quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Sucessão surREAL

Não consigo não pensar nessa parada de sucessão do trono inglês se a Kate estiver grávida de gêmeos. Se for um casal, prioridade pro homem, só lamento. Se quiserem façam uma passeata feminista com camisetas da Simone de Beauvoir denunciando o preconceito da realeza, tirem a bateria do Big Ben ou falem mal dos Beatles, sei lá. Só cuidado com aqueles guardas estátuas, gente muito quieta é sempre a mais propícia a atos inimagináveis. 

Agora, se forem duas meninas ou dois meninos o trono é daquele que primeiro repousar nos travesseiros felpudos e aconchegantes da nobreza. Será daquele que primeiro gritar: "iniciem já o processo de aspiração, meus servos"! Isso levando-se em consideração um parto normal.

Mas se o parto for feito através de uma cesariana, aí meu cumpadi, o bagulho é mais sério. A pessoa responsável por escolher o futuro Rei ou Rainha  do chá das cinco será o obstetra. Sim, é claro, ele que vai decidir quem entrará na linha de sucessão e nos livros de história.

Vocês vejam, meus filhos nasceram com uma diferença de 45 segundos, ou seja, este é o tempo que pode separar um Rei ou uma Rainha de um simples membro da nobreza. É algo como falar pro Tiririca que se ele tivesse nascido 45 segundos antes ele seria o Brad Pitt ou o Paulo Zulu. E não me venham com esse papinho de "huuuuuuuuuuuuuuuum ele usou exemplo de homens, sei não...". Se meu público é de mulheres é pra elas que tenho que jogar. Até porque se eu boto aqui uma comparação feminina, ficaria "é como falar pra Dilma que com menos 45 segundos ela seria a Fernanda Lima" e todo mundo sabe que ela preferia ter nascido Lula.

Migas, já imaginaram os problemas existenciais que isso causará caso sejam de fato gêmeos? Um vira pro outro de diz "Eu nunca vou te perdoar por ter puxado meu cordão umbilical. Eu que deveria ser o Rei" ou então uma vira pra outra e diz "Quem mandou ser boba e acreditar que tinha um tubarão atrás de você? Agora beije minha mão".

Já imagino os tablóides sensacionalistas ingleses noticiando a depressão do segundo colocado e sua luta por justiça. Na capa: "Ele comprou o obstetra" denunciando um esquema revelado pelo grampo autorizado pela justiça do estetoscópio e por cópias das filmagens de ultrassonografia feitas dois meses antes do nascimento, quando é possível ver o irmão negociando em linguagem de sinais a "contrapartida" no caso dele sair primeiro. "Eu já estava com a cabeça encaixada, como você explica?" Com ironia seu irmão responde "Deixa ele ter seus 45 segundos de fama". 

No caso da menina, o caso seria mais terrível, mais venenoso. Na capa "Irmã de Rainha afirma: ela tem micose no dedão"! A Rainha, soprando as trombetas da ironia, devolve: "Vascaína é assim mesmo, não suporta ser vice". 

Imagina você como mãe ou pai, ter dois filhos idênticos, sendo que um será o Rei ou a Rainha e o/a outro/a não? É diferente de quando eles têm idades diferentes, ô se é. Imagina quando entrarem na fase do porquê? 

 - Papai ele é tão malvado, promíscuo, degenerado e, ainda por cima ateu. Eu sou temente ao Senhor, virgem, um paladino do pudor e a representação do bem.

- Nascesse 45 segundos antes, meu filho. Agora se cale, aceite e vá tomar seu chá. Além do mais, pare com esta besteira. Não somos do terceiro mundo, aqui o segundo lugar vale alguma coisa. Quando eu voltar da final do Rugby em que seu irmão dará o pontapé inicial conversamos.

No caso da Rainha:

- Mamãe, ela nasceu primeiro, mas você gosta mais de mim, não é?

- Veja pelo lado bom, minha filha, você poderá levar a vida que quiser, dar, quer dizer, namorar quem quiser, ter perfil no face e, melhor, tudo isso usufruindo do Staff de uma Rainha sem precisar ser. Agora vá arrumar seu quarto que eu vou em uma baile com sua irmã no palácio de Buckingham. Fica olhando lá no face que vou postar fotos online pelo Iphone. Viu como eu te amo muito mais?

Que é meio bizarro é. Era melhor esperar que nascessem e, após estarem bem, jogar uma moeda. Cara ou Coroa.

Pooooooooooooooooooooooooooorra, deve ser por isso que as moedas tem este símbolos!

Gênio. Apesar de ter sido o último dos três.







quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Fala, Noel!

Senhores e senhoras do conselho, sabem que todo ano abro espaço aqui pro coelhinho e pro Papai Noel se manifestarem. Segue então, sem delongas, a carta que recebi, reproduzida na íntegra. É o mínimo que posso fazer por quem recebe milhares delas.


Fala, Cappelli!

E as crias, tudo tranquilo? Fica sossegado que independente do comportamento deles o pedido tá garantido, tu é parceiro e não ia fazer isso contigo. Se eles não estiverem merecendo depois você ajeita aí a situação, sei lá, fala que como aqui é muito frio eu acabo exagerando na vodka e trocando endereços e nomes, que tenho alguns elfos insatisfeitos com as condições de trabalho que me boicotam, que minha lista do Excel deu pau, em suma, faz o que você mais gosta: inventa. 

Só não pega pesado, tipo "Papai Noel foi preso por abusar de uma rena e agora o serviço é terceirizado, o que comprometeu sua eficiência" ou "Papai Noel caiu na malha fina da polícia federal na Operação meia rasgada, em que ele não declarava os presentes enviados aos que não se comportavam". Aí é esculacho.

Sabe como é: abuso sexual de animais e desvio de dinheiro é capa da Veja na certa! E vermelho como sou vão pegar pesado, muito pesado, se bobear colocam uma foto minha tomando uma branquinha com o Lula de trenó sobre São Bernardo. Título: "Presente é com eles". Saiba como o presidente Lula pretendia acabar com o Natal trocando os presentes por cargos comissionados.

Enfim, sabe como são essas coisas. No mais queria mesmo era pegar algumas informações contigo. Passou um cara aqui oferecendo blindagem, falando que eu deveria transformar meu veículo num Caveirão de Natal, porque corro o risco de ter alguns presentes danificados na entrega. Aí tu já viu, né camarada, devolver presente meu é prato cheio pro PROCON. Imagina se eu tiver que reparar ou trocar os pedidos? Aí, amizade, o Natal só acaba na Páscoa e o coelhinho, que é parceiro, vai ficar bolado comigo, com toda razão. Me falaram também pra negociar um cessar-fogo antes de passar por São Paulo. Só não sei se ligo pra penitenciária ou pro palácio dos bandeirantes, vê pra mim isso aí. Fico no aguardo.

Cappelli, tu é meu irmão, meu amigo, meu camarada, de ti só espero escutar a verdade. Pega mal eu continuar aparecendo por aí com essa minha pança indigesta? Tô preocupado, mó campanha contra criança obesa, que obesidade mata, que é mórbida, que causa Bullying (é assim que se escreve?) que dá pressão alta, que impede de ver o bilau etc,etc,etc. É verdade que o Rei Momo também já não é mais gordo? Que o Faustão emagreceu? Serei eu um péssimo exemplo pras crianças? Sei lá, como vocês aí explicam esse meu barrigão? "Filho, é que Papai Noel só trabalha no final do ano, quando começam a chegar as cartas. Antes disso ele fica só comendo porcaria." Na boa, tô com vontade de lançar um Na medida certa igual ao Ronaldo Fofômeno. Mas eu prometo ir. O que achas?

Pra acabar, uma última coisa. É verdade que rola uma onda aí em defesa dos animais, que pega mal usá-los ou mesmo criá-los em cativeiro? É que tô aqui imaginando as crianças olhando pro céu. "Mãe, esse é aquele velhinho que coça o saco o ano inteiro pra enchê-lo no final, que come porcaria enquanto as cartas não chegam, que vive bêbado de tanta vodka e que, ainda por cima, vive dando chicotadas naquelas pobres renas porque ele não quer chegar atrasado? É ele, mamãe?" Sei lá, tu acha que substituindo por humanos, igual fez o Cirque du Soleil e o Paulo Barros na Unidos da Tijuca eles me achariam mais antenado e consciente? Vê pra mim aí, faz uma enquete com seus amigos mais próximos. Qualquer coisa me avisa que tem uns caras aqui que precisam prestar pena alternativa e o promotor é meu camarada. Sabe como é, Lapônia, lugar pequeno, todo mundo se conhece e conhece o podre dos outros.

Irmão, fico no aguardo. De acordo com que voce responder me organizo aqui.

Parabéns pelo Tetra, vocês mereceram. Vi aqui pela SKY.

Ho, pra você.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Vou me separar

Como já dizia o poetinha, todo amor um dia chega ao fim. O importante é ter sido eterno enquanto durou.

Me lembro de tenra idade, de meus olhares maliciosos, de meu desejo contido.

Eu te olhando de longe, te querendo comigo, salivando.

Meus pais ressabiados, prevendo o perigo de nossa relação.

E eu querendo te ter, te provar, sentir seu sabor.

Crescemos juntos, lado a lado, e sempre me tranquilizava saber que a qualquer momento você poderia me saciar.

Te vi nascer, te acompanhei. Te vi mudar de cor, de sabor, de recheio, de formato.

Virei especialista em ti. Ao primeiro contato já sabia que algo estava estranho, que tinha mudado.

Por dentro surgia uma nova essência. Por fora mais madura, dura.

A influência do minimalismo te fez mais contido, menos é mais.

E ainda assim, mesmo sem guardar resquícios do que era antes, te carregavas comigo ao lado direito, dentro de mim.

Era devoção, incapacidade de abandonar, ingratidão impensável.

Mas aí vieram as más línguas.

Impiedosas, venenosas, malignas, inquietas diante da felicidade alheia.

Te colocaram defeitos, me mostraram sua composição, seus princípios ativos.

Mas quem não os tem??? Respondia resignado.

Mas de nada adiantou. "É isso que você quer ensinar aos seus filhos? É isso que quer que eles carreguem dentro de si?"

Jogo sujo, golpe baixo, sacanagem.

Com ele eu cresci, chorei, sorri.

E agora devo me despedir, forçosamente, contrariadamente.

A sociedade está saturada, a gordura é saturada e me parece que esta é a vilã da hora.

E eu, saturado por tanto tempo ao seu lado, agora me despeço.

Mande lembranças pra gordura trans e pro bisfenol. Eles também me fizeram muito feliz.

Um beijo, Bono.

Vá, você está livre de mim.


Cappelli.




sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Cocô é um real

Minhas amigas, é com grande satisfação que venho hoje aqui dar meu testemunho após a libertação alcançada. E aqui, através deste púlpito cibernético afirmo que alcancei a graça desejada por muitos de nós. Fui abençoado, iluminado, logo eu que nem mereço tanto, que já taquei ovo na rua, que já botei bomba em caixa de correio e que já...essa não, deixa pra lá. É como está escrito em  Apocalipse, capítulo 4, versículo 3, CEP 20589-000 -  Vila Isabel - Brasil, Planeta Terra: " O destino do cocô é morar junto com o Aligator, e não repousar em tripla proteção".

Sim, minhas amigas, as crianças estão fazendo cocô no vaso. Elas já não usam fralda há algum tempo, mas na hora do número dois, de cortar o rabo do macaco, de tirar a moréia da toca, não tinha jeito: "quero botá a fralda pra fazê cocôôôôôôô". E por uma dessa ironias malucas do mundo gemelar, bastava um pedir que o outro embarcava na hora, queria a fralda também. Não tá entendendo? Isso, isso mesmo, só faziam cocô juntos. Juntos e num cantinho, da sala, do quarto, enfim, sempre num cantinho e ai se tivesse algo atrapalhando, uma cadeira ou brinquedo, voava na hora.

Certa vez Thomaz estava já agachadinho lá no seu cantinho, na pressão, e Sophia andava saracoteando pela sala. Inconformado com ma cena e sentindo a solidão, ele gritou: "Sophiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiia, vem pra gente fazer nosso cocozinho, vem" kkkkkkkkkkkkkkkkkk. Bizarro, né não? Ainda mais se você estiver almoçando ou comendo algo, pois o futum ao quadrado é coisa linda. E pra finalizar eles, normalmente quando acordam (dormem de fralda), já dão uma barrigada sinistra. Ela, pra provar que me ama de verdade, faz questão que eu limpe, uma tara macabra, um juramento de vidas passadas, sei lá. Ninguém chega perto: "É o Papai que limpa, é o papai que limpa". E aí você, com o olho cheio de remela e a alma cheia de sono, vai na missão, pra acordar com a mão direita.

Mas eu não tenho do que reclamar, como disse estou feliz. Cada cocô era 1 real, já que a fralda usada é a Soft Touch Plus Ultra Mega com 17 camadas de proteção e sistema de drenagem aprovado pelo INMETRO. Seu custo? No mínimo R$16.00, com muuuuuita sorte em uma mega promoção. Só essa da Mônica tem o tamanho XXG que cabe neles, as outras ou não cabem ou não existem pra vender aqui. Um pacote de 16 durava, com sorte, 3 dias: barrigada de manhã, de tarde e fralda pra dormir. Isso quando não ocorria um pit stop na madruga.Não tinha aquele "cada mergulho um flash?" Pra mim era "cada cocô R$1 real"

Fico imaginando a cara dos vizinhos diante de nosso estímulo ao cocô no vaso: "nooooooooooooooooooooooooossa, que co co zão gigante! Muiiiiiito bem, olha que minhocão, parabéééns" "Vem, vamos dar tchau: tchaaaaaau cocôôôôôô." E no prédio tem aquele vão no centro, que fa ecoar as intimidades e amplifica o som. E a janela do banheiro dá de frente pra este vão. Já tô preparado pra entrar no elevador e escutar "E aí? Êta cocô danado, hein? "

E esse vão é danado. Na casa de um amigo meu tinha um desses e certo dia, num momento de silêncio, ecoa por ele: "assim não, paizinho, malvado, ai paizinho, ai, ai kkkkkkkkkkk. Minha vizinha debaixo vai pra janela que fica nele pra falar no celular. Ela no primeiro e no 5º se escuta com perfeição, até mais amplificado. Enfim, isso já é assunto pra Márcia Goldsmmith...

abs!


quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Sem filhos por opção


Bem, vocês sabem, eu devia estar estudando, blá blá blá, mas a vontade de escrever prevalece, fazer o quê? Pela manhã, vindo para o trabalho (sim, cá estou) na minha Mercedes com motorista que cabem 44 pessoas sentadas e 124 em pé, estava escutando como faço todo dia a Band News, porque me amarro no Boechat e é uma boa forma de se manter por dentro e aproveitar o tempo ocioso no translado. Hoje foram entrevistados os autores do livro "Sem filhos por opção" que, é óbvio, tratam do tema mostrando como ainda hoje a família que não tem filhos é vista com desconfiança, principalmente se a opção por esta escolha for da mulher. "Nossa, vocês são casados e não tem filhos? Ela tem problema? Ele é broxa, quer dizer, tem disfunção erétil? Ou o leite é ralo, quer dizer, seu sêmen apresenta baixa contagem de espermatozóides sadios?" são algumas das perguntas normais que surgem nestas situações. Além disso, uma dose de pressão familiar, dos pais querendo ser avós, dos irmãos querendo ser tios, do dono da loja de brinquedos querendo aumentar os lucros. Se for filha única então, arrisca colocar um ponto final na continuidade do sobrenome e meter um machado na árvore genealógica. Dá pra ficar bolado, dá não? rsrsrsr

Enfim, conversa vai, conversa vem, eles falam os prós e contras, explicam os motivos da sua opção, o motivo desta escolha, piriri, pororó, coisas que vocês devem imaginar muito bem, afinal, ao menos uma vez já argumentamos sobre isso com alguém próximo que não tem filhos ou que sabemos não querer. O que me chamou mais a atenção foram os termos utilizados por eles e a forma como o tema era tratado. Vejam bem, não li o livro, estou falando de orelhada, vou até comprar pra minha irmã Bibi caveirão que fez esta opção mas se deu bem porque supri sua falta logo com dois de cara rsrsrs. Pode ser até que esteja cometendo uma injustiça, mas duvido muito que o que vou falar esteja lá dentro, ao menos dessa forma.

Eles falaram muito de projetos, pessoais, individuais, de vida. Que eles tem muitos projetos e que um filho, pra que fosse educado e amado com qualidade, necessitaria de um tempo que eles não dispõem no momento, tempo e dinheiro. E nem por isso eles deixam de gostar de crianças, são professores e ajudam adolescentes em diferentes esferas que não a paterna/materna. Opção, simples assim, nada a ver com egoísmo e outras besteiras mais, opção e ponto. Bibi caveirão não é mãe, nunca vai ser, mas despende todo seu tempo em ajudar os outros como assistente social, principalmente os mais desfavorecidos. Não existe ligação nenhuma entre os dois fatos, não é que não gostem de crianças, é simplesmente uma expressão, um reconhecimento de que "eu não nasci pra isto". Gosto de crianças, acho legal o amor familiar, seus laços, enlaces e brigas, mas não é a minha. Vou colaborar com o mundo de outra forma que não procriando, sei lá, cuidando das crianças dos que procriaram e as largaram no mundo. Mas o que me chamou a atenção mesmo, que me fez pensar, foi uma alteração fundamental na nossa sociedade, que de tão comum já hoje parece banal: viramos, todos nós, um projeto.

Eles a todo momento falavam que tinham seus projetos sociais, que filho é um projeto, que projeto isso, projeto aquilo. O filho hoje é uma conta matemática: de quanto você vai gastar, de quanto tempo ele vai te tomar, de quantas viagens ele vai te privar, de quantos livros ele vai te afastar e etc. Vejam bem que o argumento é sutil e, se não entendê-lo, corre-se o risco de interpretá-lo de uma forma enviesada e perigosa. Não estou tomando partido, quero simplesmente mostrar uma mudança. 

As famílias eram numerosas antigamente por alguns fatores. Dentre eles podemos destacar os enlaces entre famílias que geravam herdeiros, reis, rainhas. A dinastia, fundamental para se entender capítulos e milênios da história, é um bom exemplo. Não é a perpetuação da espécie em si, mas a perpetuação de um modelo de família, de ideias, de formas de se comportar, de narrativa, de história sem fim. Projeto, meus caros, tem dia e hora pra acabar. Eles criam vínculos temporários e não oferecem aos que vivem deles uma narrativa de vida, um sentimento de retiliniedade da sua história, estão sempre recomeçando do zero, do nada, e o que fizeram antes é descartável, pois agora o projeto é outro. Um filho tratado como projeto, e não me canso de apontar a sutileza da argumentação para que não me acusem de estar detonando os que fizeram esta opção, não é um filho em si, na acepção da sua concepção, pois dele nasce justamente o contrário: elos duradouros, história contínua e necessidade de se manter no curso de uma trajetória, com responsabilidades que não podem ser negadas ao seu bel prazer tipo "porra, me deu na telha: partiu pra...". (caraca, esse parágrafo foi escrito em apneia, tava quase morrendo antes do ponto final rsrs).

O filho era, novamente como nos mostra a história, a perpetuação da profissão, da família de padeiros, de médicos, de professores, enfim, um elo que tornava indissociável o nome do labor. Os filhos vinham como ajudantes, pra colaborar na oficina, pra arrumar mais algum. É claro que ainda hoje temos este tipo de demanda e que ainda temos casos concretos com estes exemplos. A diferença, ali escondida no detalhe, é que antes, lá atrás, a prosperidade, a felicidade, o sucesso, o êxtase só fazia sentido na coletividade, sendo a família seu eixo central, sua base. O “é impossível ser feliz sozinho” de Vinícius lá nem se discutia, porque só discutimos aquilo que duvidamos. Não que não fosse, mas seu sentido só ganhava a amplitude esperada se fosse uma conquista em conjunto, de todos. Hoje, meus amigos, na era da individualidade, do meu projeto, das minhas prioridades e do meu rabo e umbigo, é claro que isso se altera de forma dramática. 

Por mais que queiram e apontem os motivos, um filho nunca, eu disse nunca será um projeto, está muito longe de ser. E não porque tenha algo contra os projetos, nada disso, mas apenas porque creio no fato de que nós escolhemos os projetos enquanto que os filhos que nos escolhem pra viver. Dentre tantas possibilidades, com tantos lares e lugares pra eles pousarem, escolhem justamente o seu, sua casa, seu país, seu planeta. O projeto, quando acaba, você busca logo outro. O filho, quando acaba, acabamos junto. Sabemos o dia que vamos nos separar do projeto, tá no contrato, mas nunca saberemos quando nossos filhos, mesmo depois de partirem, vão voltar novamente e precisar do nosso abrigo. 

Pra terminar, de verdade, só uma similaridade: precisamos de ambos pra viver, ao menos os que nesta opção se enquadram.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Esse tal do consumismo

Pois é, eu devia estar estudando agora direito processual do trabalho mas vocês teimam em me perturbar. E logo agora que tenho que redobrar todos os esforços, pois ontem chegou aquele envelope maravilhoso da creche, falando da nova mensalidade de 2013, da taxa de reserva de vaga, da compra da agenda, da taxa de material, coisa pouca vezes dois. Maldita hora que não aderi à (des)escolarização da Anne! Aliás, sei não, ando meio desconfiado. Ela escreve textos grandes e bem elaborados, com conteúdo, os filhos não vão pra escola, ou seja, ficam com ela, ela aderiu também ao movimento sem babá/empregada, o que pede mais tempo pra arrumar a casa. Isso sem falar o tempo de fazer a comida e dar banho. Não vou falar porque ainda não tenho provas, mas tenho certeza absoluta que tem algo estranho no ar. Pra mim, na boa, ela cria dois tamagotchis. Quando eu conseguir as fotos entrego lá no Divino e acabo com essa farsa. Tamo junto, Rita!

Dei uma zapeada aqui pelos textos e vi que o tal cartaz do dia livre do consumismo ganhou espaço com a chegada do dia das crianças. Eu, como bom Rodrigueano, sempre desconfio do que é unânime. A princípio eu discordo sem saber porque, mas com o objetivo fundamental de fazer com que todos que pensam da mesma forma se questionem e encontrem os motivos que os levaram até esta posição já que, com certeza, muitos deles não sabem. É o que chamo de argumento Xicó, do Auto da Compadecida: "Não sei, só sei que foi assim." Depois posso até concordar, sem problemas, mas que cada um saiba fundamentar e argumentar em defesa própria e não surfando nos argumentos alheios. Hora de confundir.

Primeiro, minhas amigas, o presente não é invenção do Tio Sam e muito menos fruto de uma sociedade consumista, capitalista. O presente existe desde que o mundo é mundo, mesmo antes da espécie humana começar a destruí-lo. Nem mesmo sua conotação de agrado, de troca, se modificou. Dar um presente não te faz um consumidor de imediato, ainda que você gaste algum dinheiro com ele. O que hoje pra você é valorado como dinheiro era, proporcionalmente, o esforço feito pelo caboclo pra caçar o papagaio e fazer um belo cocar pra sua esposa. A diferença é que o fruto do trabalho dele é direto e prático, enquanto que o fruto do seu trabalho é mediado pela troca de um papel com valor acordado socialmente. Enquanto o cacique vê o resultado do seu trabalho nós, desapropriados dos meios de produção, chegamos ao objeto desejado de forma indireta. No entanto, não se enganem: ambos os presentes são, antes de tudo, representação de um esforço para agradar alguém, uma vontade de transformar a batalha diária em bandeira branca, de ver que apesar de tudo, é possível extrair da exploração momentos inesquecíveis.

É claro que você pode dar um presente sem gastar um real, os sovinas também são de Deus rsrsrs, passar o dia junto, promover atividades lúdicas, coisa e tal, óbvio que isso é importante, mas eu nunca me esquecerei do dia que ganhei minha primeira bicicleta, minha primeira vara de pescar e, principalmente, meu Papa Tudo Trapalhão, que tinha Dedé, Mussum, Zacarias e Didi com mãozinhas pra engolir bolinhas que ficavam pululando em uma arena na frente. Cada criança controlava um personagem e era muito maneiro. E vou poupar vocês do surto quando ganhei o Atari. O que quero mostrar é que uma coisa não é incompatível com a outra, que elas podem conviver bem dentro de certa medida. Tenho uma implicância danada com extremismos porque, agindo dessa forma, você acaba demonizando o outro e, o que é mais perigoso, os outros, causando em muitos até uma certa arrogância ao olhar pro lado e dizer "nossa, você ainda compra presentes pro seu filho?" 

Como eu me diverti com isso. Tinha as caras do Dedé e do Zacarias pra encaixar se quisesse mudar de personagem. Tô emocionado...


Consumo não é sinônimo de compra, muito menos de consumismo, ele pode ser simbólico. Quem adota este valor esquece que as vezes é infinitamente pior consumir determinados tipos de ideologias e mentalidades do que comprar algo. É muito mais perigoso e destruidor para a formação do caráter das crianças este tipo de ameaça do que um patinete. É muito pior sua atitude diante de um mendigo esparramado no chão que você pula do que comprar uma roupa do Batman. O Consumo simbólico é mil vezes mais perverso do que o consumo financeiro.

Existe um cara chamado Marcel Mauss que escreveu um livro muito bom chamado “Ensaio sobre a dádiva: forma e razão da troca nas sociedades arcaicas”. Em resumo, podemos compreender que toda forma de troca carrega um significado especial e muitas vezes não aceitar um presente pode ser uma atitude extremamente desrespeitosa e rude. Ela em si, esta troca, não é malvada nem corrosiva, pelo contrário, ela estabelece vínculos duradouros e fortalece os que já existem, sem significado econômico algum. O grande ensinamento é que cada ato desse, cada presente, feito por você ou comprado, não importa, carrega consigo uma intenção, que não deve ser renegada pelo simples fato de ter se utilizado de papel moeda para adquirí-lo. A troca, o presente, ensina ele, é fundamento de toda sociabilidade e comunicação humana, em sociedades capitalistas ou não. Realizar o sonho do seu filho depois de um bom tempo juntando dinheiro para comprar aquilo que ele tanto queria não te faz um crápula. 

Na verdade, estamos ensinando a ele perseverança, que nada se ganha sem trabalho, que o que ele quer não cai do céu, que as vezes temos que abrir mão de alguma coisa pra conseguir o que se quer e que, finalmente, o valor que damos ao que temos está ligado diretamente ao esforço dispendido para a sua conquista. 




segunda-feira, 8 de outubro de 2012

La garantia soy yo

Não sei vocês, mas eu fico muito bolado quando estou com médicos, principalmente quando se trata do pediatra. Nada a ver com medinho de agulha ou sangue, todo mundo sabe aqui que sou líder de manada, que não tomo mel, mastigo abelha, não viajem. A sensação que tenho quando estou diante daquele cidadão é algo parecido com o que sinto quando vai um cara fazer o orçamento da geladeira lá de casa, um misto de impotência diante do desconhecido mundo da refrigeração com uma quase certeza que ele vai falar que ela tem um defeito que não tem, que ele vai trocar uma peça que está boa por outra boa, ganhando também na revenda da minha peça sem ao menos me dar qualquer participação nos lucros e, por fim, vai me olhar, coçar a testa e dizer que o serviço vai custar uns R$200,00. Ah, é claro, fora o valor da peça. 

Aí eu olho pros cornos dele, ele me olha com cara de "será que esse playboy cai nessa história?", e digo "tá bom, cara, obrigado, qualquer parada te ligo". E já recebo os outros 4 que marquei no mesmo dia. Cada um com um orçamento, cada um falando que a peça quebrada é outra e que o cara anterior tava querendo me enrolar e, no final você, indefeso diante de tantos especialistas e afastado da possibilidade de um parecer próprio, escolhe pela cara. É isso mesmo, a escolha é pela cara, pelo jeito de falar. Escolhemos aquele que passou mais confiança no que disse, que parece não querer nos enrolar, eu disse parece, que mostrou piedade vendo a loucura da rotina com duas crianças em casa e se sensibilizou pensando nos gastos que nós já temos. Se ele tiver filho, e gostar deles, melhor ainda, aí o preço cai com certeza. Este é um fator importante, o cara ser pai. O que fazemos na verdade são entrevistas com os candidatos ao conserto já que qualidade técnica todos tem, ou ao menos deveriam ter.

Com o pediatra é a mesma coisa. Sabemos - imaginamos - que todos estejam ali após concluir seu curso de medicina reconhecido pelo MEC, com média suficiente pra ser aprovado e, de preferência, sem nunca ter copiado trabalho da internet. A princípio, todos estariam aptos a cuidar de nossos filhos mas, no final, acabamos escolhendo muito mais pelo jeito como ele nos trata, quanto tempo ele passa nos escutando, o quanto de atenção ele oferece, o quanto ele se mostra preocupado com os nossos rebentos quando eles apresentam um terrível e perigosíssimo quadro de nariz escorrendo ou tosse. Pediatra hoje é a toque de caixa, vamo simbora porque tem criança chorando na recepção e eu cheguei atrasado. E ainda tem alguns que acham ruim quando ligamos pro telefone que eles mesmo disponibilizam no atestado. Pronto, após esta breve introdução, vamos ao que eu queria escrever de fato rsrs.

Levamos as crianças para fazer teste de alergia e deu positivo para ácaros e insetos. Quando um mosquito pica um deles o local fica inchadaço, quente, troço feio mermo. E mosquito não morde só uma vez. E o ácaro explica o nariz entupido constantemente, com corizas esporádicas. Depois de tomar as devidas providências, como queimar os bichos de pelúcia em praça pública e tomar uma facada na farmácia, veio o pior. Cada um teria que tomar a vacina contra a alergia que, a princípio, custaria R$120,00. Não se esqueçam, cada um, por seis meses. Mas o pior não é isso. A vacina tem uma fórmula específica, de acordo com cada tipo de ziquizira. E aí qual é a surpresa? Hein? Hein? O laboratório que aplica a vacina é o do médico. E é assim em todos os casos. Aí tu já fica boladão e pergunta: será que é isso mermo ou esse safado tá querendo lucrar algum em cima dos meus filhos, fazendo essa venda casada desgraçada sem ao menos eles precisarem? Nunca saberemos e eles sabem que é justamente esta dúvida que nos corrói que vai sempre fazer com que pequemos sempre pelo excesso, nunca pela falta. Vai que é verdade, né não? Aí nunca nos perdoaríamos.

E diante destes valores fomos então em busca de vacinas mais baratas. Mas aí precisamos da fórmula detalhada da vacina, certo, pra poder uma outra pessoa fazer. E vocês acham que o alergista deixou esta fórmula explícita no atestado? Claro que não, seus tolos, a não ser que vocês achem que a fórmula da Coca-Cola tá no verso da tampinha. Ele esconde aquilo pra que só possamos fazer a aplicação nos laboratórios conveniados, no caso os dele mesmo. O que ele não contava é com a entrada em cena de minha irmã Bibi caveirão, assistente social que conhece todos os meandros da burocracia e os esfrega na cara de qualquer um que tente nos privar de nossos direitos citando coisas absurdas. Ainda mais se os "gordinhos" dela são os pacientes. Me parece que vamos conseguir, minha Giullinda de Iansã também tá no circuito e é bom ele se cuidar. Essa fórmula vai aparecer e, se ele soubesse, já tinha dado na primeira consulta. Ah, e assim poderemos pagar R$80,00, isso mesmo, pela mesma vacina, só que em outro lugar.

Por fim, queria deixar aqui uma coisa que venho pensando sobre os pediatras. Vejam bem, não é nada contra todos eles, só alguns, mas fico com a nítida impressão de que pra que abram seu consultório basta que aprendam três palavras: Rotavírus, Virose e Amoxicilina. Pronto, tá na mão o diploma. Eu sei, eu sei, não tem nada a ver com o texto acima, mas eu fiquei com medo de esquecer esta elucubração rsrs.




quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Avenida Brasil

É por isso que gosto do ócio criativo. O cara pra poder pensar e refletir precisa de um tempo coçando o sa..., quer dizer, um tempo olhando pro nada e, no meu caso, este tempo consigo no trajeto de ônibus vindo pro trabalho, até porque na volta eu vou babando no ombro da pessoa ao lado. É uma cena meio patética porque tenho quase dois metros, então não consigo encostar minha cabeça no encosto do banco. Quando tento meu pescoço que fica apoiado, minha cabeça vai lá no banco de trás e ainda escancaro minha boca, que não é nem um pouco pequena. Me resta dormir com o corpo inclinado pra frente, indo pra esquerda e pra direita ao sabor das curvas, igual um bonecão do posto sem ar, sendo escorado por minha companhia no banco ou por uma alma caridosa do corredor.

E foi numa vinda destas, pensando sobre a crise econômica mundial, os problemas da zona do Euro, a guerra na Síria e o perigo nuclear iraniano que tive uma sacada impressionante: já notou como os homens da novela das 8 são todos uns babaquaras? Que esta novela é altamente preconceituosa contra o gênero masculino? E que ninguém fala nada, absolutamente nada sobre isso? Ah, minhas amigas, mas aqui não tem essa parada não, vou denunciar este autor, fazer cartaz, tuitaço, lista no feicibúqui, o escambau, mas assim não vai ficar. Duvida do que estou falando? Então vamos lá.

Leleco: Um coroa cheio de onda, cheio de marra, machista, que larga a mulher pra pegar uma mais nova e, não satisfeito pela troca maravilhosa, ainda traiu a coitadinha com a ex-mulher, isso sem contar que nesse meio tempo fez de tudo pra promover um flagrante pra provar que ela não prestava, usando das piores artimanhas possíveis. Nunca confiou em uma mulher e acha que a natureza dela é trair, não é possível ela amar uma pessoa mais velha.

Tufão: um bananão, sem pressão, um corno flamenguista que nunca sabe de nada e mesmo com as coisas sendo esfregadas na sua cara se recusa a enxergar. A mulher faz gato e sapato dele, engana, tira dinheiro, trai e ele lá, com aquele sorriso de bestalhão e aquela voz fanha.

Jorginho: O inocente, a vítima, o coitadinho. Nunca sabe em quem acreditar, não consegue discernir entre a verdade e a mentira, vive sendo ludibriado, tá sempre em crise. Não fosse a carcaça do Kauã, a mulherada passava looooonge.

Cadinho: apesar de ser meu ídolo, é retratado como um polígamo, um sem vergonha que fica enrolando três mulheres, um galinha com classe. 

Diógenes: Depois de anos encalhado, resolve voltar pra mulher que o abandonou e toma outra pé na bunda. Mais um trouxa enganado.

Max: enrolado pela Carminha que o faz de marionete desde os 18 anos, um otário manipulado, um mané que não tem trabalho e vive como um parasita querendo se dar bem sempre com algum golpe. Fica lá só malhando e mamando nas tetas do outro otário, o Tufão.

Lúcio: bandidinho de merda que vive também tentando um golpe pra se dar bem sem trabalhar.

Adauto: um idiota completo, apesar de bom coração. Analfabeto e burro, sempre com tiradas toscas que em nenhum momento prezam por sua inteligência. Vive da pena alheia, não só por sua burrice mas por ter perdido o pênalti pelo Divino.

Nilo: um crápula do lixão, enganado pela Lucinda vive de restos, bêbado e chantageando todo mundo pra tentar se dar bem. Nunca tentou arrumar um emprego. A Lucinda mora do lado dele, faz a mesma coisa que ele, e vive numa mansão projetada pelo Vik Muniz, o Niemeyer da reciclagem. Como se explica isso????

Aí tu pega as mulheres: todas poderosas, com iniciativa, trabalhadoras, pensantes. Não é a toa que as protagonistas são mulheres, que toda a história se desenrola a partir do trio Lucinda-Carminha-Rita. 

Eu não sei não, tô meio bolado porque o rolo compressor tá tão grande que já tem até mulher bomba, uma função que era exclusivamente masculina. Depois disso, onde vamos parar, meus deuses????

A novela das 8 é sempre um reflexo da conjuntura social, e nada do que acontece nela é estranho ao que vivemos no dia a dia. Se fosse seria novela das 6, de época, ou das 7, engraçadinha e sem compromisso com nada. Pensem bem nisso.

O que isso tem a ver com crianças e pais? Nada.

Mas que é interessante é.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Os çábios especialistas

Fui no Super Duper e na volta passei pelo Pequeno guia prático de uma mãe sem prática. Ambos os textos muito bons, sem respostas, como gosto, mas com muitas possibilidades de reflexões. A Anne quer saber quem se responsabiliza pelas decisões fundamentais que tomamos em determinadas circunstâncias quando o que está em jogo são nossos filhos. Já a Mariana, quer saber se é menos mãe ou mais mãe, se os filhos são o centro ou não, se a corrente que ela seguia semana passada ainda vale ou foi ultrapassada. E foi pensando sobre o que elas disseram que passei a pensar numa contribuição para ampliar o debate. Se olharmos bem, as duas abordam em seus textos um tema que nos aflige e assola de forma cada vez mais intensa e que domina hoje qualquer que seja o assunto abordado: os especialistas.

Não é nenhuma novidade que vivemos em um mundo cada vez mais especializado. Na faculdade eu ficava maluco vendo os temas de monografia e mestrado que ficavam colados na parede para quem quisesse assistir sua defesa "O significado da pedra preciosa cravada na espada do Raimundo no séc IV", "A importância do churrasquinho de gato como forma de socialização nas feiras livres noturnas" e por aí vai. Ao mesmo tempo que falava "ah, maluco, tá de sacanagem" me criticava ponderando "cada um tem a liberdade de estudar o que quiser". Enfim, esta é uma seara muito discutida pois cada vez mais temos pessoas que sabem muito de determinado assunto e absolutamente nada de todos os demais. E aí aquele cara, especialista, não consegue enxergar nada além de seu jaleco branco, não consegue entender que uma decisão nunca pode ser tomada levando em conta apenas um determinado aspecto, ela deve sempre ter como diretriz o contexto em que está inserida. Caso contrário fica algo do tipo:

- Minha senhora, seu filho precisa tomar sol durante 20 minutos por dia.
- Mas doutor, eu moro na Sibéria!
- Tá bom, 15 minutos resolvem.
- O Senhor sabe onde fica a Sibéria?
- Certo, certo, não sei não. Mas sei perfeitamente que todas as 589 pesquisas sobre o assunto, sendo que destas 518 publicadas, apontam que o sol ajuda a resolver o problema do seu filho.
- E não existe alternativa então?
- Isso também não sei. Mas sei que a CVC tá com uma promoção para Cancún imperdível (tira da gaveta um folder e entrega). Se a senhora não colocar este menino pra fazer a fotossíntese eu não me responsabilizo! (alô? Ó, acho que vendi mais um pacote!)

Aí ela volta deprê pra casa, conta a situação, e quando todo mundo começa a catar moeda pelos cantos pra fechar o pacote e salvar a vida do seu filho, encontram um diário de receitas da bisa mandando, nesta situações, raspar gelo do dente de uma foca sem bigode e dar pra criança na hora de dormir. Resolve arriscar. A criança amanhece boa. Mas já que o dinheiro pra Cancún tá na mão... rsrsrsrsr

Existe um cara que estudou sobre isso e criou um termo para explicar essa escalada da especialização no mundo moderno. Anthony Giddens, Sociólogo da terceira via, estabeleceu o conceito de "Sistemas Peritos", que nada mais é que todo corpo de especialistas existentes que faz com que tudo funcione sem que você entre em parafuso pensando nisso. Trocando em miúdos, é mais ou menos assim: tu já parou pra pensar quantas peças são necessárias para que um avião seja montado? Já parou pra pensar quantas pessoas estão envolvidas na sua construção? Que todas elas não podem ter nenhum erro e que tudo deve estar encaixado de forma milimétrica pra que ele não caia? Claro que não, senão você nunca entraria em um avião ou então seria tão paranóico, mas tão paranóico, que se tornaria insuportável. 

Convivemos com estes sistemas de forma tão orgânica, tão natural, que questionar seu funcionamento é praticamente ganhar um atestado de 22 e vestir branco pro resto da vida. Imagina o cara parado na entrada do aeroporto gritando "vocês estão malucos, eu conheço o mecânico da Boeing que trabalhou na fuselagem deste avião e ele é alcoólotra!" 

Como podemos questionar um cara que estudou um assunto durante 20 anos? E pior, como ousar afrontar alguém que dedicou sua vida a resolver estes casos? É óbvio que em determinados assuntos isso não cabe, como um câncer ou determinadas doenças mais severas, mas no que nos diz respeito, sim, podemos na maioria das vezes fazer escolhas, ainda que com a faca da especialidade na garganta. É claro que é difícil, mais claro ainda que os julgamentos serão os piores e, por fim, trágico se você estiver errado. Mas lembre-se que, caso você esteja certo, evitaria algo pior. "Porra Cappelli, tu é vaselina, hein?" Claro que não, simplesmente creio que conviver com esta contradição faz parte de estar vivo e que toda decisão, em qualquer circunstância da sua vida, trará uma consequência, boa ou ruim. O grande perigo é justamente não tomar nenhuma, porque ao fazer isso você ficará ao vento, ao mar, vagando pelas ondas do momento e das teorias que surgem mais rápidas que iPhones.

Escolha um caminho e siga, ajuste seu curso caso perceba que seguiu a placa errada, mas não abandone sua bússola de estimação. Seguir os especialistas quando o assunto são nossos filhos é viver engarrafado, pois a linha teórica de hoje é a superada de amanhã. É quase como a nova dieta de emagrecimento. A cada 10 minutos surge uma, mais mirabolante, mais eficaz, embasada por estudos recentes. Especialistas querem vender seu peixe, seu contato com o laboratório farmacêutico, com o cara da drogaria, com o plano de saúde, com a clínica de exame. Um especialista em especialistas levaria tudo isso em conta, pois não se pode isolar sua atuação do contexto em que ele se insere. 

Qual é a hora de dar um telefone? De falar sobre sexo? De explicar as mazelas do mundo? De falar sobre a morte? De falar sobre drogas? Não sei vocês, mas eu não faço a míííííííííííííínima ideia. O que não quer dizer que não existam por aí vááááááárias tabelas relacionando cada tema desses com um faixa etária. Isso levando em conta a própria briga entre os especialistas do mesmo assunto.

Não existe neutralidade na humanidade. Neutro, meus caros, só sabão e olhe lá. Toda ação parte de um propósito e, neste caso de que tratamos, me parece que cada vez mais que ele responde pelo nome de dinheiro, money, bufunfa. E pra que eles possam vender sua especialidade, é fundamental que semeiem em você a dúvida, que susurrem no seu ouvido que você não sabe nada, que suas ações podem prejudicar seus filhos, que você precisa de ajuda e que só eles podem oferecê-la com qualidade. Trombeteiam a insegurança pra que, acuados, optemos pela opinião deles, mesmo que lá no fundo saibamos que também oferecem riscos. E, numa atitude muito louca, desvairada, trocamos os riscos de nossas ações pelo risco das ações de outros, que não sentem por nossos rebentos  a milésima parte do nosso amor, que nunca os viram na vida e que se esforçam para parecer conhecê-lo já na primeira consulta: "Ah, isso é perebite aguda" sem ao mesmos levantar da cadeira.

Na dúvida, que os erros e acertos, que acontecerão inevitavelmente, sejam ao menos os meus, fruto das minhas escolhas. Acho que isso, Anne, é um primeiro passo para o empodaramento.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Botando o meu na reta

Vocês vão me obrigar a criar um cadastro no bolsa família e disputar no tapa uma casa no Minha Casa Minha Vida. Depois que mudei o viés do blog foram tantos os comentários e tão repletos de sinceridade que agora tô aqui, ferrado, tendo que estudar sobre a organização do Estado brasileiro, e só consigo pensar neles. É impressionante a convergência das situações, não só entre eles mas também com o meu cotidiano ao quadrado. Na boa, se sentássemos na mesa de um pé sujo e começássemos a falar iríamos passar mal de rir com as experiências de cada um. Só falta arrumar tempo, dinheiro e alguém pra ficar com as crianças, mas isso é detalhe rsrsr. E já que colocaram seus perrengues pra fora, sairei da posição de analista pra analisado também, nada mais justo. Como diria um amigo meu: "Cappelli, baixa a saia e desce do palco!". Mas não se enganem: se eu levar fumo no concurso vou fazer uma macumba tão grande, mas tão grande pra vocês, que a galera vai achar que já é a abertura das olimpíadas, nem adianta chorar.

Não se enganem comigo. Minha mulher diz que sou um santinho do pau oco, uma fraude, e ela tem seus motivos. Quando se escreve é muito mais fácil analisar com frieza as situações do que responder na hora do calor da discussão, né não? Ela quando lê fica raivosa, "nossa, quem lê isso aqui acha que você é um anjo, melhor pai do mundo" e sabemos que isso não é verdade, até porque não tenho isso como meta. E cá entre nós, quando morrer pretendo descer um andar ao invés de subir porque nunca fiz amigo bebendo leite e concordando com o que digo. Pelo contrário, até desconfio.

No entanto gosto de depurar minhas ações depois, de refletir sobre os fatos e de tentar compreender alguma coisa que me faça chegar à conclusão de que isso é passageiro, tem solução e vai melhorar. Que outra coisa nos resta além desta resignação libertadora? Não uma resignação de coitadinho, tipo "ai, sou coitadinho e sempre vou ser, ó vida, ó céus" mas sim uma propositiva, que amplie os horizontes e te faça perceber quais foram as circunstâncias que te fizeram chegar até ali e o que é possível mudar.

Enfim, ela não trabalha. Passa o dia com as crianças, leva de tarde pra creche e busca. Não temos carro, e ela faz o percurso que dura uns 20 minutos todo dia em um carrinho de gêmeos que, com cada um pesando por volta de 18kg, vocês devem imaginar o que é. Ela vai empurrando e gritando "ó o pesaaaado, ó o pesaaado" e ai de quem estiver pela frente. Se parar, pra engatar a 5ª de novo fica complicado. Os que estão pelo caminho todo dia já sabem e se afastam como se estivessem no trilho e o trem apitasse ao longe rsrsrsrsrsrs. Não se esqueçam das calçadas esburacadas, de uma pequena ladeira e do sol. Antes disso, acordou cedo, deu café da manhã pros dois, brincou, deu banho, deu almoço e arrumou os dois pra escola. No tempo em que se veste a camisa de um a outra tirou a meia. Você vai botar a meia o outro tirou o sapato e por aí vai. Chega da creche, vai brincar, vai dar lanche, vai brincar mais, vai dar banho, botar roupa e colocar pra dormir. 

Então você pergunta: "e onde você está, safadão?" Calma, tem explicação. Saio cedo pro trabalho e volto umas 19:30h, o que já me livra de muitas acusações. Chego e tá tudo na doideira, normalmente hora da janta ou do cocô deles pós refeição, uma mania esquisita de sempre fazerem cocô juntos. Um dia desses Thomaz tava no cantinho onde se aliviam e Sophia tinha saído. Ele gritou: "Sophiiiiiia, vem pra gente fazer nosso cocozinho" rsrsrss Diz aí? Bizarro, né não? Voltando. Tem vezes que abro a porta e sou recebido calorosamente com um "tão os dois de cocô, agora é contigo". Chego a me emocionar rsrsr. Ou então algo mais afetivo como "fica com os dois que tô apertada e preciso ir ao banheiro agooooora". Outra lágrima, é demais pro meu coração. A terceira possibilidade é: "fica com eles que agora eu que vou jantar". E nesse tempo nem o tênis eu tirei. Tá bom, é claro que nem sempre obedeço e rola já uma discussão, mas via de regra é isso.

Chega então a hora de dormir. Hora do leite caprichado no Mucilon pra cimentar o estômago e dormir feito pedra. Ela deita com eles e cansada, bagunçada, estressada e moída, por vezes dorme junto. Culpa dela? Claro que não, mas isso não me impede de ficar muuuuuuuito puto, a separação é logo ali, hora de varejar a aliança rsrsrrrs. Porra, me restou isso? Que merda, hein? Na maioria das vezes ela consegue sobreviver mas, como não fez nada durante o dia a não ser cuidar das crianças, usa seu tempo pra ver a Carminha, os e-mails e suas coisas que são deixadas pra depois em função da correria. Culpa dela? Claro que não, mas isso não me impede de ficar muuuuuuuito puto, a separação é logo ali, hora de varejar a aliança rsrsrrrs. Porra, me restou isso? Que merda, hein? Mas aí conseguimos deitar, juntos, e aí já começo a me animar, afinal é hora de aproveitar enquanto não ecoa o choro no outro quarto: "demorô, é hoje mané, é nóis na fita, Jerônimmmmooooooooooooooooooooooooo. Amor? amor?." Dou logo uma cutucada "tá dormindo, porra?" E ela "não, claro que não". Ela diz que tá esgotada, que depois nos enlaçamos e tal. Culpa dela? Claro que não, mas isso não me impede de ficar muuuuuuuito puto, a separação é logo ali, hora de varejar a aliança rsrsrrrs

Como bem disse a Tati Weiss em seu cometário, "onde arruma tempo pra fazer isso, cacete???". Sei não, Tati. Eu começo a esperniar e logo no início do meu escândalo, bem antes dos ataques mais pesados e das acusações mais brabas, ela já está nos braços de Morfeu, nem aí. E olha que nem exijo muito, pra mim dia sim dia não tá tranquilo rsrsrsrsrsr.

E então vem o dia seguinte. Ou acordo mais puto da vida ainda e fico uma semana sem falar com ela (o que já vi que não resolve nada, só piora, e ainda por cima ofereço uma desculpa de lambuja "nem fala comigo e já vem cheio de gracinha?") ou acordo como se nada tivesse acontecido, pois é preciso tentar de novo, opção que me tornei adepto e praticante. Sabe como é, sou brasileiro e não desisto nunca!!!!!

Minha conclusão é a mesma de 90% dos comentários aqui feitos: é foda! Se bem que nesse caso, nem tanto rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrs

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Me despedindo pra poder voltar

Na boa, tem vezes que a coisa fica tão clara, tão clara, que nos negamos a acreditar. Eu mermo, pra minha desgraça, já cansei de errar questão múltipla escolha de prova por achar que não podia ser tão fácil assim. Imaginava "ah, esse examinador tá de sacanagem comigo, querendo me ferrar, jogou essa isca pra ver se eu mordo" e procurava qualquer coisa idiota nas outras respostas pra que justificasse meu "x" certeiro. A simplicidade ali, brilhando, chamando "veeeeem, me marca, me arremata, sou eu que te quero, enfia essa caneta em mim e me rabisca todinha" e você lá, olhando pra cima e pra baixo, "não é possível, eu não sou idiota, esse cara não sabe que sou inteligente demais pra cair numa armadilha dessa?". Bem, o final geral já sabe: tu marca a porra da resposta errada e, ao chegar em casa e conferir o gabarito, se rasga todo, dá com a cabeça na mesa e começa a se martirizar. E o pior de tudo é que não dá mais nem pra se jogar pela varanda, porque a tela, que era pras crianças, agora serve pra você.

Depois da última postagem fiquei imaginando muitas coisas, possibilidades possíveis diante de comentários tão sinceros e, principalmente, sem respostas. Era exatamente isso que eu queria que aparecesse, a infinidade de angústias e dúvidas que nos faz humanos e nos permite o erro. Depois de ler alguns livros sobre gravidez, quando as crianças ainda estavam nadando em placenta esplêndida, e avaliando a sua utilização após o romper da aurora tive certeza de que o que existe em todos eles as mulheres já carregam na veia, no sangue, desde que o mundo é mundo. Pra mim, ele serve muito mais como um guia do que não é aconselhável que se faça, o que não quer dizer que em casos extremos não deva ser feito. São orientações gerais, informações técnicas, vendidas hoje como algo super moderno e que amanhã, na próxima edição, eles mostrarão que estas técnicas já estão superadas. Na boa, livro para grávidas devia existir só um, com os seguintes itens no índice: doenças e sintomas, vacinações, amamentação e alimentação. Depois disso, páginas em branco para serem preenchidas por cada uma pois, a partir daí, não existe regra.

Bem, tá na hora de dar sentido aos dois parágrafos anteriores, desconexos mas complementares. O que ficou claro pra mim é a tensão da vida moderna e a maternidade/paternidade. E algum tempo atrás eu já escutava sussurros disso nos comentários e nos outros blogs, mas achava que não era uma vereda que deveria desbravar. Era a tal da resposta certa que eu teimava eu não marcar. Este que vos fala tem tesão na escrita, no detalhe, na minúcia, no relato e debate das ideias. Me amarro em fazer estas análises que juntam sociologia, antropologia, história, psicologia, conversa de elevador, de bar e bom humor. Me parece que este blog tomará um caminho diferente, pulará da infância para a crise pós moderna dos relacionamentos e sua interferência no contexto familiar. Mermão, que loucura, hein? Acho que já tenho um projeto pro doutorado rsrsr. 

Enfim, passarei a abordar temas adultos, neuroses, dilemas, contradições e devaneios, sem nunca perder o viés da relação destes temas conosco, pais e mães. Não quero um troço careta, tipo esta catequese que existe quando o assunto é maternidade/paternidade, com perguntas e respostas prontas. Parece que gravaram 30 programas e repetem eles há 50 anos (Eu já falei pra vocês que esta é minha tese pro Globo Repórter?). Vou por um caminho mais punk, mais fundo, dedo na ferida mesmo, porque acredito que é assim que crescemos, tanto emocionalmente quanto intelectualmente. É na oposição que se faz a síntese. É a rebelião dos pais, sim, isso mesmo, porque nós também somos assunto e merecemos mais do que este gugu-dadá que nos é oferecido como material de reflexão.

Quem quiser sugerir temas/debates pode me mandar um imeioul: cappellettico@gmail.com

Pra fechar, deixo aqui uma canção do Tom Zé, que define o que farei daqui por diante, ao quadrado:

Tô 
Tô bem de baixo prá poder subir
Tô bem de cima prá poder cair
Tô dividindo prá poder sobrar
Desperdiçando prá poder faltar
Devagarinho prá poder caber
Bem de leve prá não perdoar
Tô estudando prá saber ignorar
Eu tô aqui comendo para vomitar
Eu tô te explicando
Prá te confundir
Eu tô te confundindo
Prá te esclarecer
Tô iluminado
Prá poder cegar
Tô ficando cego
Prá poder guiar

Suavemente prá poder rasgar
Olho fechado prá te ver melhor
Com alegria prá poder chorar
Desesperado prá ter paciência
Carinhoso prá poder ferir
Lentamente prá não atrasar
Atrás da vida prá poder morrer
Eu tô me despedindo prá poder voltar











quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Foram queimar o sutiã...

Liberté pra quê? rsrsr
Ééééééééééé minhas queridas, vai vendo. Eles estavam lá, aconchegados e seguros, com tempo de sobra para suprir durante o período adequado as necessidades vitamínicas de seu bacuri. Eles estavam na boa, no balanço, no descanso e aí o que vocês fizeram? Hein? Foram lá e tacaram fogo. Resolveram fazer a revolução, quebrar tudo, partir pro ataque, pro trabalho, pra presidência. Em polvorosa ensaiaram escondidas a coreografia do "Tá dominado, tá tudo dominaaaaado".

E eu adolescente, vagabundo de marca maior, devoto do ócio criativo, ficava olhando aquilo e pensando "essas mulé devem estar muito doidas. Pra quê isso? Tão em casa, na moral, cuidando da criançada, piriri, pororó..." É claro que não estava fazendo nesse momento considerações machistas, nada a ver. Eu só pensava no descanso mesmo, no papo pro ar, na neblina do quarto. Pra mim era mil vezes melhor ficar em casa do que sair todo dia pra trabalhar e se estressar com isso e com aquilo. Não foram poucas as vezes que bradei que ficava em casa tranquilo com meus filhos se minha mulher me sustentasse. É óbvio que com esta convicção muitas foram as que correram, mas outras malucas se aproximaram. Este espírito soteropolitano de ser acabou escurraçado com a notícia do nascimento das crianças. Mas que ainda hoje sinto uma preguiiiiiiça, ah, eu sinto rsrsrsrs

Enfim, me deixando de lado e colocando vocês de frente, é claro que ficar em casa não é tão tranquilo assim. A mulher que fica em casa com os filhos trabalha muitas vezes mais do que o maior workaholic que existe. Vai pra lá, vai pra cá, faz isso, faz aquilo, pá, pum, corre, ajeita e pronto. Em suma, a mulher em casa já trabalha bagarai (entenderam? Pense no palavrão) e aí faz o quê? Arruma um emprego. Aaaahhhh, minhas amigas, aí o caldo entorna. Ela trabalha fora e ainda precisa chegar em casa e fazer tudo aquilo que a consciência pesada dela por deixar o filho o dia inteiro na creche a obriga. O tempo que já era escasso, desaparece. Quase 70% do salário dela vai para pagar a creche integral. A criança chega 7 da matina na creche e volta 19:00h. As 21h tá dormindo. Estranho, não? 

Claro que é, e a mulher sabe disso. Ela entra em crise, se culpa, e tenta não brigar com o filho nas 3 horas que passa com ele, seria sacanagem. Tendo isso em vista fica mais permissiva e não exerce sua autoridade como deveria. Falem o que quiserem, mas a função biológica da mulher é ser mãe, é cuidar da cria, lambê-la e aconchegá-la. Eu disse biológica, não que ela só serve pra isso, olha lá. O desvio imposto pelo capitalismo, que a retira deste traçado no seu genoma, por mais que não seja consciente a deixa aflita. Ela foi pro mercado de trabalho, como se ela já não trabalhasse duro. Ela não tem mais tempo. Ela congela o leite porque o peito não dá. Ela não fica mais com os filhos. O marido virou um adereço. A cama virou uma tumba. As que não tem filhos não tem tempo pra ter filhos. Nem mesmo para tentar. 

As que não tem filhos, então...Chega aos 30 e ela entra em crise, quer procriar, o relógio biológico desperta e ela não quer ficar pra tia. É independente, tem seu trabalho, sua casa, seu carro, come onde quer e viaja o mundo. Mas não quer ficar pra tia, aí não. Acaba tendo um filho com um caboclo que ela sabe que não será o pai do seu filho por muito tempo. Ela não tem trabalho, não arruma namorado, tá difícil, sem perspectiva de melhorar de vida, de emprego, pra poder viajar e fazer tudo que ainda não fez. Conversa consigo mesma e diz "tá ficando velha, hein? Quando você vai procriar? Daqui a pouco fica mais arriscado". Dos 30 aos 40, minha gente, ou vai ou racha, é batata. Posso aqui dar uns 37 exemplos de conhecidas que passaram justamente por isso que vos falo.

É por isso que sempre agradeço aos deuses por ser homem. Ser mãe/mulher é muito complicado. Trabalhar sendo mãe, pior ainda. Trabalhar, sendo mãe e ainda ter que aturar um marido, viiiiiiiiiiiiiiixe maria. Trabalhar, sendo mãe, aturando o marido e ainda fazer unha, cabelo, depilar... tá maluco, só de pensar nisso já quase infarto. E aí, me volta na cabeça: quais foram as contribuições, de fato, que esta queima trouxe para a qualidade de vida da mãe/mulher? É claro que ela precisa trabalhar pra ajudar, que ela tem seus projetos, suas perspectivas, seus anseios, e tem o direito de ter tudo isso. O que procuro compreender é como se faz pra equalizar isso tudo com a necessidade/vontade de ser mãe sem que uma das duas ações fique comprometida? Será esta uma contradição insuperável do mundo moderno? 

E aí, minhas amigas? Como faz? E não me venham com coisas do tipo "ah, meu marido ajuda muito" ou "eu me supero e me dedico". Vamos pra realidade, pra vida como ela é. A vontade é chutar o balde? Do quê? Na boa, só de pensar no que vocês estão pensando entrei em crise.

Fui.

Ps: alô, Mamatraca, queria ver umas mães falando disso naqueles vídeos, hein? Camila, para de degustar este Cabernet e toca isso! rsrsrs


quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Nota explicativa

O texto abaixo é uma brincadeira-provocação que fiz com a Anne Rammi que escreve no Super Duper. Clicando na Vannessa Rammirez vocês terão acesso ao que ela escreveu.

Tô explicando porque as vezes viajo achando que está claro o que eu quis fazer mas, na verdade, só eu - e olhe lá - entendi.

Bem, como vocês podem perceber, se estou tendo que explicar é porque não funcionou kkk.

Abraços ao quadrado!

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Dr. Hanz Inza - Ensaio sobre o cativeiro

Dr Hanz Inza, 

"Sou casada, tenho 44 anos e dois filhos maravilhosos. Me dou muito bem com meu marido e acredito que tenho uma vida que muitos gostariam de ter, com harmonia e tempo para me dedicar a eles. O problema é que de uns tempos pra cá venho me sentindo presa, amarrada, acorrentada a convenções que me sufocam, me tirando muitas vezes o humor. O que será que está acontecendo comigo? Será que virei uma mulher anacrônica? De onde vem esta minha necessidade de libertação? Será que encontrarei meu lugar neste quebra-cabeça chamado mundo moderno? 

Vannessa Rammirez - Itaquaquecetuba - SP

Um dia Elvira acordou e refletiu sobre sua vida. Despertou na hora que o trabalho exigia. Tomou café com pão como todo mundo. Almoçou na hora permitida pela CLT. Foi embora na hora permitida pelo patrão. Chegou do trabalho e tomou o segundo banho.  Recebeu um SMS do trabalho mesmo fora do horário e teve que responder. Viu uma conta que vencia no dia e que ela tinha esquecido de pagar. Não tinha comida e ela pediu um japonês. Teve uma certeza: nada do que fizera respeitava seus anseios e suas vontades mais instintivas. Olhou pra grade da janela da sala e sentiu que elas avançavam em direção à sua alma, colocando seu ser em cativeiro. Como ela faria pra se sentir livre se todo ato que praticava parecia já pré-determinado por convenções da civilização? Existiria escapatória? Seria possível vislumbrar ainda um reduto, um lugarejo que seja onde o Laissez-faire, Laissez-Passer se efetivasse a cada segundo?

Quando nascemos assinamos nosso primeiro contrato, com as lágrimas do primeiro choro: o contrato social. Nas linhas miúdas estão os termos que aceitamos mesmo sem ler. Lá está escrito o que você pode ou não fazer de acordo com os costumes e cultura não qual você se encontra. E é justamente este compartilhamento de regras aceitas por todos que permite a existência da civilização como nós a conhecemos. Este é o preço que pagamos para que nossos instintos mais selvagens não se sobreponham ao que nos torna humanos e membros da humanidade. Eles, estes instintos acuados em nossa alma, são egoístas e individualistas, agem de forma mecânica, sem pensar nas consequências do ato para outrem. E isso nos difere frontalmente, de forma inequívoca, dos animais. Eles comem quando tem fome, nem que para isso tenham que estraçalhar um outro bichano menor que está ceiando. Eles mijam por aí quando estão apertados, fazem cocô em qualquer lugar, enfiam a porrada e matam quando seu território é ameaçado, matam e abandonam suas crias quando acham que devem,  e isso quando cuidam. Ah, trepam onde bem enteder. E o principal: não planejam seu futuro, já que sua existência é marcada pelo incessante saciar de suas necessidades instintivas. Elvira, não somos bichos.

Desfrutamos daquilo que eles nunca terão: o livre arbítrio. Temos escolhas e uma delas é a que te aflige: vivo este mundo de ilusão ou crio um próprio só pra mim? Esta grade, Elvira, que você vê com cada vez mais nitidez, se fortalece na medida em que você pensa nela. Você pode correr para os seus pais quando tem medo. Você pode comer a hora que quiser. Você pode ter seu filho de forma natural ou não, você pode dar mamadeira ou não, chupeta ou não, peito ou não, complemento ou não, você pode isso e tudo o que quiser. Basta dar uma banana pros burocratas que te fizeram assinar aquele maldito contrato e entrar no PROCON se dizendo lesada no seu direito de consumidora da vida que você escolheu. Alguns fizeram isso e foram pro manicômio. Outros viraram hippies, outros foram estudar física e alguns foram pra fogueira. Mas os maiores, os gênios da humanidade, os que estavam além do seu tempo, sempre souberam que estas grades só seguravam os que não deixavam sua imaginação fluir para além do horizonte da normalidade.

Termino com uma frase de meu primo, Nietzsche, que afirmava: "Nunca é alto o preço a se pagar por pertencer a si mesmo"

Pague este preço, Elvira, e estas grades que te incomodam se tornarão pontes.

E seus textos serão mais felizes e cheios de graça.

Dr. Hanz Inza é Parapsicólogo social e escreve sempre que quer provocar alguém.

E-mail para a coluna: naomevenhacomchurrumelas@hotdog.com















segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Cuidado com a bolha, que a bolha te pega

Minhas queridas e meus camaradas, não adianta. Pode pular 127 ondas no ano-novo segurando 13 palmas brancas e baforando uma vela azul na boca, pode fazer retiro no Tibet com o Lama da hora, pode jejuar durante 15 meses se alimentando só de luz, pode fazer promessa pra São Longuinho, pode ir a pé pra Meca, enfim, pode apelar pra tudo que você quiser, não adianta: seu filho vai fazer merda. Tinha uma amiga minha que sempre falava um negócio (como é mulher me livra da pecha de machista) quando queria dizer que algo era inexorável, que nada poderia deter aquela força cuspida das entranhas de um vulcão corporal. Dizia ela, preocupada com os calores da juventude de sua filha com então 16 anos: "não tem jeito: água morro abaixo, fogo morro acima e mulher quando quer transar, ninguém segura!" Falava isso porque sentia que a filha estava prestes a praticar o ato e, diante da resignação de que um dia isso aconteceria de qualquer jeito, ela estava conversando sobre o assunto ao invés de reprimir.

Vejam o que aconteceu com os padres. Na boa, aqui pra nós, se o cara tivesse convicção de verdade, se tivesse Jesus tatuado no coração, se se sentisse ungido pelas graças do altíssimo, se tivesse de fato escutado as trombetas dos Arcanjos na porta do Paraíso, se tivesse visto a Virgem que surgiu na sua janela após a empregada passar um limpa vidro lhe balbuciar algo, ele não precisaria ficar enclausurado. Porque cargas d'água alguém que é escolhido por Deus para fazer o bem tem a necessidade de ficar isolado na torre eclesiástica se as mazelas do mundo estão todas do lado de fora? É justamente por causa disso, dessa prisão das vontades, que eles acabam por aí dançando Monnwalker. Uma hora o corpo explode, a vontade inunda e o desejo transborda, não tem jeito. A bolha quando estoura vai pra tudo quanto é canto, praticamente uma teoria do caos onde sua ação não vale de nada. E aí, meu caro, perdeu, já era, baubau. 

A proteção dedicada aos nossos filhos deve ter limites. Protegê-lo das mazelas reais que enfrentamos criará um ser humano indiferente e, pior, acrítico em relação a isso. Se ele não se dá conta disso, das amarras e opressões que nos rodeiam e cerceiam, perdemos um cérebro na luta contra o que nos oprime. Se você é aquela mãe que fantasia seu filho de Lifebuoy no Carnaval pra ficar tranquila, cuidado: nosso corpo não sobrevive sem uma infinidade de parasitas que nele habita. Os erros, as derrotas, os dissabores, desamores, descaminhos, vermes, micoses e bichos do pé serão depois nossa identidade, nossa história pra contar, quer dizer, a deles. (Eu, calçando 44 e andando descalço o dia inteiro, era o rei do bicho de pé, que dá uma coceirinha maravilhosa, e da larva migrans, vulgo bicho geográfico).Ou você é daquelas que se reúne com suas amigas pra contar suas boas ações na época da juventude, tomando um bom copo de leite???? Não me subestime mulherrr!

Dia desses tavam falando do novo Banco Imobiliário como obra do capeta. Que brincar de polícia e ladrão faz mal ao caráter, que isso, que aquilo. Não bastasse as censuras na música, parece que agora estão se alastrando para outros campos da vida social. Porra, na boa, passei uns dez anos brincando de polícia e ladrão e nem por isso virei o Beira-Mar de Vila Isabel, fala sério. Propaganda em jogo? Meus deus do céu, parece que a propaganda surgiu ontem e só existe no jogo. Acham que a criança vai jogar o dado e sair dizendo igual a um zumbi: "vou abrir uma conta no Itaú e comprar um Fiat". Estamos aí pra isso: pra mostrar os excessos, pra incentivar a independência intelectual, pra explicar como estas coisas funcionam, pra que não deixem se levar pelos outros, pra que tenham identidade própria, opinião própria, pra que percebam que o mundo está em movimento e que existem várias disputas em jogo.

E ainda assim, mesmo dando uma ideia, trocando papos, aconselhando, ele vai fazer merda. Coisas que você nunca acreditaria que seu filhotinho-gostosinho-denguinho da mamãe faria. Eu mesmo fiz coisas que minha mãe vai morrer sem saber, já que contar antes poderia abreviar sua passagem pelo planeta. Vocês também, não? Acredito que sempre estamos buscando um meio termo, algo entre a bolha e o libera geral, ambos, no meu entender, prejudiciais. E é nessa busca que ganhamos mais importância porque a partir deste dia, teremos que colocar em prática, efetivamente, tudo aquilo que estamos falando, sob o risco de parecermos farsantes diante de nossos rebentos. E aí, minha querida, todos verão a opressão do politicamente correto se revelar. 

E que tristeza seria se elas não fizessem merda nenhuma. Deixaríamos de rir muito e eles de aprenderem coisas fundamentais que só aprendemos quando nos "desvirtuamos".

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

F 5


De vez em quando gosto de teoriar (caorizar era como falávamos na faculdade) sobre determinadas nuances que percebo neste universo blogueiro, que nada mais é que um reflexo das transformações que assolam nossos relacionamentos e modificam nossa forma de interação. Uma das coisas que mais me chamam a atenção é a necessidade que o ser humano hoje tem de estar sempre diante de uma novidade, de algo impactante, de uma notícia bombástica. A quantidade de informações é tamanha que o cara sempre acha que a história o deixou fora de algo, que ele está sendo discriminado pelos acontecimentos. E o problema é que sempre que ele abre a mão pra pegar algo, alguma coisa escapa. É esta a contradição moderna: são muitas as informações oferecidas e, na mesma proporção, as descartadas. 

E isso atinge todas as esferas da nossa vida. Esperar, hoje, tá quase virando uma palavra em desuso, uma praga, um vírus, o pior de todos da internet. Em tempos de respostas imediatas, de acessos de raiva por e-mails que não foram respondidos depois de 5 minutos de enviados, a necessidade de novidades passou a mover boa parte da humanidade. É a diferença entre o desejo e o impulso. No primeiro você planeja e cria as condições necessárias para alcançar o que quer. No segundo faz merda, porque não aguenta esperar. O impulso é o clic do mouse, é a velocidade de 15.000 mega da internet porque a de 10.000 já tava parecendo lenta. É a necessidade de novidade constante que perturba sua alma, soprando como faz o diabo no ouvido: coooooooooooooooompre Baton, cooooooooooooooooooompre Baton.

E é claro que este modelo chegaria até aqui. São muitas as pessoas que me falam que eu deveria escrever mais no blog, que falta texto atualizado, que eu deveria aparecer com mais frequência. Não nego que fico até lisonjeado com isso, pois de alguma maneira gostam dos textos e querem ler mais vezes coisas do tipo. Mas o problema é que minha vida não é um "cada mergulho um flash". Não tenho novidades para contar dia sim, dia não, quiçá semana sim, semana não. Situações engraçadas, ou ao menos que possam ser vistas pelo lado engraçado, muito menos. Não vejo este espaço aqui como algo fake, como um momento de interpretar algo e criar um conjunto aprazível para que aparecer. Este espaço é fruto da espontaneidade e é isso que torna ele legal. 

Se passar duas semanas brigado com minha mulher não escrevo. Se o fluzão vier numa sequência ruim, idem. Se tiver pilhas de leis para estudar para o próximo concurso que vou tentar, não escrevo. Hoje, por exemplo, estou tomando um tempo da CLT para escrever. Se no dia da prova errar um questão boba rogo uma praga em todas vocês, das brabas, tipo micose na unha do indicador ou sapinho no canto da boca.

Enfim, escrevo quando sinto que o que eu tenho pra falar é maneiro. Na terça fui com as crianças na padaria. Fiquei esperando 20 minutos o pão de queijo sair quentinho, isso sem falar que estava atrasado. Pão na mão, hora de ir pra casa. Sophia insiste em levar a sacolinha, sem problemas, já que eles carregam o pão direto pra casa. No meio do caminho ela dá uma balançada com a sacola e lança os coitados na direção do asfalto. Fico sem ação pois estou com os dois, um em cada mão. 

Pensei em acenar ou fazer algum gesto, mas era impossível. Rezo para nenhum carro passar. O primeiro passa e poupa os coitados, deixando eles entre as rodas. Mas o segundo é impiedoso, parece até que desviou só pra assassinar aquela família mineira indefesa. No meio da Ave Maria escuto aquele barulho de sacola estourando, e junto com ela aqueles coitados quentinhos, macios e tenros, que ganharam o mundo para perdê-lo em seguida. Olhar fixo no chão,vejo aquela massa branca se perder entre os pneus, salivando. Chego em casa 35 minutos depois de sair de mãos vazias e com esta história pra contar. Isso porque a padaria é na esquina. Mamãe pergunta o que aconteceu com o pão de queijo e Sophia manda: “Ele foi atropelado!”

Agora me diz: coisas deste tipo acontecem todo dia??? 

Enfim, se vocês acharem maneiro posso escrever diariamente sobre a dificuldade de tirar a caraca do canto da minha unha encravada enquanto as crianças querem ver a Clarilú e coisas afins, assunto não falta. Mas acredito, piamente, que a graça está na espera, na novidade, no “o que será que vem da próxima vez?” Minha intenção não é ter um diário, até porque mastigo abelha, não tomo mel. Acho que este blog só é responsa porque aparece quando realmente deve aparecer, ou seja, quando tenho a intuição e a vontade de escrever e me divirto com isso.

Abraços ao quadrado!