na fita.

Não sei se vocês concordam com meu raciocínio, tomara que não, mas o que interessa neste tipo de blog é o que acontece na vida, e não com as crianças. Ou alguém aqui vê House preocupado com os procedimentos e exames médicos? O que nós queremos são as nuances do relacionamento, os problemas com o trabalho, como você se virou, quais foram as situações trágicas que viraram cômicas e, principalmente, um texto prazeiroso, sincero e sem abreviações. Um blog voltado somente para as crianças tem data pra acabar porque, algum dia, seu filho vai ler isso e, pra figir do mico, vai deletar tudo. No máximo salvar em algum lugar e esconder pra te chantagear. Ou alguém aqui conhece um blog que fale do "meu garotão de 18 anos" ou "Minha princesa de 19 primaveras" ?

Já que não tenho medo de perder seguidores (já amarrei com uma fita preta mergulhada no dendê todos estes rostos aqui da esquerda) e meu patrocínio master de R$25.000.000,00 não corre o risco de melar, vou falar rapidamente de dois. Ah, vizinhos de útero não conta, é hors concours (ó a moral, hein Jemima rsrsrs). Tem o da Carol Passuelo que prima pela simplicidade. Nos seus últimos textos fica claro a vontade que ela está de dormir e, se possível, bêbada rsrsr. Foi feito até um questionário pra saber como é o sono dos outros bebês, que ela deve ter feito com o intuito de descobrir uma fórmula sinistra que dê certo, ou que aponte os erros que porventura ela cometa na hora de dormir no afã de encontrar a resposta para a pergunta "não vou dormir nunca mais???" Bem, enquanto ela estiver procurando esta resposta estará bem rsrsrsr. Como mãe de gêmeos, consigo captar seu grito de "traz a saideira!" engasgado na garganta. E é isso que é bom no blog, a realidade.

Outro que conheci a pouco foi o Super Duper, da Anne. É o mais parecido com este que vos fala, finalmente uma mulher que chuta o balde e conta o que está pensando com pragmatismo e objetividade, sem muita preocupação com os cuti-cutis da maternidade. E, novamente, manda muito bem na escrita e não economiza no tamanho dos textos, o que gosto. O Blog não é twitter e muito menos um msn onde é a rapidez da informação que vale. Seu último texto foi hilário, sobre suas descobertas e devaneios enquanto aguardava na privada um teste de gravidez. Uma imagem idealizada e carregada de glamour em todas as sociedades existentes, tratada como ela é, não sem antes realizar duras críticas ao fabricante do teste por não colocar sinais claros para dizer positivo ou negativo. Depois do positivo, ela derrapou e colocou textos antigos para o novo filho. Será que é a mesma coisa? Sei não...

Enfim, perceberam a estratégia? Não? Não falei que os mortais não percebem o que os intelectuais abalizados percebem? rsrsrsrsrs. É melhor eu abrir o leque aqui do blog porque, como não pretendo ter mais filhos mas pretendo continuar escrevendo, chegará a hora em que eles vão para de me sustentar rsrsrs.

Ou então, como muitos fazem, vou começar a falar dos significados da baba no bebê, ler o futuro na borra de cocô na fralda e, por fim, a interpretação do peido como forma de comunicação do intestino.

Ih, faltou o "ao quadrado". Não falta mais...

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Ei, você, seu alienado!

www.malvados.com.br

Amigo,

Se quando você saiu da maternidade não tinha nenhum paparazzi;

Se sua mulher não apareceu em nenhuma capa de revista dizendo que sua libido aumentou na gravidez;

Se ela não foi flagrada tirando meleca ou roendo a unha;

Se você não se separou três vezes nos nove meses;

Se até hoje o convite pra ilha de Caras ainda não chegou;

Se você não guarda a sete chaves o nome dos seus filhos;

Se você não sabia que a Céline Dion já foi mãe de Gêmeos;

Se sua mulher não começou a malhar três dias depois de parir;

Se você ao invés de babá, baba;

Se você não sabe a cor preferida da Fernanda Lima;

Se você não sabe o prato predileto da Giovanna Antonelli;

Se você não sabe que os gêmeos da Rosana Jatobá já nasceram;

Se sua mulher não fez um ensaio sensual com o barrigão de fora;

Se você nunca se lembra quem é a boa e quem é a má - Ruth ou Raquel;

Se sua mulher não entrou na lista de mais sexy, mesmo depois de dar a luz a gêmeos;

Se você bebe o leite caríssimo que sobra dos seus filhos pra não jogar fora;

Se você não comprou seu enxoval na Europa, mas no Riocentro;

Me faça um favor: não visite mais este blog nem fale mais comigo. Você deve ser pobre ou alienado, pior, os dois...

sábado, 7 de maio de 2011

Procura-se o Morfeu

Qualquer notícia, por favor, me avisem
Malandro, eu não sou o Jorge Aragão, mas ando querendo falar com você. Você tá sabendo alguma notícia do Morfeu? Pois é, meu camarada, o cara vinha aqui em casa todo dia e agora escafedeu-se. As vezes passava rapidinho de tardinha, depois do almoço,  mas de noite era batata! Podia contar que ele estava lá e só saía depois do sol raiar. Eventualmente ele também dava um olá no trabalho, dava só uma piscadinha, mas que já te ajudava a encarar o resto do dia. Pois é, rapá, já tô achando que o porblema dele é não gostar de bebês. Fui falar com outras pessoas de seu círculo de amizades e, ao que tudo indica, esta não é a primeira vez que ele some sem deixar rastros ou vestígios, só perdendo neste quesito para meu controle novinho da NET. Ou será que o Morfeu quando deu no pé levou o controle da NET? Será? Conspiração? Não, seria muita maldade pra uma pessoa só deixar o sujeito sem dormir e sem TV.

É, muchacho, la pestanita en lá madrugada foi para las cucuias. E aí eu tenho que confessar uma coisa pra vocês, só aqui entre nós. Tem duas coisas que me deixam doente, com instinto assassino e capaz de qualquer atrocidade: a fome e o sono. Amigo, eu com fome sou insuportável. Minha  irmã Creuza tem uma teoria que quando estamos com fome tem uma taxa de alguma substância no nosso organismo que abaixa e nos deixa neste mau-humor. Pronto, lembrei (mentira, fui no Google rsrsrs) Serotonina. Pior que isso, só quando eu estou com sono. Aí, rapaziada, eu sou o cão chupando manga. Fernandinho Beira-Mar vira um monge tibetano do meu lado. Juntando a fome com o sono, de madrugada, vocês já devem imaginar que não sou uma pessoa tão doce quanto vocês poderiam virtualmente supor. Uma coisa é saber o que deve ser feito. Outra, completamente diferente, é executá-la. E ainda tem um agravante familiar que pode me dar alguma guarita antes que vocês decidam me apedrejar em praça pública e me enterrar com um busto da minha mulher de lápide rsrsrs

Somos três irmãos e meu pai, já falecido, seguia um hábito que ainda hoje tem alguns adeptos para nos fazer dormir: nos botava no carro e ficava dando voltas até que chapássemos. Tudo muito bom, tudo muito bem, problema resolvido, mas não sem deixar sérias sequelas nos pimpolhos. Minha irmã, tadinha, a mais velha, quando entra no carro já dorme antes de baterem a porta. Quando o carro está cheio, apostamos em que segundo ela vai dormir e quatro é o número máximo de participantes. Ônibus a mesma coisa. Certa vez eu estava com ela, estávamos em pé, e ela dormiu! Sim meus caros, ela dormiu em pé segurando naquele ferro. Um senhor do lado vendo aquela cena surreal, achou que ela estava passando mal e ofereceu o lugar rsrsrsr. E o pior era quando pegávamos ônibus juntos. A única certeza era de que iríamos descer em algum ponto depois do que deveríamos. 

Eu quando vou sozinho, calculo o tempo e boto o celular pra despertar, é o jeito. Mas, vez por outra, acordo no ponto final , com o trocador me catucando: "amigo, tu precisa descer". Meu irmão, eu sou o caçula, é daqueles de dormir encostado no trio elétrico. Esse eu já peguei dormindo com a cara dentro do prato com comida que ele tinha acabado de tirar do freezer e, mais tarde, pelado no chão frio da cozinha sendo lambido pela falecida cadela de minha falecida avó Odete, a Kiki. (Kiki teve um fim triste, de tão velha ela não morreu, desmontou!!! É sério, ela desmontou e morreu). Em suma, já viram que nem tudo é culpa minha rsrsrs

E quando as crianças chegaram em casa, o não dormir era um dos principais problemas. E o pior é que o choro de um acorda o outro que levou duas horas pra dormir. Colocamos os berços em nosso quarto e ainda que eles dormissem a gente não dormia. Ficávamos bolados com estas histórias de "ih, menina, o bebê pode golfar, se engasgar e chegar ao óbito", partiu com o Raul. Aí tu não dorme, né camarada? Tudo tranquilo e você com aquele olho esbugalhado de novato na cadeia, pronto pra dar um duplo twist carpado ao sinal de qualquer golfada. E olha que os travesseiros anti-refluxo estão na cabeça deles, mesmo sem saber se eles têm refluxo! Toda hora você quer dar aquela conferida pra ver se não teve um refluxo ou coisa parecida. E são dois! E na TV te mandam colocar a criança pra cima, e no pediatra te mandam colocar a criança de lado, e os conhecidos te mandam colocar de barriga pra baixo, mas no seu colo pra aliviar a cólica, e os vizinhos te mandam colocar em qualquer lugar, desde que ele fique localizado a, no mínimo, 2km de distância do prédio.

Isso sem falar no risco de sufocamento. "Ih, menina, ele pode rolar e ficar sufocado". Mais uma neura, menos chances de dormir. E toma-lhe de espalhar aqueles rolinhos. Ih, mas com os rolinhos não dá pra ver as crianças estando deitado na cama! Traz o berço pra perto da cama pra poder ficar mais atento. Isso sem falar que o berço foi o único lugar em que eles não dormiam, só pra facilitar. Tínhamos que botar o bebê conforto dentro do berço pra conseguir algum sucesso e depois eles migraram direto pra cama, me banindo de meu leito por um bom tempo, até eu me aliar ao MOPAD (Movimento dos Pais Desalojados) e retomar meu latifúndio. E ainda tinha as mamadeiras, que chegaram depois da história da sonda que vocês já conhecem.

A mamadeira é coisa muuuuuuuuito simples, nada demais. São só seis por noite. Duas antes de dormir, duas 3 da manhã e as últimas junto com o canto do galo.  E não deixem de levar em consideração que isso pode variar e que os dois não acordam juntos pra mamar. E que a mamadeira não pode ficar pronta porque o complemento deve ser dado imediatamente. Ou seja, você deve acordar, pegar o leite em pó, pegar o Mucilon, colocar a medida certa dentro de um copo, mexer, rezar para acertar a mamadeira e dar de mamar. Se colocar os pós direto na mamadeira ela corre o risco de ficar cheia de caroço - o que pode entupir o bico e causar choro- e, cá entre nós, acertar a mamadeira com a colher e o pó nas condições em que você acorda é um tanto improvável. Deveria ser assim, mas a ausência do Morfeu mexeu demais comigo rsrsrs

Primeiro que eu não acordo tão facilmente. As crianças choram, acordam, minha mulher levanta, coloca os dois no peito pra acalmar e quando me vê estou dormindo com os anjos rsrsrs. Ela até hoje acha que faço de propósito, só pra não levantar rsrsrs. Eivada dos melhores sentimentos maternos, ela circula com o olhar as redondezas na procura de qualquer objeto que possa ser arremessado em minha direção e que possa me acordar, já que na época as crianças estavam dormindo em um colchão de casal no pé de nossa cama. Tomada pelo sentimento de ternura, ela varejava gentilmente travesseiros, pequenos brinquedos e, dependendo do meu comportamento durante o dia, um celular só caindo perto pra assustar. Já quando eles estão no peito e ela não tem uma mão que possa arremessar nada, ela, como que dando passos de balé, me chuta amorosamente, dando aqueles cutuquinhos com o pé e falando: "roger!, Ô roger!" rsrsrsrs

E muitas vezes eu, possuído pelo amor universal, acordava igual ao Cão, distribuindo "beijos" e "abraços" rsrsrs. É claro que eu sabia o que tinha que ser feito, que eram meus filhos e tudo mais, o problema era convencer meu corpo e meu cérebro disso. Por vezes eu tentava burlar a feitura das mamadeiras, colocando direto o pó lá pra facilitar, mas a danada sempre descobria e me obrigava a fazer o certo rsrsrs. O pior, meu caro, é que 99% dos absurdos que digo e faço de noite não ficam registrados na minha memória, é como se eu estivesse num estado de sonambulice. Então por vezes eu acordo cheio de amor pra dar e dou de cara com minha mulher com a peixeira nos dentes pronta pra abrir meu bucho a qualquer sinal de aproximação. Aí, meus amigos, vocês sabem bem, faço aquela cara de "amor, o que foi que aconteceu?" Aí o Vesúvio entra em erupção rsrsrs. E quando ela vai relatando e eu vou fazendo aquela cara de espanto (que ela lê como cinismo rsrsrs) a situação só vai piorando rsrsrs."Eu fiz isso??? Eu disse isso???" Mentira...

Foi então que eu fiz uma proposta pra ela: "amor, façamos assim: o que acontecer de madrugada não vale pro nosso relacionamento" rsrsrsrsr. Depois disso foi só correr e rezar pra ela errar ao lançar a peixeira rsrsrsrsrsrsrsrsrrsr. A última foi a mais engraçada. As crianças acordaram na alta madrugada e ela fez o procedimento padrão, me gritou e depois arremessou alguns objetos. Eu naquele estado meio letárgico só ouvia ao fundo, uma voz lá no horizonte: "roger, faz as mamadeiras.....roger, faz as mamadeiras..." como se fosse aquele "coooooompre baton, cooooooompre baton" e então comecei a fazê-las, só que estava dormindo! rsrsrs. E eu escutando aquela voz, fazendo as mamadeiras no sonho até que um objeto mais contundente me acerta e levanto puto da vida, gritando: "porra, as mamadeiras estão prontas!!!" Respiro, olho pro lado e me dou conta da situação, de mãos vazias rsrsrsr. Afino rapidamente a voz e digo: "desculpa maezinha, papai já vai fazer", sob o olhar fulminante de minha companheira...

Fica aqui meu reconhecimento público, diante de todos e todas, da paciência que esta mulher tem comigo,aturando meus impropérios na madrugada. Por vezes ela nem me acorda e faz a mamadeira com as crianças no peito, sabe-se lá como. Se não fosse ela a vaca já tinha ido pro brejo, pois este que vos fala não teria dado conta do recado. 

Bem, depois disso acho que me livrei do presente do dia das mãe srsrsrsrsrsrsrsrrsrsrsrssr

Já é uma economia. Ao quadrado rsrsrsrsrrs




sábado, 30 de abril de 2011

O primeiro mês a gente nunca esquece - parte 2

Pra você que tá chegando agora, antes de ler este texto é necessário dar uma olhada no post anterior. Isso aqui pode parecer novela mexicana mas, ainda assim, não basta ver um capítulo pra entender tudo o que aconteceu no mês. Aos que leram - e com certeza não conseguiram fazer mais nada das suas vidas aguardando a continuação rsrsr - o que se segue é uma contextualização dos acontecimentos na intenção de que a situação final possa ser digna de, ao menos, uma risada de canto de boca. Vou me esforçar pra isso. O peito rachado, como vocês vão ver, era só a ponta do iceberg. Peraí: peito? Ponta? Iceberg? Rachou? Maldito aquecimento global!


O Elixir dos deuses

Como já contei, as crianças tiveram a pega errada, que rachou o peito, que irritava as crianças porque ficavam com fome, que choravam, que deixavam a mãe desesperada, porque as crianças não mamavam, porque seu peito doía horrores, que desesperava o pai e que atormentava os avós. Mais tranquilo impossível. Numa situação dessas, você fica sujeito a qualquer tentativa, já que nada pode ficar pior. Acho que se naquele momento me mandassem passar a Maravilha Curativa do Dr. Humphreys (pra quem não conhece é um líquido que, resumindo, cura todas as doenças da letra de "O pulso ainda pulsa" dos Titãs, além também de curar mau-olhado, espinhela caída, frieira, bicho do pé, fimose e mau hálito entre todas as outras doenças existentes. Na verdade a medicina não faz muito sentido depois de sua invenção, não sei porque ainda existem médicos se formando...) no peito dela eu tava pronto pra executar esta tarefa. Com um espectro de atuação desses, um peito rachado seria pinto. Ops, acho que não ficou legal rsrsrs um peito rachado seria...mole. Ih, piorou... seria...simples, pronto.

Ainda que o peito estivesse no estaleiro, minha mulher se recusava a não oferecê-lo, numa dessas atitudes que só uma mãe tem a capacidade de ter. Imagina a culpa que ela carregaria em não oferecer o leite materno aos rebentos. Ainda assim, com dor e com pouco leite, as crianças não vinham se alimentando muito bem, o que fez com que não ganhassem peso no primeiro mês. E foi só aí que ela se convenceu de que era necessário que eles começassem a tomar o leite em pó de complemento (Similac no nosso caso). E aqui começa uma nova batalha: de um lado eu e meu sogro e do outro, ela e as, como eu gosto de chamar, defensoras da natureza.


Cadê minha mamadêla???

Aqui, meu amigo, eu comecei a me encrespar, encrespar nada, a ficar puto mesmo. Minha mulher começou a ler na internet e pegar informações com outras amigas e estava relutante em dar o complemento. Tudo que ela lia e escutava podia ser resumido desta forma: Belzebú foi alimentado com Nan e Satanás largou o peito porque começou com a mamadeira. As defensoras da natureza, ignorando nossa situação desesperadora e o peso das crianças, continuavam a bombardeá-la com a ideia de que qualquer leite que não o materno era prejudicial e que existiam indícios de que o Dath Vader foi pro lado negro da força por culpa de sua mãe, que não deu o peito. Meus amigos e amigas, é ÓBVIO que todos nós queríamos que eles mamassem somente no peito durante no mínimo os seis meses. Mas o que não podia ser ignorado era que o complemento não era uma opção, mas sim uma necessidade, que era descartada pelas conselheiras verdes. Isso me irritava profundamente já que este radicalismo estava prejudicando meus filhos.

Você é linda, seus filhos serão lindos e sua barriga
 vai voltar ao normal...
Algumas delas respondem pelo nome de doulas. É aquela mulher zen toda a vida, que curte florais, adora terapias alternativas, só toma homeopatia e tem o dom de dizer tudo o que uma mulher grávida com os hormônios enlouquecidos está louca pra escutar. Parceiro, vai por mim, se ouvir esse nome saindo da boca da sua mulher, corre sem olhar pra trás rsrsrs. Foi uma dessas, famosa por sinal, que disse pra minha esposa que ela não deveria dar complemento pras crianças de jeito nenhum, por nada nesse mundo. Só me resta então concluir que ela queria que as crianças perdessem cada vez mais peso e ficassem em uma situação ruim só porque ela achava que era contra as leis naturais, me poupe. O mais engraçado é que um dia desse fomos passear com as crianças no Museu da República e encontramos um amigão meu alemão, que conheci nos tempos em que moramos numa república em Niterói. Conversa vai, conversa vem e toquei no nome dela com ele, seus olhos se arregalaram: "você também conhecer esta mulher? Nossa, ela ser muita atraso" rsrsrs. Vejam bem, nada tenho contra as doulas, não estou generalizando mas, no meu caso, como se tratava de uma das mais famosas, fiquei horrorizado com sua incapacidade de entender o contexto e ser maleável nas suas convicções. Afinal, se seguíssimos suas orientações abalizadas, este blog poderia nem existir...

Nesse ínterim, diante do sofrimento geral, você vai acabar cedendo aos pedidos de sua mulher, no leito e lascada. Foi aí que concordei em chamar uma pessoa que iria lá em casa ajudar com o aleitamento, dar dicas e tudo mais, isso antes do Fernandes Figueira. Já viu, né, morri em R$ 100,00 nessa visita. Ela chegou, pegou as crianças, indicou a pega, disse umas palavras tranquilizadoras e deu uma dica que acabaria com qualquer possibilidade de um simples cochilo durante as noites seguintes. Como a mamadeira era coisa do tinhoso e faria as crianças abandonarem o peito, dorme com um barulho desses, elas deviam se alimentar através de uma sonda, nº6, nunca mais me esqueço. Olha que coisa formidável.

Era assim: você pegava um potinho pequeno e colocava o leite. Depois pegava essa sonda e com o auxílio de um pedaço pequeno de esparadrapo, colava no seu dedinho mindinho, que ia fazer o papel de bico do peito. Botava na boca da criança e ela mamava, sem o risco de jogar o peito pra escanteio. Você tá aí pensando: "ué, Cappelli, qual o problema disso?" Presta atenção, vocês não estão atentando para a funcionalidade disso. Primeiro que se uma mão sua está ocupada porque a criança está mamando no seu dedinho e a outra está ocupada segurando o potinho que está com o leite, quem está segurando a criança??? Ou seja, precisa de mais um. E aquela sonda dando mole, eles metem a mão, arrancam do seu dedinho, o pote vira, a sonda sai do pote, sai do dedo... mermão, cada vez era um suplício. Isso sem contar com a madrugada. Você com a vista tomada pela remela, doente de sono, tendo que acordar, pegar a sonda, colar no dedinho... era mais fácil eu chorar do que as crianças. O que me deixava mais louco é que uma simples mamadeira resolveria tudo...

E esse leite do potinho era alternado, ora materno ora complemento. Calma, acabo de perceber que estamos chegando na parte em que vocês vão conhecer a história do Fernandes Figueira. Tendo em vista que o leite materno era escasso no peito (eu e meu sogro maldosamente ficávamos falando que o peito era só uma salada, que o complemento que era o feijão com arroz rsrsrs) ficava comigo a incumbência de fazer a ordenha para oferecer na sonda. Amigo, eu apertava e apertava e apertava e fazia os movimentos circulares e apertava e quando já estava com os dedos dormentes, com sorte, tinha saído uns 30 ml rsrsrs. Aí tu imagina como nos sentíamos quando o potinho com este leite virava na hora de mamar rsrsrs. Cada esguicho que caía fora do pote era seguido de um "aaaaaaahhhhhhh que pena". Não sei o motivo mas quando eu apertava tinha vezes que saía leite em umas três direções diferentes, sendo impossível aproveitar tudo. Eu passava horas pra conseguir esta quantidade e cada ml era uma conquista.

Minha mulher ficava muito triste com isso, ela queria jorrar leite. Depois de algumas idas ao pediatra e das crianças não terem ganhado peso ela se rendeu. Depois, com o passar do tempo, aceitou a mamadeira também, fase em que eles ganharam peso rapidamente e, PASMEM!, continuam no peito até hoje. Eu estava livre da sonda, as crianças choravam menos porque estavam com menos fome e toda a logística tinha sido facilitada. As coisas começavam a entrar nos eixos. Bem, tô me perdendo, vamos ao caso.

Como vocês viram, o trabalho da ordenha era brabo. Horas e horas por míseros mililitros. Quando chegamos no Fernandes Figueira, ficamos na sala de espera já que tinha uma pessoa sendo atendida. Estamos escutando as orientações e ganhamos até potinhos que são adequados para armazenar o leite, são aqueles vidros compridos de nescafé, tipo aquilo. Enquanto olhávamos aquele pote sonhando em um dia transbordá-lo, com minha mulher se culpando por não ter muito leite, triste e frágil, sai uma menina de uns 50kg de dentro da salinha, que tinha entrado uns cinco minutos antes, com quatro potes daqueles cheios debaixo do braço rsrsrsrsrsrsr. Aquilo foi fatal e minha mulher foi aos prantos imediatamente, enquanto eu e meu sogro ríamos e a abraçávamos sem parar diante da cara dela de "noooooooooossa quanto leite buááááá rsrsrsrsr" Lá funciona também o banco de leite e a menina estava fazendo sua doação bem na hora rsrsrs.

Apesar disso saímos de lá bem felizes e confiantes de que tudo daria certo. Ao quadrado, é claro.