quinta-feira, 10 de abril de 2014

Segue teu rumo



São inúmeras as referências que podemos usar para cuidar e educar nossos filhos. Existem livros, vídeos, especialistas, pesquisas que produzem todo o tipo de informação possível, com um simples objetivo: te desorientar. Sim, minha querida, porque você desorientada fica insegura e quando estamos nesse estado de espírito ficamos mais vulneráveis às opiniões alheias, ou seja, maior consumo de artigos que lhe ofereçam ao menos a sensação de que, se não está fazendo certo – como eles dizem que deve ser – ao menos está tentando dentro do que existe de mais moderno em assuntos psicossociais - infantis.
E nós, em primeira viajem e logo com dois de cara, fomos em busca desses livros, das referências, do como é que se faz para criar a melhor condição possível dentro do lar. Você lê, lê, lê e, depois que tenta colocar em prática, percebe que aquele desgraçado nunca deve ter tido filhos ou pior, se teve, não devem se falar há anos por conta dos traumas juvenis. Aí você se pergunta: Quem lavava a roupa? Quem faxinava a casa? Quem trabalhava? Quem passava roupa? Quem ia ao mercado? Quem???
A teoria é linda, os desenhos bem acabados, as receitas perfeitas e o passo a passo fenomenal. Tentamos de tudo e nada dava certo e aí vem o receio: somos nós que não interpretamos direito ou os autores são estrangeiros que escrevem o roteiro da Supernany? Falhamos na aplicação das regras ou não tivemos tempo pra ler as notas de pé de página? Fracassamos como pais ou aquele monte de informações são inúteis no contexto em que nos encontramos?
Fica claro que existem modelos que podem ser seguidos, um mais rígido, europeu, outro mais confuso, americano – vide as tragédias nos colégios – e o nosso. E quando digo nosso, digo cada casa, cada família, cada filho. Um filho extremamente obediente na infância pode se tornar submisso. Se for malcriado, pode se tornar um fora da lei. Se for isso, pode se tornar aquilo e aquilo outro. Tudo pode, nada é certo e é preciso saber conviver com isso. Você colabora mas em algum momento as decisões serão autônomas e suas opiniões apenas conselhos. O importante é ter convicção, a certeza de que o modelo utilizado foi aquele possível dentro de suas capacidades e situação e que esse sempre será o melhor caminho. É claro que estamos deixando de lado casos sinistros, de maus tratos, abandonos e etc. Estamos falando das pessoas de bem, que na sua loucura diária encontram tempo para pensar sobre isso e oferecer o que de melhor pode ser oferecido.
Esse é o ideal, é esse esforço que será levado em consideração por seus filho no futuro, quando todos estiverem rindo do que fizeram ou deixaram de fazer quando criança. O valor está contido no esforço, na conduta de vida, nos princípios, na vontade de acertar dentro do que você considera o correto. O resto é apenas opinião dos outros...

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Você é psicomotricizada?

Minhas amigas, cá estou. De tempos em tempos precisamos nos afastar do que fazemos pra que a obviedade do cotidiano não nos torne meros repetidores de opiniões alheias. Se a Glória Maria teve seu período sabático pra cuidar de suas duas crias, porque não eu? A única diferença é que enquanto ela foi pelo mundo dourando sua pele negra eu fui no máximo ao Peró, em Cabo Frio, disputar um lote de areia com os funkeiros/sertanejos.

Quando acho que estou começando a ficar chato dou uma sumida. Quando vejo que os assuntos são repetitivos e nada de novo - ou engraçado - é acrescentado dou uma desanimada. Junte-se a isso uma guinada na quantidade de trabalho e está feito o quadro de abandono do blog. Mas aí, vejo um comentário  da Kátia dizendo que - deve ser efeito do tarja preta - gostava de ler os devaneios aqui escritos. Tá bom, vamo lá, voltemos então logo com uma polêmica. Não é assim que se fica na vitrine? rsrs

Lendo ontem o Globo, vi na coluna do Ancelmo Góis que um colégio estava oferecendo "atividade lúdica de psicomotricidade com desenvolvimento de habilidades aquáticas". Minhas queridas, não se enganem, estamos falando de um banho de mangueira! Outro dia vi também um importantíssimo estudo sobre o sexo que analisava as "vocalizações copulatórias" dos parceiros. Tradução: gemidos. E por aí vai.Não é de hoje que se pretende dourar a pílula pra que ela passe a ter uma roupagem que a faça valer mais. E o cara que tira xerox vira operador de fotocópia e ao tirar uma meleca você pode dizer que está fazendo uma limpeza aguda de impurezas profundas, principalmente se no ato, quando você for buscar lá no fundo, a gengiva aparecer. Tá, é coisa de homem, já sei, vou parar. 

E o mundo dos pequenos está cheio disso. Desde sempre minha mulher tem uma tara pela palavra psicomotricidade. Ela lê chega arregalar os olhos, fica ofegante, "nossa, meus filhos precisam disso, eu quero, eu quero", dá até medo.  E o mercado que não é bobo nem nada sacou que essa era a palavra da moda, um desejo dos pais em oferecer algo diferenciado aos seus filhos e na onda do processo criar "especialistas" que executem a tarefa de forma adequada. Segundo um deles "A psicomotricidade é a capacidade psíquica de realizar movimentos. Não se trata da realização do movimento propriamente dito, mas a atividade psíquica que transforma a imagem para a ação em estímulos para os procedimentos musculares adequados."

Aí fiquei na dúvida: o que não é psicomotricidade? Algo no desenvolvimento da história da humanidade escapa desta definição? Existe algum ato que não é imaginado antes de ser executado? (Claro que existe, mas acho melhor que eles fiquem bem guardados onde estão, né não? rs). Enfim: qualquer coisa que você faça, execute, chute, cuspa, arremesse é uma atividade de psicomotricidade. Vejam bem, longe de mim querer ser um detrator da causa, mas que me soa muito estranho, soa. Seria algo como criar, agora, o sistema de respiração complexa. Nele, a criança vai desenvolver a capacidade de respirar usando todos os órgão necessários para que esta função seja bem desempenhada e ela tenha uma vida plena. É importante? É. Se você não soubesse disso sua vida teria mudado ou a criança teria parado de respirar?

Se seu filho pula, canta, dança, te deixa maluca, cai, corre, bebe shampoo, desenha na parede (aqui cuidado: ele precisa desenvolver sua psicomotricidade pra superar esta fase de pinturas rupestres do Neanderthal. Muitos homens tentam até hoje, melhor resolver no berço.) ele é psicomotrizado.  Sempre botei pilha em minha mulher falando que a melhor aula de psicomotricidade é espalhar o lego pelo chão, insuperável. 

A minha implicância é com o "surgimento" de uma nova especialidade que, na verdade, nasceu junto com o primeiro homem ou mulher. Mas em um mundo em que tudo precisa ser reinventado pra poder ser vendido novamente, nada me assusta. Principalmente de coisas que não precisamos. E é disso que precisamos nos libertar.


quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Sucessão surREAL

Não consigo não pensar nessa parada de sucessão do trono inglês se a Kate estiver grávida de gêmeos. Se for um casal, prioridade pro homem, só lamento. Se quiserem façam uma passeata feminista com camisetas da Simone de Beauvoir denunciando o preconceito da realeza, tirem a bateria do Big Ben ou falem mal dos Beatles, sei lá. Só cuidado com aqueles guardas estátuas, gente muito quieta é sempre a mais propícia a atos inimagináveis. 

Agora, se forem duas meninas ou dois meninos o trono é daquele que primeiro repousar nos travesseiros felpudos e aconchegantes da nobreza. Será daquele que primeiro gritar: "iniciem já o processo de aspiração, meus servos"! Isso levando-se em consideração um parto normal.

Mas se o parto for feito através de uma cesariana, aí meu cumpadi, o bagulho é mais sério. A pessoa responsável por escolher o futuro Rei ou Rainha  do chá das cinco será o obstetra. Sim, é claro, ele que vai decidir quem entrará na linha de sucessão e nos livros de história.

Vocês vejam, meus filhos nasceram com uma diferença de 45 segundos, ou seja, este é o tempo que pode separar um Rei ou uma Rainha de um simples membro da nobreza. É algo como falar pro Tiririca que se ele tivesse nascido 45 segundos antes ele seria o Brad Pitt ou o Paulo Zulu. E não me venham com esse papinho de "huuuuuuuuuuuuuuuum ele usou exemplo de homens, sei não...". Se meu público é de mulheres é pra elas que tenho que jogar. Até porque se eu boto aqui uma comparação feminina, ficaria "é como falar pra Dilma que com menos 45 segundos ela seria a Fernanda Lima" e todo mundo sabe que ela preferia ter nascido Lula.

Migas, já imaginaram os problemas existenciais que isso causará caso sejam de fato gêmeos? Um vira pro outro de diz "Eu nunca vou te perdoar por ter puxado meu cordão umbilical. Eu que deveria ser o Rei" ou então uma vira pra outra e diz "Quem mandou ser boba e acreditar que tinha um tubarão atrás de você? Agora beije minha mão".

Já imagino os tablóides sensacionalistas ingleses noticiando a depressão do segundo colocado e sua luta por justiça. Na capa: "Ele comprou o obstetra" denunciando um esquema revelado pelo grampo autorizado pela justiça do estetoscópio e por cópias das filmagens de ultrassonografia feitas dois meses antes do nascimento, quando é possível ver o irmão negociando em linguagem de sinais a "contrapartida" no caso dele sair primeiro. "Eu já estava com a cabeça encaixada, como você explica?" Com ironia seu irmão responde "Deixa ele ter seus 45 segundos de fama". 

No caso da menina, o caso seria mais terrível, mais venenoso. Na capa "Irmã de Rainha afirma: ela tem micose no dedão"! A Rainha, soprando as trombetas da ironia, devolve: "Vascaína é assim mesmo, não suporta ser vice". 

Imagina você como mãe ou pai, ter dois filhos idênticos, sendo que um será o Rei ou a Rainha e o/a outro/a não? É diferente de quando eles têm idades diferentes, ô se é. Imagina quando entrarem na fase do porquê? 

 - Papai ele é tão malvado, promíscuo, degenerado e, ainda por cima ateu. Eu sou temente ao Senhor, virgem, um paladino do pudor e a representação do bem.

- Nascesse 45 segundos antes, meu filho. Agora se cale, aceite e vá tomar seu chá. Além do mais, pare com esta besteira. Não somos do terceiro mundo, aqui o segundo lugar vale alguma coisa. Quando eu voltar da final do Rugby em que seu irmão dará o pontapé inicial conversamos.

No caso da Rainha:

- Mamãe, ela nasceu primeiro, mas você gosta mais de mim, não é?

- Veja pelo lado bom, minha filha, você poderá levar a vida que quiser, dar, quer dizer, namorar quem quiser, ter perfil no face e, melhor, tudo isso usufruindo do Staff de uma Rainha sem precisar ser. Agora vá arrumar seu quarto que eu vou em uma baile com sua irmã no palácio de Buckingham. Fica olhando lá no face que vou postar fotos online pelo Iphone. Viu como eu te amo muito mais?

Que é meio bizarro é. Era melhor esperar que nascessem e, após estarem bem, jogar uma moeda. Cara ou Coroa.

Pooooooooooooooooooooooooooorra, deve ser por isso que as moedas tem este símbolos!

Gênio. Apesar de ter sido o último dos três.







quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Fala, Noel!

Senhores e senhoras do conselho, sabem que todo ano abro espaço aqui pro coelhinho e pro Papai Noel se manifestarem. Segue então, sem delongas, a carta que recebi, reproduzida na íntegra. É o mínimo que posso fazer por quem recebe milhares delas.


Fala, Cappelli!

E as crias, tudo tranquilo? Fica sossegado que independente do comportamento deles o pedido tá garantido, tu é parceiro e não ia fazer isso contigo. Se eles não estiverem merecendo depois você ajeita aí a situação, sei lá, fala que como aqui é muito frio eu acabo exagerando na vodka e trocando endereços e nomes, que tenho alguns elfos insatisfeitos com as condições de trabalho que me boicotam, que minha lista do Excel deu pau, em suma, faz o que você mais gosta: inventa. 

Só não pega pesado, tipo "Papai Noel foi preso por abusar de uma rena e agora o serviço é terceirizado, o que comprometeu sua eficiência" ou "Papai Noel caiu na malha fina da polícia federal na Operação meia rasgada, em que ele não declarava os presentes enviados aos que não se comportavam". Aí é esculacho.

Sabe como é: abuso sexual de animais e desvio de dinheiro é capa da Veja na certa! E vermelho como sou vão pegar pesado, muito pesado, se bobear colocam uma foto minha tomando uma branquinha com o Lula de trenó sobre São Bernardo. Título: "Presente é com eles". Saiba como o presidente Lula pretendia acabar com o Natal trocando os presentes por cargos comissionados.

Enfim, sabe como são essas coisas. No mais queria mesmo era pegar algumas informações contigo. Passou um cara aqui oferecendo blindagem, falando que eu deveria transformar meu veículo num Caveirão de Natal, porque corro o risco de ter alguns presentes danificados na entrega. Aí tu já viu, né camarada, devolver presente meu é prato cheio pro PROCON. Imagina se eu tiver que reparar ou trocar os pedidos? Aí, amizade, o Natal só acaba na Páscoa e o coelhinho, que é parceiro, vai ficar bolado comigo, com toda razão. Me falaram também pra negociar um cessar-fogo antes de passar por São Paulo. Só não sei se ligo pra penitenciária ou pro palácio dos bandeirantes, vê pra mim isso aí. Fico no aguardo.

Cappelli, tu é meu irmão, meu amigo, meu camarada, de ti só espero escutar a verdade. Pega mal eu continuar aparecendo por aí com essa minha pança indigesta? Tô preocupado, mó campanha contra criança obesa, que obesidade mata, que é mórbida, que causa Bullying (é assim que se escreve?) que dá pressão alta, que impede de ver o bilau etc,etc,etc. É verdade que o Rei Momo também já não é mais gordo? Que o Faustão emagreceu? Serei eu um péssimo exemplo pras crianças? Sei lá, como vocês aí explicam esse meu barrigão? "Filho, é que Papai Noel só trabalha no final do ano, quando começam a chegar as cartas. Antes disso ele fica só comendo porcaria." Na boa, tô com vontade de lançar um Na medida certa igual ao Ronaldo Fofômeno. Mas eu prometo ir. O que achas?

Pra acabar, uma última coisa. É verdade que rola uma onda aí em defesa dos animais, que pega mal usá-los ou mesmo criá-los em cativeiro? É que tô aqui imaginando as crianças olhando pro céu. "Mãe, esse é aquele velhinho que coça o saco o ano inteiro pra enchê-lo no final, que come porcaria enquanto as cartas não chegam, que vive bêbado de tanta vodka e que, ainda por cima, vive dando chicotadas naquelas pobres renas porque ele não quer chegar atrasado? É ele, mamãe?" Sei lá, tu acha que substituindo por humanos, igual fez o Cirque du Soleil e o Paulo Barros na Unidos da Tijuca eles me achariam mais antenado e consciente? Vê pra mim aí, faz uma enquete com seus amigos mais próximos. Qualquer coisa me avisa que tem uns caras aqui que precisam prestar pena alternativa e o promotor é meu camarada. Sabe como é, Lapônia, lugar pequeno, todo mundo se conhece e conhece o podre dos outros.

Irmão, fico no aguardo. De acordo com que voce responder me organizo aqui.

Parabéns pelo Tetra, vocês mereceram. Vi aqui pela SKY.

Ho, pra você.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Vou me separar

Como já dizia o poetinha, todo amor um dia chega ao fim. O importante é ter sido eterno enquanto durou.

Me lembro de tenra idade, de meus olhares maliciosos, de meu desejo contido.

Eu te olhando de longe, te querendo comigo, salivando.

Meus pais ressabiados, prevendo o perigo de nossa relação.

E eu querendo te ter, te provar, sentir seu sabor.

Crescemos juntos, lado a lado, e sempre me tranquilizava saber que a qualquer momento você poderia me saciar.

Te vi nascer, te acompanhei. Te vi mudar de cor, de sabor, de recheio, de formato.

Virei especialista em ti. Ao primeiro contato já sabia que algo estava estranho, que tinha mudado.

Por dentro surgia uma nova essência. Por fora mais madura, dura.

A influência do minimalismo te fez mais contido, menos é mais.

E ainda assim, mesmo sem guardar resquícios do que era antes, te carregavas comigo ao lado direito, dentro de mim.

Era devoção, incapacidade de abandonar, ingratidão impensável.

Mas aí vieram as más línguas.

Impiedosas, venenosas, malignas, inquietas diante da felicidade alheia.

Te colocaram defeitos, me mostraram sua composição, seus princípios ativos.

Mas quem não os tem??? Respondia resignado.

Mas de nada adiantou. "É isso que você quer ensinar aos seus filhos? É isso que quer que eles carreguem dentro de si?"

Jogo sujo, golpe baixo, sacanagem.

Com ele eu cresci, chorei, sorri.

E agora devo me despedir, forçosamente, contrariadamente.

A sociedade está saturada, a gordura é saturada e me parece que esta é a vilã da hora.

E eu, saturado por tanto tempo ao seu lado, agora me despeço.

Mande lembranças pra gordura trans e pro bisfenol. Eles também me fizeram muito feliz.

Um beijo, Bono.

Vá, você está livre de mim.


Cappelli.




sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Cocô é um real

Minhas amigas, é com grande satisfação que venho hoje aqui dar meu testemunho após a libertação alcançada. E aqui, através deste púlpito cibernético afirmo que alcancei a graça desejada por muitos de nós. Fui abençoado, iluminado, logo eu que nem mereço tanto, que já taquei ovo na rua, que já botei bomba em caixa de correio e que já...essa não, deixa pra lá. É como está escrito em  Apocalipse, capítulo 4, versículo 3, CEP 20589-000 -  Vila Isabel - Brasil, Planeta Terra: " O destino do cocô é morar junto com o Aligator, e não repousar em tripla proteção".

Sim, minhas amigas, as crianças estão fazendo cocô no vaso. Elas já não usam fralda há algum tempo, mas na hora do número dois, de cortar o rabo do macaco, de tirar a moréia da toca, não tinha jeito: "quero botá a fralda pra fazê cocôôôôôôô". E por uma dessa ironias malucas do mundo gemelar, bastava um pedir que o outro embarcava na hora, queria a fralda também. Não tá entendendo? Isso, isso mesmo, só faziam cocô juntos. Juntos e num cantinho, da sala, do quarto, enfim, sempre num cantinho e ai se tivesse algo atrapalhando, uma cadeira ou brinquedo, voava na hora.

Certa vez Thomaz estava já agachadinho lá no seu cantinho, na pressão, e Sophia andava saracoteando pela sala. Inconformado com ma cena e sentindo a solidão, ele gritou: "Sophiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiia, vem pra gente fazer nosso cocozinho, vem" kkkkkkkkkkkkkkkkkk. Bizarro, né não? Ainda mais se você estiver almoçando ou comendo algo, pois o futum ao quadrado é coisa linda. E pra finalizar eles, normalmente quando acordam (dormem de fralda), já dão uma barrigada sinistra. Ela, pra provar que me ama de verdade, faz questão que eu limpe, uma tara macabra, um juramento de vidas passadas, sei lá. Ninguém chega perto: "É o Papai que limpa, é o papai que limpa". E aí você, com o olho cheio de remela e a alma cheia de sono, vai na missão, pra acordar com a mão direita.

Mas eu não tenho do que reclamar, como disse estou feliz. Cada cocô era 1 real, já que a fralda usada é a Soft Touch Plus Ultra Mega com 17 camadas de proteção e sistema de drenagem aprovado pelo INMETRO. Seu custo? No mínimo R$16.00, com muuuuuita sorte em uma mega promoção. Só essa da Mônica tem o tamanho XXG que cabe neles, as outras ou não cabem ou não existem pra vender aqui. Um pacote de 16 durava, com sorte, 3 dias: barrigada de manhã, de tarde e fralda pra dormir. Isso quando não ocorria um pit stop na madruga.Não tinha aquele "cada mergulho um flash?" Pra mim era "cada cocô R$1 real"

Fico imaginando a cara dos vizinhos diante de nosso estímulo ao cocô no vaso: "nooooooooooooooooooooooooossa, que co co zão gigante! Muiiiiiito bem, olha que minhocão, parabéééns" "Vem, vamos dar tchau: tchaaaaaau cocôôôôôô." E no prédio tem aquele vão no centro, que fa ecoar as intimidades e amplifica o som. E a janela do banheiro dá de frente pra este vão. Já tô preparado pra entrar no elevador e escutar "E aí? Êta cocô danado, hein? "

E esse vão é danado. Na casa de um amigo meu tinha um desses e certo dia, num momento de silêncio, ecoa por ele: "assim não, paizinho, malvado, ai paizinho, ai, ai kkkkkkkkkkk. Minha vizinha debaixo vai pra janela que fica nele pra falar no celular. Ela no primeiro e no 5º se escuta com perfeição, até mais amplificado. Enfim, isso já é assunto pra Márcia Goldsmmith...

abs!


quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Sem filhos por opção


Bem, vocês sabem, eu devia estar estudando, blá blá blá, mas a vontade de escrever prevalece, fazer o quê? Pela manhã, vindo para o trabalho (sim, cá estou) na minha Mercedes com motorista que cabem 44 pessoas sentadas e 124 em pé, estava escutando como faço todo dia a Band News, porque me amarro no Boechat e é uma boa forma de se manter por dentro e aproveitar o tempo ocioso no translado. Hoje foram entrevistados os autores do livro "Sem filhos por opção" que, é óbvio, tratam do tema mostrando como ainda hoje a família que não tem filhos é vista com desconfiança, principalmente se a opção por esta escolha for da mulher. "Nossa, vocês são casados e não tem filhos? Ela tem problema? Ele é broxa, quer dizer, tem disfunção erétil? Ou o leite é ralo, quer dizer, seu sêmen apresenta baixa contagem de espermatozóides sadios?" são algumas das perguntas normais que surgem nestas situações. Além disso, uma dose de pressão familiar, dos pais querendo ser avós, dos irmãos querendo ser tios, do dono da loja de brinquedos querendo aumentar os lucros. Se for filha única então, arrisca colocar um ponto final na continuidade do sobrenome e meter um machado na árvore genealógica. Dá pra ficar bolado, dá não? rsrsrsr

Enfim, conversa vai, conversa vem, eles falam os prós e contras, explicam os motivos da sua opção, o motivo desta escolha, piriri, pororó, coisas que vocês devem imaginar muito bem, afinal, ao menos uma vez já argumentamos sobre isso com alguém próximo que não tem filhos ou que sabemos não querer. O que me chamou mais a atenção foram os termos utilizados por eles e a forma como o tema era tratado. Vejam bem, não li o livro, estou falando de orelhada, vou até comprar pra minha irmã Bibi caveirão que fez esta opção mas se deu bem porque supri sua falta logo com dois de cara rsrsrs. Pode ser até que esteja cometendo uma injustiça, mas duvido muito que o que vou falar esteja lá dentro, ao menos dessa forma.

Eles falaram muito de projetos, pessoais, individuais, de vida. Que eles tem muitos projetos e que um filho, pra que fosse educado e amado com qualidade, necessitaria de um tempo que eles não dispõem no momento, tempo e dinheiro. E nem por isso eles deixam de gostar de crianças, são professores e ajudam adolescentes em diferentes esferas que não a paterna/materna. Opção, simples assim, nada a ver com egoísmo e outras besteiras mais, opção e ponto. Bibi caveirão não é mãe, nunca vai ser, mas despende todo seu tempo em ajudar os outros como assistente social, principalmente os mais desfavorecidos. Não existe ligação nenhuma entre os dois fatos, não é que não gostem de crianças, é simplesmente uma expressão, um reconhecimento de que "eu não nasci pra isto". Gosto de crianças, acho legal o amor familiar, seus laços, enlaces e brigas, mas não é a minha. Vou colaborar com o mundo de outra forma que não procriando, sei lá, cuidando das crianças dos que procriaram e as largaram no mundo. Mas o que me chamou a atenção mesmo, que me fez pensar, foi uma alteração fundamental na nossa sociedade, que de tão comum já hoje parece banal: viramos, todos nós, um projeto.

Eles a todo momento falavam que tinham seus projetos sociais, que filho é um projeto, que projeto isso, projeto aquilo. O filho hoje é uma conta matemática: de quanto você vai gastar, de quanto tempo ele vai te tomar, de quantas viagens ele vai te privar, de quantos livros ele vai te afastar e etc. Vejam bem que o argumento é sutil e, se não entendê-lo, corre-se o risco de interpretá-lo de uma forma enviesada e perigosa. Não estou tomando partido, quero simplesmente mostrar uma mudança. 

As famílias eram numerosas antigamente por alguns fatores. Dentre eles podemos destacar os enlaces entre famílias que geravam herdeiros, reis, rainhas. A dinastia, fundamental para se entender capítulos e milênios da história, é um bom exemplo. Não é a perpetuação da espécie em si, mas a perpetuação de um modelo de família, de ideias, de formas de se comportar, de narrativa, de história sem fim. Projeto, meus caros, tem dia e hora pra acabar. Eles criam vínculos temporários e não oferecem aos que vivem deles uma narrativa de vida, um sentimento de retiliniedade da sua história, estão sempre recomeçando do zero, do nada, e o que fizeram antes é descartável, pois agora o projeto é outro. Um filho tratado como projeto, e não me canso de apontar a sutileza da argumentação para que não me acusem de estar detonando os que fizeram esta opção, não é um filho em si, na acepção da sua concepção, pois dele nasce justamente o contrário: elos duradouros, história contínua e necessidade de se manter no curso de uma trajetória, com responsabilidades que não podem ser negadas ao seu bel prazer tipo "porra, me deu na telha: partiu pra...". (caraca, esse parágrafo foi escrito em apneia, tava quase morrendo antes do ponto final rsrs).

O filho era, novamente como nos mostra a história, a perpetuação da profissão, da família de padeiros, de médicos, de professores, enfim, um elo que tornava indissociável o nome do labor. Os filhos vinham como ajudantes, pra colaborar na oficina, pra arrumar mais algum. É claro que ainda hoje temos este tipo de demanda e que ainda temos casos concretos com estes exemplos. A diferença, ali escondida no detalhe, é que antes, lá atrás, a prosperidade, a felicidade, o sucesso, o êxtase só fazia sentido na coletividade, sendo a família seu eixo central, sua base. O “é impossível ser feliz sozinho” de Vinícius lá nem se discutia, porque só discutimos aquilo que duvidamos. Não que não fosse, mas seu sentido só ganhava a amplitude esperada se fosse uma conquista em conjunto, de todos. Hoje, meus amigos, na era da individualidade, do meu projeto, das minhas prioridades e do meu rabo e umbigo, é claro que isso se altera de forma dramática. 

Por mais que queiram e apontem os motivos, um filho nunca, eu disse nunca será um projeto, está muito longe de ser. E não porque tenha algo contra os projetos, nada disso, mas apenas porque creio no fato de que nós escolhemos os projetos enquanto que os filhos que nos escolhem pra viver. Dentre tantas possibilidades, com tantos lares e lugares pra eles pousarem, escolhem justamente o seu, sua casa, seu país, seu planeta. O projeto, quando acaba, você busca logo outro. O filho, quando acaba, acabamos junto. Sabemos o dia que vamos nos separar do projeto, tá no contrato, mas nunca saberemos quando nossos filhos, mesmo depois de partirem, vão voltar novamente e precisar do nosso abrigo. 

Pra terminar, de verdade, só uma similaridade: precisamos de ambos pra viver, ao menos os que nesta opção se enquadram.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Esse tal do consumismo

Pois é, eu devia estar estudando agora direito processual do trabalho mas vocês teimam em me perturbar. E logo agora que tenho que redobrar todos os esforços, pois ontem chegou aquele envelope maravilhoso da creche, falando da nova mensalidade de 2013, da taxa de reserva de vaga, da compra da agenda, da taxa de material, coisa pouca vezes dois. Maldita hora que não aderi à (des)escolarização da Anne! Aliás, sei não, ando meio desconfiado. Ela escreve textos grandes e bem elaborados, com conteúdo, os filhos não vão pra escola, ou seja, ficam com ela, ela aderiu também ao movimento sem babá/empregada, o que pede mais tempo pra arrumar a casa. Isso sem falar o tempo de fazer a comida e dar banho. Não vou falar porque ainda não tenho provas, mas tenho certeza absoluta que tem algo estranho no ar. Pra mim, na boa, ela cria dois tamagotchis. Quando eu conseguir as fotos entrego lá no Divino e acabo com essa farsa. Tamo junto, Rita!

Dei uma zapeada aqui pelos textos e vi que o tal cartaz do dia livre do consumismo ganhou espaço com a chegada do dia das crianças. Eu, como bom Rodrigueano, sempre desconfio do que é unânime. A princípio eu discordo sem saber porque, mas com o objetivo fundamental de fazer com que todos que pensam da mesma forma se questionem e encontrem os motivos que os levaram até esta posição já que, com certeza, muitos deles não sabem. É o que chamo de argumento Xicó, do Auto da Compadecida: "Não sei, só sei que foi assim." Depois posso até concordar, sem problemas, mas que cada um saiba fundamentar e argumentar em defesa própria e não surfando nos argumentos alheios. Hora de confundir.

Primeiro, minhas amigas, o presente não é invenção do Tio Sam e muito menos fruto de uma sociedade consumista, capitalista. O presente existe desde que o mundo é mundo, mesmo antes da espécie humana começar a destruí-lo. Nem mesmo sua conotação de agrado, de troca, se modificou. Dar um presente não te faz um consumidor de imediato, ainda que você gaste algum dinheiro com ele. O que hoje pra você é valorado como dinheiro era, proporcionalmente, o esforço feito pelo caboclo pra caçar o papagaio e fazer um belo cocar pra sua esposa. A diferença é que o fruto do trabalho dele é direto e prático, enquanto que o fruto do seu trabalho é mediado pela troca de um papel com valor acordado socialmente. Enquanto o cacique vê o resultado do seu trabalho nós, desapropriados dos meios de produção, chegamos ao objeto desejado de forma indireta. No entanto, não se enganem: ambos os presentes são, antes de tudo, representação de um esforço para agradar alguém, uma vontade de transformar a batalha diária em bandeira branca, de ver que apesar de tudo, é possível extrair da exploração momentos inesquecíveis.

É claro que você pode dar um presente sem gastar um real, os sovinas também são de Deus rsrsrs, passar o dia junto, promover atividades lúdicas, coisa e tal, óbvio que isso é importante, mas eu nunca me esquecerei do dia que ganhei minha primeira bicicleta, minha primeira vara de pescar e, principalmente, meu Papa Tudo Trapalhão, que tinha Dedé, Mussum, Zacarias e Didi com mãozinhas pra engolir bolinhas que ficavam pululando em uma arena na frente. Cada criança controlava um personagem e era muito maneiro. E vou poupar vocês do surto quando ganhei o Atari. O que quero mostrar é que uma coisa não é incompatível com a outra, que elas podem conviver bem dentro de certa medida. Tenho uma implicância danada com extremismos porque, agindo dessa forma, você acaba demonizando o outro e, o que é mais perigoso, os outros, causando em muitos até uma certa arrogância ao olhar pro lado e dizer "nossa, você ainda compra presentes pro seu filho?" 

Como eu me diverti com isso. Tinha as caras do Dedé e do Zacarias pra encaixar se quisesse mudar de personagem. Tô emocionado...


Consumo não é sinônimo de compra, muito menos de consumismo, ele pode ser simbólico. Quem adota este valor esquece que as vezes é infinitamente pior consumir determinados tipos de ideologias e mentalidades do que comprar algo. É muito mais perigoso e destruidor para a formação do caráter das crianças este tipo de ameaça do que um patinete. É muito pior sua atitude diante de um mendigo esparramado no chão que você pula do que comprar uma roupa do Batman. O Consumo simbólico é mil vezes mais perverso do que o consumo financeiro.

Existe um cara chamado Marcel Mauss que escreveu um livro muito bom chamado “Ensaio sobre a dádiva: forma e razão da troca nas sociedades arcaicas”. Em resumo, podemos compreender que toda forma de troca carrega um significado especial e muitas vezes não aceitar um presente pode ser uma atitude extremamente desrespeitosa e rude. Ela em si, esta troca, não é malvada nem corrosiva, pelo contrário, ela estabelece vínculos duradouros e fortalece os que já existem, sem significado econômico algum. O grande ensinamento é que cada ato desse, cada presente, feito por você ou comprado, não importa, carrega consigo uma intenção, que não deve ser renegada pelo simples fato de ter se utilizado de papel moeda para adquirí-lo. A troca, o presente, ensina ele, é fundamento de toda sociabilidade e comunicação humana, em sociedades capitalistas ou não. Realizar o sonho do seu filho depois de um bom tempo juntando dinheiro para comprar aquilo que ele tanto queria não te faz um crápula. 

Na verdade, estamos ensinando a ele perseverança, que nada se ganha sem trabalho, que o que ele quer não cai do céu, que as vezes temos que abrir mão de alguma coisa pra conseguir o que se quer e que, finalmente, o valor que damos ao que temos está ligado diretamente ao esforço dispendido para a sua conquista. 




segunda-feira, 8 de outubro de 2012

La garantia soy yo

Não sei vocês, mas eu fico muito bolado quando estou com médicos, principalmente quando se trata do pediatra. Nada a ver com medinho de agulha ou sangue, todo mundo sabe aqui que sou líder de manada, que não tomo mel, mastigo abelha, não viajem. A sensação que tenho quando estou diante daquele cidadão é algo parecido com o que sinto quando vai um cara fazer o orçamento da geladeira lá de casa, um misto de impotência diante do desconhecido mundo da refrigeração com uma quase certeza que ele vai falar que ela tem um defeito que não tem, que ele vai trocar uma peça que está boa por outra boa, ganhando também na revenda da minha peça sem ao menos me dar qualquer participação nos lucros e, por fim, vai me olhar, coçar a testa e dizer que o serviço vai custar uns R$200,00. Ah, é claro, fora o valor da peça. 

Aí eu olho pros cornos dele, ele me olha com cara de "será que esse playboy cai nessa história?", e digo "tá bom, cara, obrigado, qualquer parada te ligo". E já recebo os outros 4 que marquei no mesmo dia. Cada um com um orçamento, cada um falando que a peça quebrada é outra e que o cara anterior tava querendo me enrolar e, no final você, indefeso diante de tantos especialistas e afastado da possibilidade de um parecer próprio, escolhe pela cara. É isso mesmo, a escolha é pela cara, pelo jeito de falar. Escolhemos aquele que passou mais confiança no que disse, que parece não querer nos enrolar, eu disse parece, que mostrou piedade vendo a loucura da rotina com duas crianças em casa e se sensibilizou pensando nos gastos que nós já temos. Se ele tiver filho, e gostar deles, melhor ainda, aí o preço cai com certeza. Este é um fator importante, o cara ser pai. O que fazemos na verdade são entrevistas com os candidatos ao conserto já que qualidade técnica todos tem, ou ao menos deveriam ter.

Com o pediatra é a mesma coisa. Sabemos - imaginamos - que todos estejam ali após concluir seu curso de medicina reconhecido pelo MEC, com média suficiente pra ser aprovado e, de preferência, sem nunca ter copiado trabalho da internet. A princípio, todos estariam aptos a cuidar de nossos filhos mas, no final, acabamos escolhendo muito mais pelo jeito como ele nos trata, quanto tempo ele passa nos escutando, o quanto de atenção ele oferece, o quanto ele se mostra preocupado com os nossos rebentos quando eles apresentam um terrível e perigosíssimo quadro de nariz escorrendo ou tosse. Pediatra hoje é a toque de caixa, vamo simbora porque tem criança chorando na recepção e eu cheguei atrasado. E ainda tem alguns que acham ruim quando ligamos pro telefone que eles mesmo disponibilizam no atestado. Pronto, após esta breve introdução, vamos ao que eu queria escrever de fato rsrs.

Levamos as crianças para fazer teste de alergia e deu positivo para ácaros e insetos. Quando um mosquito pica um deles o local fica inchadaço, quente, troço feio mermo. E mosquito não morde só uma vez. E o ácaro explica o nariz entupido constantemente, com corizas esporádicas. Depois de tomar as devidas providências, como queimar os bichos de pelúcia em praça pública e tomar uma facada na farmácia, veio o pior. Cada um teria que tomar a vacina contra a alergia que, a princípio, custaria R$120,00. Não se esqueçam, cada um, por seis meses. Mas o pior não é isso. A vacina tem uma fórmula específica, de acordo com cada tipo de ziquizira. E aí qual é a surpresa? Hein? Hein? O laboratório que aplica a vacina é o do médico. E é assim em todos os casos. Aí tu já fica boladão e pergunta: será que é isso mermo ou esse safado tá querendo lucrar algum em cima dos meus filhos, fazendo essa venda casada desgraçada sem ao menos eles precisarem? Nunca saberemos e eles sabem que é justamente esta dúvida que nos corrói que vai sempre fazer com que pequemos sempre pelo excesso, nunca pela falta. Vai que é verdade, né não? Aí nunca nos perdoaríamos.

E diante destes valores fomos então em busca de vacinas mais baratas. Mas aí precisamos da fórmula detalhada da vacina, certo, pra poder uma outra pessoa fazer. E vocês acham que o alergista deixou esta fórmula explícita no atestado? Claro que não, seus tolos, a não ser que vocês achem que a fórmula da Coca-Cola tá no verso da tampinha. Ele esconde aquilo pra que só possamos fazer a aplicação nos laboratórios conveniados, no caso os dele mesmo. O que ele não contava é com a entrada em cena de minha irmã Bibi caveirão, assistente social que conhece todos os meandros da burocracia e os esfrega na cara de qualquer um que tente nos privar de nossos direitos citando coisas absurdas. Ainda mais se os "gordinhos" dela são os pacientes. Me parece que vamos conseguir, minha Giullinda de Iansã também tá no circuito e é bom ele se cuidar. Essa fórmula vai aparecer e, se ele soubesse, já tinha dado na primeira consulta. Ah, e assim poderemos pagar R$80,00, isso mesmo, pela mesma vacina, só que em outro lugar.

Por fim, queria deixar aqui uma coisa que venho pensando sobre os pediatras. Vejam bem, não é nada contra todos eles, só alguns, mas fico com a nítida impressão de que pra que abram seu consultório basta que aprendam três palavras: Rotavírus, Virose e Amoxicilina. Pronto, tá na mão o diploma. Eu sei, eu sei, não tem nada a ver com o texto acima, mas eu fiquei com medo de esquecer esta elucubração rsrs.




quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Avenida Brasil

É por isso que gosto do ócio criativo. O cara pra poder pensar e refletir precisa de um tempo coçando o sa..., quer dizer, um tempo olhando pro nada e, no meu caso, este tempo consigo no trajeto de ônibus vindo pro trabalho, até porque na volta eu vou babando no ombro da pessoa ao lado. É uma cena meio patética porque tenho quase dois metros, então não consigo encostar minha cabeça no encosto do banco. Quando tento meu pescoço que fica apoiado, minha cabeça vai lá no banco de trás e ainda escancaro minha boca, que não é nem um pouco pequena. Me resta dormir com o corpo inclinado pra frente, indo pra esquerda e pra direita ao sabor das curvas, igual um bonecão do posto sem ar, sendo escorado por minha companhia no banco ou por uma alma caridosa do corredor.

E foi numa vinda destas, pensando sobre a crise econômica mundial, os problemas da zona do Euro, a guerra na Síria e o perigo nuclear iraniano que tive uma sacada impressionante: já notou como os homens da novela das 8 são todos uns babaquaras? Que esta novela é altamente preconceituosa contra o gênero masculino? E que ninguém fala nada, absolutamente nada sobre isso? Ah, minhas amigas, mas aqui não tem essa parada não, vou denunciar este autor, fazer cartaz, tuitaço, lista no feicibúqui, o escambau, mas assim não vai ficar. Duvida do que estou falando? Então vamos lá.

Leleco: Um coroa cheio de onda, cheio de marra, machista, que larga a mulher pra pegar uma mais nova e, não satisfeito pela troca maravilhosa, ainda traiu a coitadinha com a ex-mulher, isso sem contar que nesse meio tempo fez de tudo pra promover um flagrante pra provar que ela não prestava, usando das piores artimanhas possíveis. Nunca confiou em uma mulher e acha que a natureza dela é trair, não é possível ela amar uma pessoa mais velha.

Tufão: um bananão, sem pressão, um corno flamenguista que nunca sabe de nada e mesmo com as coisas sendo esfregadas na sua cara se recusa a enxergar. A mulher faz gato e sapato dele, engana, tira dinheiro, trai e ele lá, com aquele sorriso de bestalhão e aquela voz fanha.

Jorginho: O inocente, a vítima, o coitadinho. Nunca sabe em quem acreditar, não consegue discernir entre a verdade e a mentira, vive sendo ludibriado, tá sempre em crise. Não fosse a carcaça do Kauã, a mulherada passava looooonge.

Cadinho: apesar de ser meu ídolo, é retratado como um polígamo, um sem vergonha que fica enrolando três mulheres, um galinha com classe. 

Diógenes: Depois de anos encalhado, resolve voltar pra mulher que o abandonou e toma outra pé na bunda. Mais um trouxa enganado.

Max: enrolado pela Carminha que o faz de marionete desde os 18 anos, um otário manipulado, um mané que não tem trabalho e vive como um parasita querendo se dar bem sempre com algum golpe. Fica lá só malhando e mamando nas tetas do outro otário, o Tufão.

Lúcio: bandidinho de merda que vive também tentando um golpe pra se dar bem sem trabalhar.

Adauto: um idiota completo, apesar de bom coração. Analfabeto e burro, sempre com tiradas toscas que em nenhum momento prezam por sua inteligência. Vive da pena alheia, não só por sua burrice mas por ter perdido o pênalti pelo Divino.

Nilo: um crápula do lixão, enganado pela Lucinda vive de restos, bêbado e chantageando todo mundo pra tentar se dar bem. Nunca tentou arrumar um emprego. A Lucinda mora do lado dele, faz a mesma coisa que ele, e vive numa mansão projetada pelo Vik Muniz, o Niemeyer da reciclagem. Como se explica isso????

Aí tu pega as mulheres: todas poderosas, com iniciativa, trabalhadoras, pensantes. Não é a toa que as protagonistas são mulheres, que toda a história se desenrola a partir do trio Lucinda-Carminha-Rita. 

Eu não sei não, tô meio bolado porque o rolo compressor tá tão grande que já tem até mulher bomba, uma função que era exclusivamente masculina. Depois disso, onde vamos parar, meus deuses????

A novela das 8 é sempre um reflexo da conjuntura social, e nada do que acontece nela é estranho ao que vivemos no dia a dia. Se fosse seria novela das 6, de época, ou das 7, engraçadinha e sem compromisso com nada. Pensem bem nisso.

O que isso tem a ver com crianças e pais? Nada.

Mas que é interessante é.